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Freguesia Montalvão

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Origens de Salavessa (1)

Tal como em relação a Montalvão, as origens da Salavessa não estão clara e indubitavelmente identificadas. No entanto, podemos presumir que tanto uma como outra encontram as suas raízes mais remotas na época pré-histórica, tendo em conta os múltiplos vestígios de arte rupestre que foram identificados e ainda existem em considerável número nos territórios limítrofes.

Efetivamente, no início da década de setenta do século passado, uma equipa de arqueólogos portugueses descobriu naqueles territórios e mapeou o que ficou classificado como um dos mais importantes complexos europeus de arte rupestre.

Muito próximo da Salavessa encontra-se também a estação de Vilas Ruivas, caraterizada por ser o local onde se descobriram os “mais antigos vestígios de habitações pré-históricas” .

Muito mais há a referir sobre a arte rupestre relacionada com a Salavessa, mas não cabendo aqui grande desenvolvimento, sugere-se a consulta às publicações abaixo referenciadas, para mais cabal e documentada informação.

Entre o final, porém, dessa época pré-histórica, classificada como Idade dos Metais (cerca de 4.000 a.c.) e a Antiguidade (ou Idade Antiga) ou, mais recente ainda, a Idade Média, muitas transformações económicas e sociais se verificaram na vivência dos povos primitivos. O nomadismo das épocas mais longínquas, deixou de ser imperioso por razões de sobrevivência, dando lugar a uma vida mais sedentária e, por consequência, à fixação dos grupos em determinado local, obrigando necessariamente à construção de habitações, rudimentares é certo, mas seguras e protetoras contra a inclemência do tempo e outros perigos. Novas atividades surgiram, por força das necessidades decorrentes de uma forma de vida mais evoluída e crescentemente mais exigente, como a fabricação de utensílios em barro, de cestos, a tecelagem e de ferramentas para o amanho da terra, etc.

Foi graças a esse desenvolvimento que os pequenos núcleos deram progressivamente lugar a pequenas aldeias de agricultores e se transformaram em complexos urbanos, organizados administrativa e socialmente, primeiro sob a liderança de um chefe de grupo ou tribo e depois por elites mais poderosas, elas próprias melhor organizadas e disciplinadas, como foi o caso das Ordens Militares, por exemplo, que se instalaram na Região, v.g. a Ordem do Templo ou Templária e sucedaneamente a Ordem de Cristo, e por aí fora, até aos nossos dias.

Foi assim, muito provavelmente, que surgiu o primitivo Monte da Salavessa. Não se sabe!

Um contributo para esse esclarecimento resulta da carta que o Vigário Frei António Nunes de Mendonça dirigiu a D. José I - reinando este há oito anos por morte de seu pai D. João V, em 1750. Nela aquele religioso dava conta das respostas ao interrogatório régio sobre Montalvão e os lugares a ela apensos, onde naturalmente se incluía, não a atual Salavessa, mas um dos vários montes existentes à época, o Monte de Salavessa.

Neste povoado foram inventariados trinta fogos e setenta e duas pessoas (adultas, por suposto) e quinze menores. De todos os outros lugares ou Montes identificados, tratava-se do mais densamente povoado e o que veio a sobreviver a todos os restantes, progredindo e desenvolvendo-se até ao que hoje é e conhecemos da Salavessa, que integra administrativamente a Freguesia de Montalvão.

 

Luís Gonçalves Gomes

25 janeiro 2016

 

Bibliografia:

(1) BENTO, Luís Mário Bento, “Salavessa-Um contributo para a sua história”; Ed. de autor; 1993; p.61. Sobre este tópico, naquela se faz menção à fonte bibliográfica: "Montalvão, Elementos para uma monografia desta freguesia do concelho de Nisa", de António Cardoso Mourato e outros;1980; pp. 27 a 34.
ROSA, Jorge, “Montalvão, Ecos duma História Milenar”; Ed. Colibri.

Fotos gentilmente cedidas pelo próprio 

Topónimo de Salavessa (1)

Celavesa, Celavessa ouSelavessa, tantas são as designações que se atribuem à povoação atualmente conhecida como Salavessa.

Especulam alguns que a atual designação poderá ter derivado de Salavessinha, um outro pequeno Monte situado próximo de Salavessa. Por alguma razão Frei Mendonça não o terá mencionado expressamente, nem feito qualquer alusão ao mesmo, eventualmente por não existir aquando do estudo corográfico daquele Vigário. A verdade, porém, é que há ainda várias evidências da existência de um tal Monte da Salavessinha, como pode verificar-se através da publicação abaixo mencionada.

Segundo o toponimista António Augusto Batalha Gouveia o topónimo Salavessa é único em Portugal e pode ter derivado dos termos “Sala” e “Vessa” , com origem germânica.

Sala deriva do antigo termo germânico “Salla” ele próprio derivado da palavra “halla” usada pelos Francos (antigo povo germânico), originária de “helle”, para designar claridade ou luz, em alemão. A língua frâncica tornou-se uma língua morta, mas dela derivaram alguns dialetos alemães ou germânicos praticados na região do rio Reno e por isso apelidados de dialetos frâncicos.

Por sua vez “Vessa” corresponde à adulteração em português da antiga palavra germânica “Wazzar”, em alemão atual “Wasser” , significando água.

 

Bibliografia:

(1) BENTO, Luís Mário Correia, “Salavessa-Um contributo para a sua história”, , no qual, sobre este tópico, se faz menção à fonte bibliográfica: “Montalvão, Elementos para uma monografia desta freguesia do concelho de Nisa”, de António Cardoso Mourato e outros, pp. 27 a 34 e a “Nisa, Suas freguesias rurais”, de Alexandre de Carvalho Costa, Ed. CMNisa, 1986, pgs 60 a 63.
ROSA, Jorge, “Montalvão, Ecos duma História Milenar”, Ed. Colibri.

Localização e Acessibilidades

A Salavessa, situada a escassos 7 km de Montalvão, por bom acesso, é outro fértil território em Arte Rupestre. Faz fronteira a norte com o rio Tejo ao qual a respetiva população se encontra económica, social e afetivamente muito ligada.  (1)  

Bibliografia:

(1) BENTO, Luís Mário, "Salavessa, Um contributo para a sua história", Ed. de autor.

 

Antigas Bandas Filarmónicas de Montalvão

Uma vez mais nos socorremos do livro coordenado pelo Dr. António Cardoso Mourato (1) e no caso da Banda por maioria de razão o fazemos, tal o desenvolvimento que dá a este capítulo, com base no testemunho autorizado de quem a integrou, com 16 anos.

São vários e bem-humorados os episódios que narra a respeito da “sua” Banda de Música, tornando despropositado, por redundante, repeti-los aqui.

Respigamos apenas o elogio e agradecimento que faz à Direção da Casa do Povo, à época - 1946 – presidida por António Joaquim Fraústo, pelo apoio prestado à formação da Banda.

Outra referência elogiosa é feita à figura de António de Oliveira Falcão pelo …” dinamismo e o grande entusiasmo que sempre demonstrou pela Banda”… É de sua autoria uma breve resenha sobre o início da preparação e primeira atuação da banda. (2)

Eis, também, os nomes dos elementos que compunham a primeira Banda Filarmónica de Montalvão, aquando da sua formação inicial: (3)

António Raposo – Ensaiador de música e depois Regente *

Manuel de Matos Dinis – Requinta

Francisco de Carvalho Belo – Clarinete

Joaquim Leandro Marques – Clarinete

João da Silva Belo – Clarinete

João da Costa de Matos – Clarinete

Manuel da Graça Semedo – Clarinete

António Augusto – Trompete

António Bento Leirinha – Trompete

Tomás António Belo Sequeira – Trompete

Joaquim Branco – Feliscorne

Fernando de Matos Tremoceiro – Cornetim

José Carita Belona - Saxofone-Tenor

João dos Remédios da Graça Lopes - Saxofone-Soprano

José Vicente Nunes – Saxofone-Alto

António Cardoso Mourato – Saxofone-Alto

António Miguéns de Matos – Contrabaixo

José Henriques Leirinha – Contrabaixo

António Tomás da Silva – Bombardino

Francisco Sequeira – Bombardino

João António Marques – Trombone

João José António – Trombone

Bento de Matos Belo – Trombone

Joaquim Maria da Costa – Bombo

Victor Belo Morujo – Pratos

António Belo Pereira – Caixa

João Bento de Matos – Caixa

* Outros Regentes: Joaquim de Magalhães; João Gualberto; Luís Matias Félix (4)

Muitos outros músicos de Montalvão passaram por esta Banda, enquanto a mesma durou, como António Semedo da Graça (clarinete) e outros, cujos nomes gostaríamos de igualmente aqui registar para memória futura, pelo que agradecemos aos seus familiares o favor de nos fazerem chegar essa informação, caso o pretendam.

A primitiva Banda teve uma duração inferior a dez anos (não há uma informação rigorosa a este respeito) e anos mais tarde foi reeditada, mas teve ainda menor duração, por força das circunstâncias decorrentes da erosão demográfica.

A formação inicial ensaiou pela primeira vez em 16 de outubro de 1946 e a primeira apresentação pública em 7 de setembro do mesmo ano) .(5)  Terá terminado por volta de 1956, derivado da procura de melhores condições de vida fora de Montalvão, por parte de alguns dos músicos que a compunham.

Cerca de 30 anos mais tarde, mais precisamente em 1983, qual "fénix renascida", eis que surge uma nova Banda, cuja primeira apresentação data de 1 de agosto de 1983.

Dirigia este agrupamento, o Mestre António Maria Charrinho - músico multifacetado e apaixonado pela sua arte, até aos dias de hoje -, da Sociedade Musical Nisense, sendo apoiado pelo nosso conterrâneo Manuel Mourato (Baleiza), outro grande apaixonado pela música, ele próprio executante de saxofone-tenor, com uma experiência de mais de trinta anos, ininterruptos, dedicados à Banda de Nisa, onde ainda se mantém, e à de Montalvão, enquanto durou.

Os instrumentos restantes da Banda primitiva, que, diga-se, subsistiu graças ao apoio monetário do Povo, serviram para aprendizagem de alguns dos jovens músicos. Mas graças ao apoio da Câmara Municipal de Nisa, da Ministério da Cultura e da Junta de Freguesia de Montalvão, foi possível adquirir instrumentos novos e, com isso, Montalvão viu ressurgir uma nova Banda Filarmónica, uma Banda própria, por que tanto ansiava.

Tratava-se de uma formação totalmente renovada, na medida em que não só não integrou antigos músicos, como era formada por vários jovens, tal como está bem patente nas fotos que publicamos, e com a particularidade inovadora de integrar vários elementos femininos, precisamente oito, de um total de vinte e oito músicos. Os nomes respetivos estão devidamente identificados na listagem desta segunda formação.

Sem as dificulades monetárias da anterior, nem por isso esta nova Banda durou mais tempo. Ao contrário da anterior, apenas durou quatro anos, ou seja até 1987, dada a crónica carência de instrumentistas. A maior parte dos músicos terminaram deste modo a sua breve, mas certamente gratificante experiência neste género musical. Outros continuaram na Banda de Nisa, como os Mourato, já mencionadas e outras, muitos anos mais tarde (2015), derivaram para a música coral, através da participação no Grupo Coral EmCanto, de Montalvão - constituído naquele ano -, como é o caso de Ana Maria Henriques e de Elsa Maria Guerra Custódio. O gosto pela música, quando é genuino, nunca morre.

Além da referência já antes feita a Manuel Mourato *, a ele devem muitos jovens montalvanenses a aprendizagem do solfejo e o gosto pela música, que igualmente vêm praticando há muitos anos, como é o caso do seu próprio filho Nuno Mourato, iniciado por seu pai aos oito anos de idade (o mais jovem daquela Banda), que não obstante não viver na Região, nem por isso deixa de continuar a tocar na Banda de Nisa, com seu pai e mais recentemente com seu sobrinho. É ao Nuno Mourato, com a sua trompete, que se devem muitas animações musicais, quando outras não há, nas touradas realizadas em Montalvão, em particular durante as Festas de Nossa Senhora dos Remédios.

Esta família Mourato merece ainda a referência muito interessante e exemplar, de não só pai e filho partiharem o gosto e a prática saudável da música, como de terem influenciado, através disso, o neto e o sobrinho, respetivamente, o Filipe Mourato Ribeiro, com apenas 10 anos, que, seguindo as pisadas do tio, escolheu como instrumento preferido e não fácil de executar, a trompete. Veja-se abaixo a foto desta simpática hereditariedade.

A duração breve desta reedição da Banda Filarmónica de Montalvão fez cessar para alguns a sua experiência musical, mas outros, porém, continuaram na Banda de Nisa, como os Mourato, já mencionados e alguns dos elementos femininos, derivaram muitos anos mais tarde (2015), para a música coral, através da participação no Grupo Coral EmCanto, de Montalvão - constituído naquele ano -, como é o caso de Ana Maria Henriques e de Elsa Maria Guerra Custódio. O gosto pela música, quando é genuino, nunca morre.

É curioso registar, igualmente, que nesta Banda, para além dos Mourato, atuavam outros grupos de familiares, como é o caso dos irmãos Renato e Francisco Pires Lopes e das irmãs Elsa, Alda e Maria de Fátima Guerra Custódio, com a curiosidade ainda maior de tanto o filho do Renato, de seu nome Rodrigo da Silva Pires Lopes (10 anos; sax-alto) como  as filhas de Alda e Maria de Fátima, respetivamente, a Ana Catarina Piedade (10 anos; sax-alto) e a Cátia Filipa Custódio Ribeiro, esta a concluir cumulativamente o curso de enfermagem, terem seguido o exemplo dos seus progenitores, dado que são igualmente músicos nas Bandas de Arruda dos Vinhos, de Nisa e do Crato, respetivamente.

Salvo alguma omissão involuntária e que será prontamente corrigida, logo que nos façam chegar informação complementar, registemos então os nomes dos músicos que integraram a segunda Banda Filamónica formada em Montalvão:

António Maria Charrinho - Ensaiador e Regente

Sandra de Matos Barreto - Requinta

Alda Maria Guerra Custódio - Clarinete

Cristina Isabel Matos Morujo - Clarinete

Lucília de Matos Artur - Clarinete

Maria de Fátima Guerra Custódio - Clarinete

Paula Miguéns - Clarinete

Rui Marques Sequeira - Clarinete

Rui Manuel dos Remédios Morujo - Clarinete

Ricardo Miranda - Trompa

Mafalda Miguéns - Trompa

Carlos José Dias de Matos - Trompete

Francisco Sereno Pires Lopes - Trompete

Nuno Miguel Gonçalves Mourato - Trompete e Bombardino

Renato Sereno Pires Lopes - Tompete

Rui Filipe Carrilho Leirinha - Trompete

Helena Maria Gonçalves Fitas - Saxofone -Tenor

João de Matos - Saxofone -Tenor

Manuel Guerra Mourato - Saxofone -Tenor (e adjunto de Mestre Charrinho) 

José Fidalgo Marcelino - Saxofone - Soprano

Elsa Maria Guerra Custódio - Saxofone - Alto

José Leandro Semedo - Saxofone - Alto

Manuel de Matos Dinis - Saxofone - Alto

António Gonçalves de Matos - Contrabaixo

Manuel Belo Carrilho - Contrabaixo

José Miguéns Matos da Graça - Bombardino

Ana Maria Henriques - Trombone

Mário Louro Graça Correia - Trombone

Mário Belo de Matos - Bombo

José Luís Marques Guerra - Pratos

António José Morujo - Caixa

António Ribeiro - caixa

Carlos Rebelo - caixa

João Belo de Matos Lopes - Caixa

Luís Gonçalves Gomes

28 janeiro 2016

 

* Agradecemos a Manuel Mourato o empenhamento em obter e fornecer os nomes dos músicos da segunda Banda Filarmónica e fotos da mesma.

Agradecimentos a António Cardoso Mourato, pela autorização de publicação das fotos abaixo, insertas no livro a seguir referido. 

(1) MOURATO, António Cardoso, “Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa; ed. Comissão Conservadora das Obras da Ermida de Nossa Senhora dos Remédios de Montalvão, 1980, pp. 113 a 118.
(2) Idem; pp. 115 e 116.
(3) Ibidem; p. 117.
(4) Ib. p. 117
(5) Revista Cultural da Câmara Municipal de Nisa, pp.8 e 9

 

 

 

Nossa Senhora dos Remédios (ENSR)

O orago ou padroeira da Freguesia de Montalvão, ou seja, Montalvão e a sua Igreja Matriz estão dedicadas a Nossa Senhora das Graças, tal como a sede do Concelho, Nisa.

Mas a maior devoção dos montalvanenses, desde tempos quase imemoriais, recai sobre Nossa Senhora dos Remédios, em honra da qual foi erigida uma pequena igreja ou capela a que se deu o nome de Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, cuja construção, ainda que numa versão diferente da que conhecemos, é possível que seja muito antiga.

Que se saiba, não existe ou não está publicada documentação alusiva a esta Ermida, que nos permita conhecer melhor este local de tão grande devoção, por múltiplas e renovadas gerações de montalvanenses. Da informação escrita que consultámos, apenas o livro de referência, por diversas vezes citado neste “sítio”, “Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa”, a pp 61 e 62, lhe dedica breves notas.

É um bom motivo para uma pesquisa mais aprofundada, a começar, por exemplo, pelo conhecimento da figura de Nossa Senhora dos Remédios, também apelidada de Bom Remédio ou do Remédio, cujo culto terá sido introduzido em Portugal nos princípios do século XIII, por religiosos franceses da Ordem da Santíssima Trindade. Explicando do princípio:

O culto que é devotado à Santa do Bom Remédio terá começado ...”com São João de Matha, fundador da Ordem da Santíssima Trindade, e morto em Roma em 17 de dezembro de 1213. Com o objetivo de resgatar os cristãos escravizados na África e no Oriente Médio, São João de Matha e São Felix de Valois fundaram em 1198 a Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade. Precisavam, para isso, de vultosas somas em dinheiro. Recorreram, então, ao auxílio de Maria Santíssima, o remédio para todas as necessidades que encontramos na vida. Foram abundantemente atendidos e conseguiram libertar da escravidão milhares de irmãos na Fé.

Na linguagem medieval, os verbos “redímere” e “remediare” e os substantivos “redémptio” e “remédium”, tinham um significado similar: redimir, resgatar, resgate, remédio (com o sentido de salvação, libertação). Isto explica porque, nos escritos dos séculos XVI-XVII, se dão à padroeira os três títulos: “do Remédio”, “do Resgate”, “da Libertação”.

A representação mais antiga hoje conservada é uma imagem românica, que pertenceu à primeira casa dos trinitários em Marselha: a Virgem está sentada, com o Menino no braço esquerdo e com a bolsa de dinheiro no direito. A bolsa alude, como relatam muitos biógrafos, à aparição e ao socorro dado por Nossa Senhora a São João de Matha, em Túnis e em Valência (Espanha). São João de Matha estava sendo atormentado pelos muçulmanos que exigiam o preço duplicado por escravos já resgatados, sob ameaça de reconduzi-los em prisão. Tendo-lhe suplicado fervorosamente como Mãe do Bom Remédio, foi por Ela miraculosamente provido.

Segundo o livro “Invocações da Virgem Maria no Brasil” de Nilza Botelho Megale (3ª. Edição- Ed. Vozes), esta invocação, de sabor tipicamente colonial, era muito popular na velha Lusitânia, principalmente nas cidades de Santarém e Lamego”...(1)

Como já dito antes, …” Foi introduzida em Portugal por religiosos franceses da Ordem da Santíssima Trindade para a redenção dos cativos, que estiveram em Lisboa no início do século XIII”…

Em Portugal, como no Brasil, porém, Nossa Senhora do Bom Remédio é mais conhecida como Nossa Senhora dos Remédios.

…”Os frades Trinitários, com suas Confrarias e os devotos, se empenhavam na difusão de suas devoções específicas e assim trouxeram para o Brasil o culto da Virgem dos Remédios, em honra da qual ergueram capelas em várias províncias do Nordeste (Maranhão, Pernambuco e Bahia) e nas regiões barrocas de Minas Gerais.

Em Paraty, sua primeira igreja foi edificada em 1646 num terreno doado por Maria Jácome de Melo, sob a condição de que fosse dedicada à invocação de Nossa Senhora dos Remédios, da qual era muito devota. Nos fins do século XVIII foi iniciada outra matriz, ainda hoje inacabada, pois não possui as duas torres, que encerra alfaias e imagens de grande valor, como a antiga efígie da Senhora dos Remédios, considerada milagrosa.

Em São Paulo, a igreja dos Remédios, com seu frontispício de azulejos e sua história recheada de lendas, estava situada na Praça João Mendes. Era o refúgio dos escravos perseguidos e, nos últimos tempos do Império, o reduto preferido dos abolicionistas. Em 1941 ela foi demolida para o alargamento da praça, conhecida antigamente como Largo dos Remédios.

Dedicada a Nossa Senhora dos Remédios é também a única igreja existente na ilha de Fernando de Noronha, construída em estilo português em 1737, logo depois da expulsão dos franceses que ali permaneceram durante um ano. Fica perto da sede do governo da Vila dos Remédios.

Atualmente no Brasil há 34 Paróquias dedicadas a Nossa Senhora dos Remédios, em todo Brasil, de acordo com o Anuário Católico 2008/2010". (2)

A confraria da Ordem Hospitalária da Santíssima Trindade para além do Brasil, espalhou-se pela Europa, especialmente na Península Ibérica e até ao século XVIII já tinha conseguido libertar 900.000 prisioneiros.

Em Portugal, o local de culto de maior destaque e imponência é, sem dúvida, o Santuário de Nossa dos Remédios, em Lamego. Eis a sua breve história:

…”No local onde foi erigida a capela–mor de Nossa Senhora dos Remédios existia uma pequena ermida, mandada construir pelo bispo D. Durando, em 1361, dedicada a Santo Estêvão.

Em 1568, o bispo de Lamego D. Manuel de Noronha autorizou a demolição da velha ermida e, no local onde actualmente se situa o Pátio dos Reis, mandou erguer outra sob invocação de Nossa Senhora dos Remédios. Esta capela acabou por ser também demolida para se erguer o actual Santuário, cuja primeira pedra foi assente em 1750, por iniciativa do cónego José Pinto Teixeira.

O edifício do Santuário é uma construção em estilo barroco toda trabalhada em granito, deslumbrando pela elegância do estilo, imposta pela criatividade do autor do projecto que se acredita ter sido Nicolau Nasoni. A talha é setecentista. O retábulo da capela-mor atrai pelo seu emolduramento, constituindo um quadro original dentro dos entalhamentos portugueses, no centro do qual se encontra a Imagem de Nossa Senhora dos Remédios”…(3)

A Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, em Montalvão fica a escassos 4 km da vila, podendo o percurso fazer-se a pé, como fazem muitos peregrinos, da freguesia e de fora dela, inclusive da vizinha Espanha-Cedillo e outros forasteiros, que devotamente a ela se deslocam para cumprirem as suas promessas, por melhor saúde e por melhores vidas.

A Festa religiosa é ali realizada invariavelmente no dia 8 de Setembro. 

 

Luís Gonçalves Gomes

01 fevereiro 2016

 

(1) http://paroquiaigaracy.blogspot.pt/2013/09/historia-de-nossa-senhora-dos-remedios.html - Postado pela Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios
(2) http://rezairezairezai.blogspot.pt/2012/07/nossa-senhora-dos-remedios-ou-do-bom.html
(3) http://www.snpcultura.org/vol_santuario_Nossa_Senhora_remedios_lamego.html

Arte e Cultura Popular

..." a identidade de um povo passa também pelo inventário da sua produção artística - que vai do artesanato à arquitectura, da música à poesia, dos adágios, às lendas, da culinária ao traje. E nesta Pátria Lusíada, em cada aldeia, em cada canto onde haja povo, no domínio cultural, há tanta ideia perdida!...(1)

 

Tanto quanto a nossa memória coletiva alcança ou do que podemos vir a conhecer através dos escritos que encontramos, como é o caso de algumas publicações que mencionamos expressamente neste “sítio”, as gentes de Montalvão sempre se mostraram inteiramente disponíveis para participarem em atividades de natureza lúdico-cultural, até aos dias de hoje.

Por variadas razões, houve momentos e épocas de maior ou menor pujança, como acontece com a maioria das coisas e das populações, nomeadamente as do interior do país, sobretudo em resultado da profunda erosão demográfica também verificada em Montalvão, impulsionada pela massiva incorporação militar e da forçosa emigração de inícios da década de sessenta, a par do inexorável envelhecimento da população.

Mas apesar dessas circunstâncias e dos hiatos verificados ao nível do desenvolvimento regular das atividades culturais, a resiliência dos montalvanenses e a sua natural apetência para as mesmas, seja como espectadores, seja como participantes ativos, sempre determinou, anos volvidos, a reedição de algumas delas, como foi o caso da Banda de Música ou do Rancho Folclórico ou, em 2015, o surgimento de uma outra modalidade e agrupamento, como é exemplo o Grupo Coral EmCanto, em atividade.     

Neste separador pretende-se evocar essas raízes e essas gloriosas manifestações de cultura popular, que marcaram e contaram com a generosa e empenhada participação dos jovens de então, que certamente vão gostar de se reverem nas fotos alusivas e recordarem os felizes tempos da juventude. É uma muito singela homenagem a todos eles, que aqui deixamos para memória futura.

Para cada uma das atividades culturais mais significativas criámos um separador próprio, o qual não pode ser exaustivo, como se compreende. Desde logo, porque o espaço e a finalidade deste meio de comunicação, não permite ou não recomenda, pelo menos, ir além de breves apontamentos, havendo outras fontes onde se poderá obter informação mais completa e desenvolvida e, por outro lado, não ter sido possível reunir maior número e com mais qualidade das fotos ilustrativas dessa época. No entanto, à medida que tal venha a ser possível, inclusive, por iniciativa e disponibilidade de quem delas disponha, não deixarão obviamente de ser publicadas, substituindo, se necessário, as que agora se publicam.

Evocaremos, também os poetas populares, os artesãos, bem como os seus trabalhos e outras atividades que vão persistindo, apesar das adversidades com que deparam.

Luís Gonçalves Gomes

01 fevereiro 2016

 

(1) in  "Terra Pousia",  livro de poemas de José António Vitorino, ed. da Comissão de Festas da Salavessa, 1984; excerto do Prefácio de “Terra Pousia”, da autoria de António Louro Carrilho-Assistente da Univ. Évora.

 

 

Figuras Populares

Muito avisadamente, o ilustre montalvanense Dr. António Cardoso Mourato - um dos que merece inteiro destaque, não só pelos testemunhos materiais que nos deixa da sua dedicação a Montalvão, como pelo exemplo que é para todos nós, atendendo ao seu percurso de vida – no livro que coordenou, aqui recorrentemente citado e objeto de publicação no separador respetivo (1), no Capítulo “Alguns casos de Montalvanenses dignos de registo”, página 145, prevenia que “É este um tema um pouco polémico e muito discutível. Quem merece ser aqui mencionado?...”que ninguém fique ofendido com a simples enumeração de alguns casos, ou com a ausência de outros, não incluídos aqui”….

A recordação que fazemos nos separadores específicos em “Arte e Cultura Popular” dos nomes dos diferentes protagonistas, é, em si mesmo, uma evocação das suas pessoas, pelo que fizeram no passado, e, por consequência, uma merecida homenagem, muito singela, é certo, mas justa lembrança.

De entre tais pessoas, e neste capítulo da arte e da cultura popular montalvanense, há, no entanto, uma personalidade que se destaca das demais, por múltiplas e variadas razões e que nos parece, objetivamente, ser credora da consideração e simpatia da generalidade dos seus conterrâneos e, muito particularmente, dos muitos jovens de outrora que com ele conviveram, com ele aprenderam, conheceram novas artes e gentes e outras terras.

Chegados aqui, torna-se fácil concluir que se trata do Senhor António José Belo, personalidade multifacetada, do qual a arte e a cultura popular de Montalvão tanto beneficiaram, ao longo de vários anos. De acordo com aquele livro (p. 127) (1), já em 5 junho 1944, no âmbito da “Exposição das Actividades Corporativas do Distrito de Portalegre”, a condigna representação da Casa do Povo de Montalvão, constituída por rapazes e raparigas, foi dirigida por António José Belo.

A sua ação polivalente, empreendedora e competente, encontra-se ainda muito presente na memória de muitos que com ele conviveram mais de perto, em termos sociais ou fruto da sua ação cultural, expressando-se essa ação no Grupo Cénico, no Rancho Folclórico, no artesanato, na poesia popular ou em várias outras das suas facetas. É raro, encontrar uma pessoa que congregue tantas vocações …”sem nunca ter ido à Escola”…, como rimou numa das suas múltiplas quadras.

Em termos pessoais e de vida familiar, foi outro exemplo para todos nós, de simplicidade, de dignidade e de labuta, tal como, aliás, em relação à cidadania, dado ter desempenhado durante vários anos, cumulativamente, os cargos de Presidente da Casa do Povo de Montalvão e de Secretário do Conselho Fiscal da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão, nomeadamente nos mandatos compreendidos entre 1983 e 1992.

Muito haveria para dizer, sobretudo por quem o conheceu na intimidade, como foi o caso, mais uma vez, do Dr. António Cardoso Mourato, a quem se deve a “Apresentação deste Livro e do seu Autor” , in “O Meu Livro” de António José Belo, p. 11, onde é feita uma descrição mais intimista e sentida desta figura ímpar da nossa cultura local.

Aqui, preferimos que seja o próprio a dar-se a conhecer, pela forma lapidar como o fez, conforme se verá seguidamente:

I

Mil novecentos e doze,

Data em que eu nasci,

Foi para mim tão famoso

Ano que eu nunca esqueci.

II

Eu aprendi estas letras

Sem nunca ter ido à Escola,

Sem ter lápis nem canetas,

Sem ter livros nem sacola.

III

Em breves explicações

Eu aprendi o que sei.

Se tivesse ido mais longe,

Não ficava onde fiquei.(2)

Ou, finalmente,

Fui poeta e romancista

Fui artesão, fui pintor

Alguns tempos fui fadista

Também fui trabalhador.(2)

 

António José Belo e esposa Maria do Rosário Catarino (3)

 

No que respeita ao Grupo Cénico ou Grupo de Teatro de Montalvão, bem como ao Rancho Folclórico de Montalvão, designadamente a partir da década de sessenta, é forçoso evocarmos a figura do Pároco de então, Padre José António dos Santos, igualmente referenciado por António Cardoso Mourato no livro a que já aludimos(1). As fotos que apresentamos em “Memórias de Antigamente” neste "sítio" ou mais especificamente sobre aqueles agrupamentos, são bem o testemunho da cumplicidade e da sólida amizade que existia entre estas duas personalidades marcantes da vida social e cultural de Montalvão.

Noutra perspetiva, o igualmente saudoso Pe. José António, como o conhecíamos, foi muito importante e determinante até para a vida de muitos jovens montalvanenses, dado que a parceria que formou com os Professores Louro e António Pires Lopes, proporcionaram a muitos as condições básicas para singrarem na vida estudantil e profissional. Efetivamente, ao lhes proporcionarem que obtivessem em Montalvão o 1º ciclo do ensino liceal (assim designado na altura), catapultaram-nos para um percurso académico que, em muitos casos, culminou com a obtenção de licenciaturas em diversos domínios e carreiras profissionais bem-sucedidas.

 

Pe. José António dos Santos e António José Belo (4)

Luís Gonçalves Gomes

01 fevereiro 2016

(1) MOURATO, António Cardoso, "Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa; 1980
(2) BELO, António José, O Meu Livro, edição do Autor; 1988; pp. 7 e 9, respetivamente.
(3) Fotos originais gentilmente cedidas pelo Senhor Coronel José Maria Belo, filho do casal.
(4) Idem.

Tradições Religiosas (1)  

Montalvão foi uma terra de grande religiosidade e, em certa medida, ainda é, bastando, para comprovar isso, termos presente o generalizado fervor dedicado a Nossa Senhora dos Remédios.

Uma tentativa para explicar tal religiosidade e fé, poderá radicar na circunstância de Montalvão ter sido muito influenciada pela presença e pela doutrinação das Ordens Religiosas que nela se instalaram durante séculos. Como é sabido, Montalvão recebeu a Comenda da Ordem de Cristo (como referido noutro separador) e antes desta, foi Comenda Templária, com a particularidade relevantíssima, de o último Mestre da Ordem do Templo em Portugal – D. Frei Vasco Fernandes, ter sido Comendador de Montalvão, em cuja Igreja Matriz terá sido sepultado, a seu pedido.

Tudo isto, a par da forte religiosidade e da sujeição do poder temporal ao papal, tão presentes na Idade Média, a que todos os reinos e as suas localidades mais recônditas, tal qual Montalvão, não poderiam ficar imunes.

Como consequência de tal inquebrantável fé dos montalvanenses de antanho,  para além da construção da Igreja Matriz - concluída em 1568 e provavelmente erigida no mesmo local onde terá existido outra mais remota, datando dos séculos XIII ou XIV - foram edificadas várias capelas em honra dos diferentes Santos que despertaram a devoção dos locais (v. "Capelas"  neste "sítio).

Quanto a tradições religiosas, merece naturalmente destaque e não apenas por ser a única com caráter regular, mas pelo fervor do povo local e forasteiro, a celebração religiosa anual em honra de Nossa Senhora dos Remédios, realizada em 8 de setembro na própria ermida, situada a cerca de 4 km da vila de Montalvão. Complementarmente, realizam-se as festas populares de cariz laico, nos dias imediatamente antecedentes ou posteriores, consoante incluam ou não fins-de semana, organizadas por uma Comissão de Festas e apresentando, em regra, um aliciante programa de entretenimento, com destaque para as célebres e bem antigas "touradas à vara larga".

Também em honra de S. Silvestre, cuja capela se encontra localizada num território de Montalvão, confinante com a Freguesia de Póvoa e Meadas, se realiza anualmente na mesma uma cerimónia religiosa, outrora mais relevante. Em boa hora, porém, no sentido de recuperarem e consolidarem esta tradição, acordaram as duas Freguesias, conjuntamente com a Fábrica da Igreja Paroquial de Montalvão e a colaboração do Grupo Coral EmCanto de Montalvão, organizar em 2015, uma "Romaria de S. Silvestre", de que se publica neste "sítio" o cartaz respetivo (v. "Início"). Consultar igualmente neste "sítio" o texto alusivo à figura de S. Silvestre ou melhor do Papa Silvestre I.     

A capela de Santo André (v. "Nota" neste "sítio" em "Capelas"), situada num dos extremos do perímetro construído de Montalvão, no subúrbio com o mesmo nome, ainda se encontra em razoável estado de conservação exterior, mas não está aberta ao culto. Pertenceu outrora à Irmandade da Misericórdia e nela …”se fazia a Festa num domingo de Agosto, com música, arraial e fogo de artifício”… (1)

Se os existentes edifícios de culto religioso ou testemunhos materiais não bastassem para evidenciar tamanha religiosidade, teríamos em reforço disso o culto das várias Irmandades que, com os seus guiões e escapulários ou opas de diferentes matizes, enchiam de colorido as regulares cerimónias religiosas e outras formas de expressão religiosa em que participavam. Mas mais importante do que essa representação polícroma, eram os rituais e incumbências de que estavam investidas, cuja descrição, porém, não cabe aqui fazer, e que se encontram bem desenvolvidas na publicação referida em rodapé (1), bem como no separador “Publicações”, neste “sítio”.

Como curiosidade, registe-se o facto de a extinção destas Irmandades ter ocorrido praticamente no final da primeira década de 1900 (entre 1905 e 1910), no dealbar do século vinte e do estertor da monarquia. A instabilidade e a contestação social e política então vividas, com o fervor republicano e o laicismo a tomarem conta das opções vigentes à época, contribuíram certamente para tal desaparecimento. Questão interessante, sem dúvida, para maior aprofundamento, mas que não cabe aqui efetuar.

Registe-se apenas que em Montalvão, com exceção da Irmandade da Misericórdia - a única sobrevivente de um total de seis Irmandades, outrora existentes -, foram extintas as seguintes: 

Irmandade da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco; Irmandade do Santíssimo Sacramento; Irmandade de Nossa Senhora das Mercês; Irmandade de S. Marcos; Irmandade das Almas e, finalmente.(1)

Também em relação a Nossa Senhora dos Remédios chegou a existir uma Irmandade em sua honra, como seria natural, cabendo-lhe organizar e custear a respetiva festividade anual. No entanto, esta Irmandade foi extinta, passando tal incumbência a pertencer a sucessivas comissões de festeiros. Desde há vários anos, a organização da festa laica e das cerimónias religiosas são distintas, cabendo a organização destas últimas a uma Comissão específica, de Nossa Senhora dos Remédios, em cooperação com a Igreja Paroquial de Montalvão e respetivo pároco.

(1) BARATA, José Pedro Martins, Tradições Religiosas em Montalvão e Póvoa e Meadas; Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia. Separata da revista Ethnos

Artesãos

Socorrendo-nos, uma vez mais, do livro coordenado pelo nosso dedicado conterrâneo António Cardoso Mourato, também em relação ao artesanato …”este cantinho de Portugal é, neste aspecto, uma mina inesgotável de surpresas agradáveis e interessantes. Aqui encontramos a arte popular mais genuína que apesar das influências vindas de Espanha e da Beira Baixa, não deixam de transmitir nas suas obras os aspectos pessoais, vincadamente individuais”…(1)

Nesta obra é expressamente citado o senhor António dos Reis Gonçalves, na altura com 76 anos, conhecido à boa maneira alentejana pela alcunha de António Manchado ou, mais prosaicamente, por “Ti Manchado”, de quem se apresenta foto, junto a alguns dos seus trabalhos, quiçá não os mais significativos.

Mas, além deste, não se dispondo de informações sobre se antes dele outros houve, mais existem, merecedores da maior menção, que dignificaram ou continuam a dignificar esta genuína tradição popular montalvanense. Eis os seus nomes, tanto quanto possível por ordem de idades:

-António José Belo, a figura popular mais proeminente, pelas suas múltiplas vocações e valências, conforme procurámos dar a conhecer neste “sítio”, em “Figuras Populares” . As fotos que sobre ele publicamos dão-nos uma pequena imagem dos diversos trabalhos em que materializou a sua veia de artista multíplice.

- João Manuel Gordo da Graça – artesão no sentido tradicional do termo, usando preferencialmente a cortiça, mas não exclusivamente, sendo igualmente exímio na técnica de bordado de arraiolos, como as imagens a esse respeito comprovam.  

- José Miguéns: os seus interessantes trabalhos artesanais, refletem a paixão que nutre pela apicultura, que, aliás, ainda pratica. As fotos dos seus trabalhos são bem a evidência dessa paixão, que a sua sensível habilidade de artesão bem traduziu nas peças que tem produzido.

- João da Costa – o mais novo, mas igualmente exímio nesta arte tradicional de trabalhar a madeira e sobretudo a cortiça, a matéria-prima por excelência destes artistas norte-alentejanos. Para memória futura, ilustramos também a excelência dos seus trabalhos.

- João Roberto Morujo - uma agradável descoberta recente, suscitada pela criação deste espaço destinado aos artesãos montalvanenses. Terminada a sua atividade profissional normal, este nosso conterrâneo deu azos à sua criatividade latente através de minuciosos trabalhos em madeira, que desejamos possa progredir e aumentar. 

Desconhecemos se existem outros conterrâneos que de forma mais ou menos intimista praticam a rara arte de trabalhar a matéria informe e dela extrair as peças que apreciamos, algo extasiados. Como não podia deixar de ser, este “sítio”  também lhes pertence, caso pretendam divulgar por este meio os seus trabalhos, bastando para tal que o comuniquem à Junta de Freguesia de Montalvão, sendo então esclarecidos sobre a forma de o fazerem.

Luís Gonçalves Gomes

03 fevereiro 2016

 

(1) MOURATO, António Cardoso," Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa", pp. 127 e 136 

Poetas Populares

“A cultura popular é a mais simples, a mais pura, a mais verdadeira, porque nasce de uma relação espontânea do homem com a natureza, a vida e a sociedade. Não está contaminada pela vontade dos barões da crítica, não é forjada segundo o estilo das bigornas dos catedráticos, não se passeia pelos salões das academias”… (1)

 

Não será exagero afirmar-se que a poesia popular portuguesa e os seus poetas populares são transversais a todo o território nacional e insular. Outros países poderão, certamente, dizer o mesmo.

No caso português, desde o Minho ao Algarve, aos Açores e á Madeira todos conhecemos os respetivos cancioneiros tradicionais, fruto do génio e da veia criativa do nosso povo, tanto na poesia, como na música que muitas vezes a serve. É uma riqueza extraordinária, esta! 

O universo alentejano (Alto e Baixo) é disso um paradigma, sem desmerecimento para os restantes territórios nacionais, sendo motivo de orgulho nacional a recente classificação do Cante Alentejano como Património Imaterial da Humanidade, como é do conhecimento de todos, cujas raízes são a poesia popular inspirada na vivência diversificada dos seus autores.

Mas tal só foi possível porque houve pessoas que escreveram as letras, as musicaram e as interpretaram ao longo dos tempos. Mesmo longe dos holofotes da notoriedade e quando o Cante não passava de entretenimento e mitigação dos árduos trabalhos da lavoura ou, no final dos mesmos, ao balcão das tabernas, foi graças à abnegação e á persistência dessa gente simples, mas sábia, sem ter de ser erudita, que esta agora tão aclamada arte popular chegou até aos nossos dias e mereceu o reconhecimento mundial.

O Cante é originário e típico do Baixo Alentejo, como é sabido, não sendo, porém, a sua essência diferente de outros cantos tradicionais, nomeadamente do nosso Alto Alentejo ou, mais especificamente ainda, do norte alentejano onde nos situamos, na medida em que todos eles nos transmitem a inspiração genuína e a arguta observação dos poetas populares, bastas vezes como crítica social e dos costumes ou retratando a terra e a paisagem e o mais que a carateriza e compõe: os campos, as árvores, as aves, os rios, etc.

Foi e é assim também com os poetas populares de Montalvão e de Salavessa, cujos nomes (dos que conhecemos, bem entendido) aqui deixamos registados, associando a cada um deles um dos vários poemas selecionados, homenageando-os assim, com a esperança de um dia ser possível publicar uma coletânea com os poemas reunidos de todos eles, com pública homenagem.

Este espaço, como todos os outros, aliás, deste “sítio”, fica naturalmente aberto à participação e divulgação de algum outro que por falta de informação aqui não esteja contemplado. Eis para já os seguintes:

Poetas de Montalvão – falecidos:

 António Branco – …”o mais fecundo poeta montalvanense”… (2)

António José Belo- destacado neste “sítio” por outras múltiplas facetas (3)

João Póquito (4)

José Maria Morujo (“Velhinho”) (5)

Júlio Baptista Morujo (Júlio “Ribeira”) (6)

 

Poetas Vivos de Montalvão

António da Graça Henriques (7)

José da Graça de Matos (8)

 

 Poetas de Salavessa:

João Gordo do Rosário Correia (9)

José António Vitorino (“Ti Zé Santo”) (10)

Manuel dos Santos Tavares (11)

 

(1) VITORINO, José António, “Terra Pousia” livro de poemas do próprio; organização e prefácio de António Louro Carrilho; Ed. Comissão de Festas da Salavessa, 1984 e “Salavessa, Um contributo para a sua história”, Luís Mário Correia Bento; ed. de Autor; p. 133.
(2) MOURATO, AntónioCardoso, "Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia deste Concelho de Nisa"; Ed. Comissão Conservadora das Obras da Ermida de Nossa Senhora dos Remédios de Montalvão; 1980; pp.137 e 138.
(3) Id. p. 138; António José Belo publicou “O Meu Livro”, 1988: poemas e diversos.
(4) Ibidem; pp. 98 e 99
(5) Ib. pp. 99 e 100
(6) Idem; p. 64
(7) Poemas compilados pelo próprio (policópias) - coleções nº 1, 2 e 3
(8) in “Montalvão, Recordar o Passado”; poemas compilados pelo próprio (policópias);
(9) VITORINO, José António, “Terra Pousia” livro de poemas do próprio; organização e prefácio de António Louro Carrilho; ed. Comissão de Festas da Salavessa, 1984 e “Salavessa, Um contributo para a sua história”, Luís Mário Correia Bento; ed. de Autor; p. 133.
(10) Id. p. 143 a 150

Poetas Populares – António Branco

Segundo a opinião insuspeita do Dr. António Cardoso Mourato trata-se de …”um dos poetas mais fecundos da nossa região”…e …”o mais fecundo poeta montalvanense”…(1) , cuja obra completa seria importante reunir, se acaso alguém dela dispuser, eventualmente os seus familiares.

Enquanto tal não for possível resta-nos a publicação de alguns dos seus poemas e quadras, algumas das quais deram origem a canções populares de Montalvão, por vezes, ainda hoje em dia cantadas.

Do que se encontra publicado no livro abaixo referenciado, respigamos a seguinte, por, no nosso ponto de vista, manter inteira atualidade:

                                                                                                  Mote

              Trata bem este velhinho,

              Quem tanto por ti passou.

              É teu pai, teu amiguinho.

              Bem sabes quem te criou.

                                                                                                Glosas

         Quanto ele te desejava

         De ver-te bem amparado.

         Para hoje se ver desprezado,

         De um filho que tanto amava.

         À noite a casa chegava,

         Do trabalho, raladinho,

         Dava beijos ao filhinho.

         Sendo ele muito amigo.

         E para que Deus te não dê o castigo,

         Trata bem este velhinho.

 

         Todo o pai que filhos tem,

         Sempre neles anda a pensar,

          Para ver se os pode deixar

          Neste mundo a viver bem.

          Repara, considera bem,

          Como teu pai te estimou.

          Enquanto te não criou,

          Tratou-te com amor santo…

          Mas tu, que não és constante,

          Por quem tanto por ti passou.

 

          Algum dia podes ter,

          Quem te faça tanto ou mais.

          A mesma paga que dás,

          Ainda a podes receber.

          Depois é que hás-de querer

          Ter dos teus algum carinho.

          Se eles vão pelo caminho,

          Que tu em tempo tiveste,

          Aqui pagas o que fizeste,

          A teu pai, teu amiguinho.

 

          Trata bem do coração,

          Que é um dever que nós temos,

          Pagar bem a quem devemos,

          É esta a nossa criação.

          É uma bonita acção

          Tratar bem quem nos criou,

          A quem tanta vez deixou

          De comer, para te dar…

          Nunca o deves desprezar.

          Bem sabes quem te criou.

 

Luís Gonçalves Gomes

03 fevereiro 2016

 

(1) MOURATO, António Cardoso, "Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa"; pgs. 137 e 138.

Poetas Populares – António José Belo

Como sobejamente referido neste “sítio”, António José Belo, não se limitou a ser poeta popular, o que só por si já seria bastante, porque a sua personalidade irrequieta e multifacetada impulsionou-o para o exercício de outras artes e funções na sua querida Montalvão.

Aqui trata-se apenas de recordar esta sua faceta de vate, através de um poema que traduz de uma maneira magistral a forma como a urbe montalvanense se distribui sobre a elevação que poderá (segundo alguns) estar na origem do seu topónimo.

Pelo que representa e transmite, o Grupo Coral EmCanto, incluiu-o no seu reportório para completar a trilogia que dedica a Montalvão, conjuntamente com as letras “Orgulho de Montalvão” e “Ruas de Montalvão”, sem prejuízo de outras letras e músicas populares locais que, sucessivamente, serão integradas em tal reportório, como forma de as manter bem vivas na nossa memória coletiva.

 

Eis o poema (1):

I

Montalvão tem o formato

De um avião de carreira

No castelo vai o piloto

Quase a chegar à fronteira

 II

Com as asas bem formadas

Das Almas ao S. João

A Corredoura é a cauda

O Outeiro o coração

III

Bernardino e Santo André

São as bóias de apoiar

Porque este avião é

Dos que apoisa no mar

IV

Este conjunto de ruas

Faz esta transformação

Ruas Direitas e do Cabo

O cimo do avião

V

Quem conhecer Montalvão

Verá que isto é verdade

A forma de um avião

Mesmo quando está parado

 

Luís Gonçalves Gomes

03 fevereiro 2016

 

(1) in “O Meu Livro”, de António José Belo, ed. de Autor, 1988; pgs 73 e 74

 

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