Professores de Montalvão e Salavessa
Tal como em relação à maioria das aldeias congéneres, o ensino em Montalvão foi caraterizado primordialmente pelo ensino básico obrigatório, inicialmente de três anos, tendo em vista a redução drástica do analfabetismo prevalecente em todo o país.
Como se disse no apontamento sob a epígrafe “Ensino”, aquele superior objetivo não foi atingido, não obstante, a evolução verificada, tanto ao nível das instalações escolares, como não menos importante, da formação dos professores(1), como, aliás, a nobilíssima função de ensinar impunha, desde logo neste nível de escolaridade.
Foram vários os professores que passaram por Montalvão e Salavessa e que por esse facto formaram, educaram e marcaram gerações de meninas e meninos ali nascidos ou residentes.
No entanto, uns mais do que outros, pelo seu carisma, pelo tempo de permanência ou pela natural empatia que se gera em ambos os sentidos permanecem e permanecerão na nossa memória coletiva e também na memória de cada um, pelos episódios que protagonizaram, fosse pela irreverência da idade ou pelos hábitos instituídos (ir aos ninhos, por exemplo, era para alguns mais apelativo do que aprender a tabuada) ou o que quer que fosse.
Não sendo possível listar todos, por falta até de informação sobre os seus nomes, sem deixar de reconhecer o imprescindível trabalho que aqui desempenharam, são dignos de destaque os seguintes Professores:
Os que exerceram em Montalvão (por ordem de antiguidade):
- Tomás Fraústo, familiarizado como “O Senhor Tomás da escola”
- Domingos Antunes – exerceu na antiga escola e inaugurou o novo edifício em 1950.
- Mónica Carita Baptista – inaugurou também o novo edifício, tendo permanecido em Montalvão durante 37 anos.
- António Pires Lopes – exerceu em Montalvão durante 28 anos, entre 1964-1992.
Os que exerceram em Salavessa:
- Elvira Galo – exerceu na Salavessa num primeiro período entre 1940-44 e depois, desde final dos anos 50 até à década de 80, ininterruptamente. Encerrada nesta altura a escola da Salavessa, transitou para Montalvão
Na década de 1960, a par do ensino da telescola generalizado a todo o país, eventualmente complementar do ensino presencial, funcionou em Montalvão o que poderíamos considerar um externato, onde se ministrava, e vários jovens montalvanenses adquiriram, o grau do 1º ciclo liceal. A criação do mesmo deveu-se à iniciativa do Pároco José António dos Santos, ele próprio professor e do Professor Francisco Louro, posteriormente, substituído pelo Professor António Pires Lopes. Não é de mais enaltecer a importância desta iniciativa, pelo impulso que deu à formação continuada de muitos jovens.
Este segundo grau de ensino, realizou-se em Montalvão durante cerca de 10 anos, terminando com o infeliz falecimento do Pe. José António, vítima de um brutal acidente de viação. Foi ele próprio uma perda irreparável para Montalvão, face à interação que desenvolveu em diversos domínios, como referido também em "Arte e Cultura Popular".
Após o abrupto encerramento daquele ensino particular, os jovens de Montalvão puderam ainda frequentar a 5ª e 6ª classes, como ensino público em Montalvão ou frequeantarem estes graus ou prosseguirem os estudos fora de portas.
Antes disso, porém, a Escola Primária de Montalvão chegou a receber alunos vindos do Pé da Serra e de Salavessa, após o encerramento das respetivas escolas, por escassez de alunos.
Nota complementar: por informação do nosso estimado Professor Pires Lopes, ouve um outro notável Professor, nascido em Montalvão, mas nunca aqui tendo lecionado, dado ter sido professor na Casa Pia, que foi o Prof. Faria Artur, que conjuntamente com os colegas Manuel Subtil e Cruz Filipe, editaram os livros de leitura das 2ª, 3ª e 4ª classes, livros esses, aliás, que contribuiram para a aprendizagem, entre 1942 e 1946, daquele nosso conterrâneo, por vivência e afeição.
Luís Gonçalves Gomes
10 fevereiro 2016
(1) NÓVOA, António; “Do Mestre-Escola ao professor do ensino primário Subsídios para a história da profissão docente em Portugal (séculos XV -XX);
http://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/2200/1/1987_3_413.pdf