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Capelas
A fé e a religiosidade do povo montalvanense manifestaram-se por diferentes formas, com maior evidência para o culto dedicado a diversas santidades, cujas imagens se encontravam ou encontram ainda nos altares da Igreja Matriz ou nas várias capelas construídas para esse efeito.
Assim, foram dedicadas capelas aos Santos devotados, que adotaram o nome respetivo, como se indica: as que ainda existem - Ermida de Nossa Senhora dos Remédios (com celebração anual e peregrinação em 8 setembro; v. "Ermida de Nossa Senhora dos Remédios" neste "sítio"); S. Pedro (aberta ao culto, embora em ocasiões muito especiais); Espírito Santo (encontra-se desativada); São Silvestre, ostentando no centro da abóboda uma cruz templária (aberta ao culto, nomeadamente no dia da romaria - primeiro domingo após a Páscoa - e consequente evocação deste Santo Papa - Silvestre I, v. apontamento específico, in "Tradições Religiosas", neste "sítio") e Santo André (v. Nota, infra).
A capela de Santo André, situada no subúrbio de Montalvão com o mesmo nome, ainda se encontra em razoável estado de conservação exterior, mas não está aberta ao culto. Pertenceu outrora à Irmandade da Misericórdia e nela …”se fazia a Festa num domingo de Agosto, com música, arraial e fogo de artifício”… (1)
Em zonas limítrofes da freguesia, encontram-se as seguintes ermidas: Nossa Senhora dos Remédios (com celebração anual e peregrinação em 8 setembro) e S. Silvestre (ostentando no centro da abóbada uma cruz templária), ao passo que as restantes se localizam na malha urbana.
Todas as capelas e ermida pertencem atualmente à Diocese de Portalegre - Castelo Branco e, no caso em apreço, à Fábrica da Igreja Paroquial de Montalvão.
Dentro ainda do perímetro existe também a Igreja da Misericórdia, esta sob a égide e tutela da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão.
Para além daquelas capelas e ermida, recordam-se ainda as já extintas e, quiçá, fisicamente desaparecidas: de Santa Margarida (ruínas ainda visíveis), do Mártir Santo (há muitos anos integrada em propriedade com habitação particular), da Madalena (a que se deve o topónimo de Sítio da Madalena), de S. Marcos (outrora localizada junto às muralhas da vila – sem vestígios conhecidos), de Santo António (sem qualquer evidência, em local indeterminado) e a de São João (eventualmente localizada onde existe há muitos anos uma residência particular, na rua de São João, antes do Arrabalde). (2)
Luís Gonçalves Gomes
12 janeiro 2016
Revisto em 14 maio 2020
(1) BARATA, José Pedro Martins, Tradições Religiosas em Montalvão e Póvoa e Meadas; Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia. Separata da revista Ethnos;
(2) Memória popular.
D. frei Vasco Fernandes, o último Mestre Templário
D. frei Vasco Fernandes foi o 28º e último Mestre da Ordem do Templo ou Templária (entre 1293 e 1311 ou 1314), em Portugal, quiçá na Europa e Comendador de Montalvão. Faleceu em 1323.
Vamos aos detalhes:
- Como é sabido, os monges-guerreiros da Ordem do Templo, assim auto - designados, por defenderem o Templo em Jerusalém, contra as hordas de infiéis, no âmbito das Cruzadas, vieram para os territórios da atual Península Ibérica em auxílio dos monarcas católicos que desencadearam a Reconquista Cristã e por aqui foram ficando. Desenvolveram importante ação tanto na defesa e consolidação dos territórios reconquistados aos árabes, como no respetivo povoamento, organização e desenvolvimento económico e social, ao longo de, praticamente, três séculos. Os vastos territórios que lhes foram doados pelos nossos reis, não só como recompensa pelo auxílio prestado, mas, sobretudo, com aquelas finalidades, permitiram-lhes tornar-se um Estado dento do próprio Estado, com todas as vantagens (para eles próprios) e inconvenientes (pelos ódios e invejas suscitadas) que disso decorreram.
Como seria inevitável, a conjuntura acabou por se tornar hostil aos membros da Ordem, em Portugal, como na Europa, designadamente em França, onde os bens dos Templários suscitavam igual ou maior cobiça por parte da nobreza, sedenta de iguais privilégios de poder e riqueza, inclusive por parte do próprio Rei Filipe IV, que então ali governava, agravando desse modo as relações com a Igreja, em sentido lato.
Por morte do Papa Bento XI, o francês Bertrand de Got foi eleito Papa em 1305, tendo adotado o nome de Clemente (V). Como é evidente, as relações entre aquele monarca francês e o papado melhoraram substancialmente, tornando-se, desse modo, mais proveitosas para ambas as partes.
Muito antes, porém, já tinham findado em Portugal (1287) as desavenças entre a Ordem do Templo sediada em Portugal e a Diocese da Guarda, em resultado da subida ao trono de D. Diniz (1279), bem como das alterações verificadas naquela diocese com a nomeação de um novo Bispo (D. Frei João Martins) e de um novo Mestre da Ordem (D. Frei João Fernandes). Em consequência disso, a Ordem perdeu a jurisdição de Montalvão e de Nisa, que transitaram para a posse daquela Diocese.
O golpe fatal dado à Ordem Templária ocorreu em finais de 1307. O já mencionado Filipe IV, com a cumplicidade do Papa francês Clemente V, eleito dois anos antes, mandou prender centenas de Templários, neles se incluindo o próprio Grão-mestre Jacques de Molay, acusando-os de heresia (veja-se, a propósito, o apontamento neste “sítio” sobre a "Inquisição"), sendo brutalmente torturados pelos inquisidores.
Naquela altura, o Mestre da Ordem do Templo em Portugal era D. Frei Vasco Fernandes, igualmente Comendador de Montalvão, como mencionado antes.
Com a prisão de Jacques de Molay e a morte de muitos dos seus membros, a estrutura da rica e poderosa Ordem do Templo, e por isso invejada e temida, ficou irreparavelmente abalada e destruída, acabando por ser extinta em 1312, mediante decreto promulgado pelo Papa Clemente V, confirmando assim o que tais perseguições há muito prenunciavam. Como seria de esperar, os bens materiais da Ordem, após confisco, foram repartidos entre o Papado e a Coroa francesa, enquanto o Grão-mestre continuava nas masmorras da Inquisição.
Em 1314, o Grão-mestre Jacques de Molay seria condenado e queimado vivo, como aconteceu a tantos outros.
No mesmo ano, a Ordem Templária em Portugal foi abolida, mas em sua substituição o Rei D. Diniz, dois anos depois da extinção (1316), fundou a Ordem de Cristo.
Naquele interim, ou seja, entre a extinção da Ordem de que era Mestre e a criação da de Avis, D. Frei Vasco Fernandes permaneceu em Montalvão, onde se sentia a salvo da ira Papal, debaixo da proteção do seu Rei D. Diniz. Foi naquela sua Comenda que viveu até ao resto dos seus dias e onde morreu em 1323.
A seu pedido, terá ficado sepultado na Igreja Matriz de Montalvão, junto ao altar-mor, muito embora não existam registos fidedignos e incontroversos a este respeito. É, no entanto, que carece de estudo aprofundado, como, aliás, está a ser feito.
Montalvão teve muitos outros Comendadores, antes e depois de D. Vasco Fernandes, mas o que torna este merecedor de maior destaque, é a circunstância de ter sido o último Mestre da Ordem do Templo em Portugal e, dado ter sobrevivido a Jacques de Molay, o Grão-mestre da Ordem Templária, ter sido, por consequência, o último também a nível europeu. Só por tais factos, seria para todo o sempre um mui ilustre montalvanense, a que acresce a vontade expressa em ficar sepultado na sua Montalvão, em detrimento de um outro local de maior destaque, junto dos seus pares, mais reforçando a sua condição de genuíno montalvanense, de que todos nos devemos orgulhar.
Luís Gonçalves Gomes
12 janeiro 2016; revisto em 12 outubro 2016
Bibliografia:
(1) CAPÊLO, José Manuel, Portugal Templário- A presença Templária em Portugal, Relação e sucessão dos seus Mestres (1124 - 1314); Ed. Zéfiro, 1ª edição maio 2008; 2ª edição setembro 2015.
(2) BENTO, Luís Mário, O Anel de Lázaro-Romance histórico sobre as vilas de Nisa e Montalvão; Ed. Colibri;
(3) ROSA, Jorge, Montalvão-Ecos duma História Milenar; Ed. Colibri/Câmara Municipal de Nisa
Imagem de Santa Maria Madalena, da Igreja Matriz de Montalvão
- Relevância dos seus atributos –
1. A relevância de Maria de Magdala na vida de Jesus
Contextualizando, Maria Madalena[1], uma das discípulas e mais fiel seguidora de Jesus Cristo, senão mesmo a sua eleita, que exerceu o seu ministério apostólico, sendo nomeada pela tradição "Apóstola apostolorum", por ter levado a boa nova pascal aos apóstolos da ressurreição de Jesus, também por isso apelidada por São Tomás de Aquino[2] como a “Apóstola dos Apóstolos”. Seguia Jesus por todo o lado, como se infere do relato, no capítulo 8 do Evangelho segundo São Lucas (8:2-3): “Jesus ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a boa-nova do Reino de Deus e os doze iam com ele, assim como algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios;[3]…”. Tal cura, ainda no mesmo Evangelho, está igualmente relatada (cap. 7; 7:47) (Jesus, referindo-se a Maria Madalena, respondendo ao fariseu Simão, que lhe ofereceu de comer em sua casa proferiu: “Por isso, digo-te que estão perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou”…, (dizendo de seguida à mulher): ”Os teus pecados estão perdoados”, e de seguida: “A tua fé te salvou. Vai em paz”.[4]
Maria Madalena foi, sem dúvida, uma personalidade muito marcante na vida de Jesus Cristo, na medida em que todos os quatro Evangelhos (segundo Mateus, Marcos, Lucas e João) do Novo Testamento a referem, de forma indireta ou implícita, associando-a a vários episódios que presenciou ou de que foi protagonista, com destaque para os momentos mais dramáticos da vida do Messias: crucificação e descida da cruz, assistindo ao pés desta, junto a Maria, Mãe de Jesus e a São João, bem como a outras mulheres seguidores de Cristo. Daqui se pode inferir que igualmente presenciou o momento do julgamento e a sequente Via Sacra, até ao Calvário no Monte Gólgota, a deposição do corpo no sepulcro, por José de Arimateia, o qual já ajudara na descida da cruz do corpo do Messias. Foi igualmente ela (Madalena), que dias depois, deparou com a tampa do sepulcro removida, avisando de seguida outros discípulos, Pedro e João, os quais, incrédulos, confirmaram depois o desaparecimento do corpo; e, a culminar, a primeira a ver Jesus, após a ressurreição e a anunciá-la aos discípulos.
Infelizmente, a relevância de Maria Madalena foi negativamente influenciada durante séculos, devido à incorreta interpretação que o Papa São Gregório I (Magno) (590-604)[5] fez ao relato de Lucas, conforme descrito inicialmente, ie, que Maria Madalena seria a portadora de …”sete demónios”, a “pecadora”, no dizer do fariseu Simão, já antes referido e que perdurou, como mencionado antes, durante séculos.
Contribuindo decisivamente para a “reabilitação” e reconhecimento da importância que Maria Madalena tem na historiografia e liturgia do cristianismo católico, por desejo e determinação do atual Papa Francisco, a partir de 2016, foi dedicado a Santa Maria Madalena o dia 22 de julho, para festa de celebração e invocação da sua memória litúrgica.
2- A representação iconográfica de Maria Madalena
O estigma multisecular que pairou sobre a fiel seguidora de Cristo, manifestou-se, inclusive, ao nível da sua representação iconográfica, em resultado das deliberações gerais sobre esta matéria, tomadas no âmbito do Concílio de Trento[6]. Efetivamente, as imagens representativas de Maria Madalena, seja na arte pintada, seja na esculpida, tornaram-se consentâneas com os zelosos e férreos ditames saídos do concílio, não só em relação àquelas representações, como a várias outras matérias de natureza religiosa. Destas destaca-se a criação, pelo Papa Paulo III (1534-1549), da Inquisição Romana, mais conhecida por Santo Ofício, tristemente célebre.
De um modo geral, Santa Maria Madalena aparece mais comumente representada com o atributo do pote dos óleos, com que terá ungido Jesus Cristo[7]. Não é esse, porém, que é mostrado na imagem existente em Montalvão, como se verá seguidamente.
3. A relevância da imagem existente na Igreja Matriz de Montalvão
Conforme mostrado na imagem abaixo, o principal atributo da imagem de Santa Maria Madalena existente na Igreja Matriz de Montalvão, é o livro de Evangelhos, exibido na mão esquerda, queevidencia a sua condição de “Discípula do Senhor” ou de “Apóstola dos Apóstolos”, segundo a já mencionada denominação por São Tomás de Aquino.
Trata-se, de facto, de uma raridade, apenas com paralelo, ainda assim com diferenças, com a escultura em pedra, eventualmente quinhentista e de autor anónimo da oficina de Coimbra, existente nesta cidade, no museu Machado de Castro.
Quanto às diferenças, não relevando para este efeito o facto de uma ser pétrea e a outra em madeira policromada, a diferença mais assinalável em termos de atributos, corresponde à exibição do livro de Evangelhos, como já referido. Enquanto na imagem de Montalvão é ostentado na mão esquerda, na de Coimbra é na oposta, provavelmente não sendo de atribuir a isso significado de maior, pois o principal detalhe é a apresentação do livro em si mesmo, em detrimento do pote de perfume. Esse sim, é um detalhe de grande significado quanto ao reconhecimento da importância da Santa assim representada.
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| Igreja Matriz de Montalvão | Museu Machado de Castro (Coimbra) |
Por outro lado, talvez também sem grande significância, para além das opções estéticas ou da importância atribuída ao facto pelo artista ou da oficina a que este pertenceria, é o detalhe de uma se apresentar com parte da cabeça descoberta e cabelos longos caídos (a de Montalvão) e a outra totalmente coberta pelo manto.
Relevante, em termos, eventualmente, de datação da escultura, as vestes da imagem de Montalvão são rematadas na zona do pescoço, com mais visibilidade, e nos punhos, com uma gola ou rufo encanudado ao estilo da época renascentista (séc. XV e XVI).
Como paralelismo entre as duas imagens, saliente-se o facto de ambos os cintos, serem rematados por um laço, com maior visibilidade na imagem de Montalvão.
Ainda com preocupações de datação daquela imagem e tendo presente o pormenor da gola encanudada (ou de canudo), bem como a época em que a mesma esteve em uso, é curioso estabelecer a presumível relação dos respetivos detalhes figurativos, com as mencionadas deliberações do Concílio de Trento e com a ratificação dos correspondentes decretos pelo Papa Pio IV (1559-1565), em nova sessão conciliar, que convocou em 1562, terminando no ano seguinte. Com a bula “Benedictus Deus”[8], ratificou todas as decisões e decretos resultantes dos Concílios antecedentes. O empenhamento subsequente deste Papa, era garantir que os países católicos adotassem os decretos do Concílio, determinando mudanças substanciais, sobretudo na prática e no comportamento da Igreja. Tarefa que não conseguiu concluir, por ter falecido entretanto, cabendo a mesma ao seu sucessor Paulo V (1566-1572), um frade dominicano, com longa experiência como inquisidor.
Ao contrário de outros países, Portugal, através do Cardeal D. Henrique, ele próprio Inquisidor-Mor, adotou sem hesitação as novas orientações, ratificando-as.
Deste modo, poderá especular-se sobre a eventual coincidência desta última data, com a da criação da imagem existente em Montalvão. No entanto, com maior rigor, só o restauro tecnicamente abalizado desta peça, poderá fornecer informação mais precisa e evidenciar outros pormenores figurativos eventualmente escondidos no seu estado atual.
4- Os primórdios do culto a Santa Maria Madalena, em Montalvão, e presumível relação com os monges templários que se instalaram nos seus domínios[9]
Conta-se que outrora terá existido uma capela em honra de Santa Maria Madalena, da qual apenas restarão, por dificuldade em serem removidas, algumas volumosas pedras graníticas, permitindo agora que essa memória não tenha morrido de todo.
No levantamento paroquial realizado por Frei António Nunes de Mendonça11 não é feita qualquer menção a tal edifício, muito embora outros, entretanto desaparecidos por ruína, sejam por ele referenciados. Contudo, é mencionado um altar dedicado a Santa Maria Madalena, presumivelmente existente na também desaparecida capela dedicada a São Marcos, de onde as imagens de uma e de outro, mostradas na Igreja Matriz, poderão ser originárias. Não se sabe!
Fora isso, a ter existido dessa época recuada alguma imagem de Maria da Madalena, não se conhecem, nem rasto, nem evidências de qualquer espécie.
A imagem atualmente existente na Igreja Matriz de Montalvão, embora multicentenária, é muito presumivelmente de época bem mais recente, o que não é de estranhar, já que a igreja data do final do século XII, início do XIV, tendo recebido obras de restauro na época quinhentista e barroca, assim como mais recentemente, na década de sessenta do século XX, e novos pequenos melhoramentos em 2015.
Como assinalável coincidência ou apenas fruto do mero acaso, sendo Santa Maria Madalena considerada protetora dos Templários, não deixa de ser curioso que o último Mestre da Ordem e Comendador de Montalvão, D. Frei Vasco Fernandes, na qual viveu os últimos anos de vida já após a extinção da Ordem Templária, tenha sido sepultado, segundo a crónica de frei Bernardo da Costa, no altar-mor da Igreja de Montalvão. A ter sido assim, terá ficado bem perto do local onde a imagem da sua protetora veio a repousar muitos anos mais tarde, em seu nicho, em pleno altar-mor.
Luís Gonçalves Gomes
27 outubro 2019
Revisto em 14 maio 2020
Nota: no seguimento da Exposição realizada em 2019, na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Tomar (v. informação específica à margem, neste item), foi decidido pela Comissão para o Restauro da Igreja Matriz de Montalvão, proceder à conservação e restauro da imagem de Sta Maria Madalna, de Montalvão. No item "Restauro da Imagem", igualmente na margem deste item, encontra-se publicado o relatório da intervenção.
[1] Maria, sem sobrenome, como era uso na época e na região onde nasceu e viveu, a que acresceu a designação de Magdala, ou seja, da localidade onde nasceu, na margem ocidental do Lago de Generaset, entre Tiberíades e Cafarnaúm, na Galileia. A junção ao nome da designação da terra natal era igualmente usual, na época e noutras regiões do globo, justamente para a distinguir de tantas outras com o mesmo nome, no caso Maria. Tornou-se assim universalmente conhecida como Maria Madalena, mais tarde tornada Santa, Santa Maria Madalena. Terá falecido no ano 50 d.c.
HOLBOCK, Ferdinand (Padre), "Summa Angelorum, Unidos com os anjos e os santos", Paulus Editora, 2016, pgs 97 a 102.
[2] São Tomás de Aquino ou Tommaso d’Aquino (1225-1274), frade dominicano italiano da Ordem dos Pregadores, “Doutor da Igreja”, formado nas Universidades de Paris e de Nápoles, sendo autor de obras influentes na teologia e na filosofia.
[3] LOURENÇO, Frederico, “Bíblia", Volume I, Novo Testamento, Os Quatro Evangelhos, Edição da Quetzal, 1ª edição 2016, pg. 252.
[4] Idem, pg. 251.
[5] Papa Gregório I, o “Cônsul de Deus” ou mais modestamente autodenominado “O Servo dos Servos de Deus”. Amigo dos pobres, distribuía-lhes parte do rendimento da Igreja, pago em géneros, sendo seu hábito comer com eles. Reformou e reorganizou o Missal e a liturgia, a ele se devendo a introdução e a designação do canto gregoriano. Autor de vários escritos reformadores da disciplina e da hierarquia da igreja, foi através das Homilias que produziu comentários aos Evangelhos e a livros selecionados do Antigo Testamento. Terá sido neste âmbito que interpretou o relato de S. Lucas sobre Maria Madalena.
[6]Concílio de Trento: realizado em 25 sessões, sucessivamente interrompidas por crises políticas, ao longo dos anos 1545-1548; 1551-1552; 1562-1563, contribuiu decisivamente para a renovação e revitalização do cristianismo católico, como oposição ao aparecimento e avanço do protestantismo. A convocação do primeiro Concílio, em 1545, pelo Papa Paulo III (1534-1549), foi o maior contributo deste Pontífice para a história da igreja católica, dado que muitas das deliberações reformistas e formulações doutrinais que dele resultaram, perduraram até aos anos sessenta do século (Paulo VI, 1963-1978) passado, como a estrutura do catolicismo.
Fontes bibliográficas: a) “Los Papas” , La vida de los pontíficies a lo largo de 2000 años de historia”, texto de Antonino Lopes e fotos de Gianfranco Crimi, ed. Futura Edizioni, 1997, pgs 22 e 23; título original “I Papi” traducción de PatriciaUnzain. b) “Crónicas dos Papas, O registo dos Papados, desde S. Pedro até ao presente”, de P.G. Maxwell-Stuart, Edição Verbo, 2004, pgs 48 a 51, 169, 178, 179, 181, 182, 184, 187, 188, 190, 191; título original “Chronicle of the Popes, Ed. Thames&Hudson, Londres, 1997.
[7] Lucas, 7:37-38: “E eis que certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que ele (Jesus) estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume”. Mateus, 26:6-13, relata um episódio semelhante, mas protagonizado por Maria de Betânia, estabelecendo-se com isso o equívoco entre esta mulher e Maria de Magdala ou Madalena.
[8]Benedictus Deus: bula do Papa Pio IV, em 1564, para ratificação de todos os decretos e definições do Concílio de Trento. Estabelece que os decretos resultantes deste Concílio podem ser interpretados apenas em sede pontifical e ordena a estrita obediência por todos os católicos, proibindo, sob pena de excomunhão, toda a interpretação não autorizada. Isso foi visto pelos contemporâneos da Igreja de Pio IV como uma tentativa de fortalecer a influência do papado contra a ascensão do conciliarismo, como é exemplo o próprio Concílio de Trento.
[9] BENTO, Luís Mário Bento, “O Anel de Lázaro”, Romance histórico sobre as vilas de Nisa e Montalvão”, Edições Colibri, 2015, pgs. 41, 46 e 51.
10 Na gíria montalvanense, “pé lázaro” e “madalena”, respetivamente.
11 Memórias Paroquiais, 1758; Montalvão-Portalegre, vol. 24, n.º 192, pgs. 1397 a 1402.
Para consulta sobre as comunicações relacionadas com o evento consultar as seguintes páginas de facebook:
- Associação Templ'anima
- Restauro da Igreja Matriz de Montalvão


Nossa Senhora das Graças – Padroeira de Montalvão

A vila de Montalvão e a sua Igreja Matriz estão dedicadas a Nossa Senhora das Graças, sendo, por conseguinte, a sua padroeira, orago ou patrona, como é uso dizer.
Nisa, sede do Concelho, tem igualmente como orago Nossa Senhora das Graças.
Muito embora a designação popular generalizada, nomeadamente no concelho, seja de Nossa Senhora da Graça, o correto é a expressão no plural, pelas razões depreendidas da descrição seguinte.
Também se conhecem as expressões Nossa Senhora da Medalha Milagrosae Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças.
- Aparição da Virgem Maria a Catarina de Labouré e sua revelação como Nossa Senhora das Graças
A invocação a Nossa Senhora das Graças está relacionada com as duas aparições da Virgem Maria a Santa Catarina Labouré, então uma noviça das Irmãs da Caridade em Paris, na Rua Du Bac, 140. A primeira vez em 1830, a 19 julho, como se conta: “na noite da festa de São Vicente de Paulo, na Congregação dedicada a este Santo, pregando a Madre Superioraàs noviças sobre as virtudes do seu Santo fundador, deu a cada uma um fragmento da sua sobrepeliz. Catarina orou então devotamente a São Vivente, para que ela pudesse ver com seus próprios olhos a Mãe de Deus, convencendo-se de que seria atendida naquela mesma noite.
Após ter adormecido, foi despertada por uma luz intensa e chamamento de criança, que lhe disse: "Irmã Labouré, vem à capela; Santa Maria te aguarda".
Chegando à capela ajoelhou junto ao altar, tendo então visto a Virgem Maria, rodeada por um esplendor de luz.
Aproximando-se da Virgem Mãe, colocou as mãos sobre o seu regaço, ouvindo-lhe então dizer:
"Deus deseja encarregar-te de uma missão. Encontrarás oposição, mas não temas, terás a graça de poder fazer todo o necessário. Conta tudo a teu confessor. Os tempos estão difíceis para a França e para o mundo. Vai ao pé do altar, graças serão derramadas sobre todos, grandes e pequenos, e especialmente sobre os que as buscarem. Terás a proteção de Deus e de São Vicente, e meus olhos estarão sempre sobre ti. Haverá muitas perseguições, a cruz será tratada com desprezo, será derrubada e o sangue correrá".
A segunda aparição verificou-se em 27 de novembro do mesmo ano, ao final da tarde, durante as orações vespertinas, junto a suas Irmãs de Congregação.Catarina, erguendo os olhos para o altar, viu novamente a Virgem sobre um grande globo, segurando um outro menor onde estava inscrita a palavra "França", tendo a Virgem explicado que o globo simbolizava todo o mundo, mas especialmente a França e que os tempos seriam duros para os pobres e para os refugiados das muitas guerras da época (2).
Nesta segunda visão, porém, a imagem da Virgem modificou-se, pois surgiu de braços estendidos e com alguns dedos ornados de anéis coloridos irradiando raios de luz branca, estando igualmente rodeada da frase (jaculatória) "Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós".
A Virgem Maria instruiu então a Irmã Catarina para mandar cunhar uma medalha mostrando a imagem por ela visionada no momento da aparição, para que todos os que a usarem recebam as graças que tenham rogado. Questionada por Catarina sobre os dedos sem anéis, a Virgem respondeu que era pelas graças não pedidas. Voltando-lhe as costas, mostrou-lhe ainda qual deveria ser a imagem a cunhar no verso da medalha.
Com a ajuda do confessor de Catarina e por concordância do Arcebispo, foram então mandadas cunhar duas mil medalhas,em 1832, que desde então passaram a ser conhecidas como Medalha Milagrosa (v. descrição adiante), A partir daí a devoção à mesma, com invocação à Santa Maria da Medalha Milagrosa, não cessou de aumentar.
Catarina só divulgou as aparições pouco antes da sua morte, mediante autorização da própria Mãe de Jesus, cuja descrição nos é dada pela visionária religiosa:
"...uma Senhora de mediana estatura, de rosto muito belo e formoso... Estava de pé, com um vestido de seda, cor de branco-aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu azul, que descia até os pés... As mãos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas. A Santíssima Virgem disse-me: ‘Eis o símbolo das Graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem ...’ Formou-se então, em volta de Nossa Senhora, um quadro oval, em que se liam, em letras de ouro, estas palavras: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós’. Depois disso o quadro que eu via virou-se, e eu vi no seu reverso: a letra M, tendo uma cruz na parte de cima, com um traço na base. Por baixo: os Sagrados Corações de Jesus e de Maria. O de Jesus, cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas. Ao mesmo tempo, ouvi distintamente a voz da Senhora, a dizer-me: ‘Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxeram, com devoção, hão de receber muitas graças”.
Enquanto a Virgem Maria surgia aos seus olhos sobre o globo terrestre, com raios saindo de suas mãos em direção à terra, Catarina ouviu uma voz dizer-lhe:
… "Este globo que vês representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das Graças que derramo sobre as pessoas que Me as pedem. Os raios mais espessos correspondem às Graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais finos correspondem às Graças que as pessoas não se lembram de pedir. “
A história de Nossa Senhora das Graças, porém, tem origem quando Deus - Pai, na sua suprema vontade, determinou a encarnação de Jesus, seu Filho ingénito, no seio dos Homens, como o prometido Salvador.
Para isso Jesus teria de ter uma mãe humana, mas “cheia de graça”,recaindo a escolha sobre Maria (a Virgem Maria). O Arcanjo Gabriel foi-lhe então enviado para lhe anunciar que seria a Mãe, “cheia de graça”, do Salvador Jesus.
(Lucas 1, 28: “E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.”)
Após Maria ter dado o “sim” a Deus, através daquele Anjo, tornou-se portadora da maior de todas as graças que a humanidade poderia receber: Jesus Cristo, Filho de Deus. Eao gerá-lo e criado para o mundo, Maria proporcionou que todas as“Graças” chegassem até nós. Daí a designação da Virgem Maria como Nossa Senhora das Graças.
Maria, desde o momento em que disse sim a Deus e Jesus encarnou no seu ventre, tornou-se a corredentora da humanidade. E, no momento da morte de Jesus, Maria encontrava-se aos pés da cruz, sofrendo com ele e dando-lhe forças no momento derradeiro, fazendo assim parte de toda a vida humana de Jesus e de sua missão salvadora.
Nossa Senhora tornou-se fiel depositária e distribuidora das Graças de Deus, que só Ele, porém, pode dar, mas, em sua misericórdia, o Senhor escolheu distribui-las pelas mãos de sua Mãe, Maria, a seus filhos, que Lhe as peçam com fé. São Bernardo de Claraval afirmou que “Nunca se ouviu dizer que ela não atendeu a quem pediu com fé.”
Numa das aparições, porém, Nossa Senhora lamentou-se dizendo a Santa Catarina Labouré: "Tenho muitas e muitas Graças para dar à humanidade, mas as pessoas não Me as pedem."
Simbologia da imagem de Nossa Senhora das Graças:
- Como se pode ver nas imagens acima, existem diferenças de pormenor entre a imagem representada universalmente e a que se mostra no altar-mor da Igreja Matriz de Montalvão.
Uma delas é a cor do laço sobre a cintura e a outra, mais relevante, é a existência na imagem de Montalvão, de (apenas) uma haste da meia lua que surge em muitas imagens de santas.
Vejamos o significado de cada um dos vários símbolos:
- Manto: na cor azul, representa o céu, significando que Virgem Maria é um ser humano que está no céu, diante da irrestrita presença de Deus e vivendo a glória celestial. E lá, também diante de seu Filho Jesus, pode interceder por todos nós, seus filhos adotivos.
- Véu e túnica: em branco, simbolizando a pureza(“cheia de graça”) da Virgem Maria, conforme anunciado pelo Arcanjo S. Gabriel. (Lucas 1,28, v. acima).Também o uso do véu cobrindo a cabeça das mulheres, neste caso das judias, era sinal de “pureza e recato”.
- Cinto e laço: ocinto azul de Nossa Senhora das Graças representa o céu e está ligado à túnica branca. Isto significa que para chegar ao céu é preciso pureza de coração e santidade, contando para isso com a misericórdia de Deus e a intercessão de Nossa Senhora.
- Coroa (ou halo)de doze estrelas: éum símbolo marcante e praticamente comum a todas as imagens de Nossa Senhora, significando que a Virgem Maria é rainha do céu e da terra. Representa também a Igreja como um todo no coração dos Homens.
As doze estrelas decorrem da visão de São João e representam a Doutrina dos doze Apóstolos de Cristo.
Lembram-nos também que Nossa Senhora nunca contradiz os ensinamentosda Igreja e dos Apóstolos, dos quais é Rainha.
Significam ainda que todo o 'Apóstolo verdadeiro' carrega as bênçãos da Mãe de Jesus.

- Serpente sob os pés de Nossa Senhora: …” A serpente debaixo dos pés de Nossa Senhora das Graças simboliza o demónio vencido pela "Nova Eva", obediente e pura. Dizendo "sim" a Deus e gerando Jesus, a Virgem Maria "esmagou a cabeça da serpente", como nos fora prometido por Deus no livro do Gênesis 3, 15. Por isso, quem procura aproximar-se da Mãe Maria com sinceridade de coração, vence as tentações do maligno e se aproxima cada vez mais de Deus” ...
(Gênesis 3, 15: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
- Globo sob os pés de Nossa Senhora: "Este globo que vês representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em particular.", segundo terá sido dito pela Virgem Maria a Santa Catarina Labouré.
O globo terrestre sob os pés de Nossa Senhora representa o seu poder de intercederperante Deus-Pai pelasalvaçãodo mundo e de cada pessoa em particular, que o globo igualmente representa.

- Lua crescente: é curioso notar que a imagem corrente, tal como a mostrada acima, não inclui, ao contrário da imagem existente em Montalvão, o elemento da Lua crescente, associada ao culto mariano e que está bem patente, por exemplo, na imagem de Nossa Senhora da Conceição – Padroeira de Portugal. Nesta, o crescente lunar mostra-se, em regra, intacto e do lado contrário ao da imagem de Nossa Senhora das Graças, em Montalvão.
A figuração lunar é símbolo de soberania e dignidade e uma referência à renovação da vida e da natureza
Trata-se de um dos elementos muito associado à iconografia mariana, tal como outros símbolos, para reforçar a majestade divina de Maria. Segundo o Apocalipse de São João (Ap. 12,1): …” apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas.”
Em diversas representações da Imaculada Conceição podemos ver a representação do sol e da lua compondo a mesma cena - A Virgem é tão pura e brilhante como o “sol”, e tão bela como a “lua.”
- Raios projetados pelas mãos de Nossa Senhora das Graças: como explicado acima, os raios simbolizam as “Graças”que Nossa Senhora derrama sobre as pessoas que Lhe as pedem: os raios mais espessos correspondem às Graças pedidas;os mais finos correspondem às Graças que as pessoas não se lembram de pedir.

Simbologia das imagens que compõem a Medalha Milagrosa:

- Frente
Além da figuração da Virgem como Nossa Senhora das Graças, identificada pelas caraterísticas descritas acima, tem inscrita a jaculatória ou oração curta: "Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós".
- Verso:
- Estrelas: circundando o perfil oval, estão distribuídas as doze estrelas com o mesmo significado da coroa que forma a imagem da Virgem-Mãe, como descrito acima.
- M: a letra maiúscula M ao centro, é a inicial de Maria, correspondendo à que Santa Catarina viu durante a segunda aparição da Virgem.O M surge igualmente em muitas figurações do culto mariano e na imagemda Medalha está sustentado pelo travessão e cruz, mas debaixo desta. Isto significa que Jesus é superior a Maria, mas ao figurarem entrelaçados, significa igualmente que o Filho e a Mãe estão unidos de forma inseparável.
- Travessão e Cruz: simbolizam o calvário. A sua associação ou entrelaçamento com o M, simbolizam a íntima ligação de Maria e Jesus na história da salvação.
Para a doutrina católica, a Santa Missa é a perpetuação do sacrifício do Calvário, daí ressaltando a importância do Sacrifício Eucarístico na vida dos cristãos.
- Corações: Santa Catarina em seu relato, descreve ainda: ...” abaixo, vi os Sagrados Corações de Jesus e de Maria. O de Jesus, cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas.”
As chamas que emanam dos dois corações simbolizam o amor que têm por cada um de nós. A espada no coração de Maria lembra-nos a profecia de Simeão: “Eis que uma espada de dor transpassará teu coração...”
A espada e a coroa de espinhos no coração de Jesus simbolizam o sofrimento que quiseram viver pela salvação da humanidade. Os dois corações, são, na verdade, uma prova de amor de Maria e de Jesus para com todos nós.
- Coração circundado de espinhos: representa o Sagrado Coração de Jesus e simboliza o seu infinito e ilimitado Amor.
Nosso Senhor prometeu diante da Santa Margarida, Maria Alacoque (monja vidente e fervorosa devota do Sagrado Coração de Jesus) a graça da vida eterna aos devotos do seu Sagrado Coração.
- Coração transpassado por uma espada: simboliza o Imaculado Coração de Maria, inseparável do de Jesus. Mesmo nas horas difíceis de Sua Paixão e Morte na Cruz, a Virgem - Mãe esteve sempre presente, compartilhando da Sua dor, sendo igualmente a nossa corredentora.
Oração a Nossa Senhora das Graças
"Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades.
(momento de silêncio e de pedir a graça desejada)
Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre verdadeiros cristãos. Amém.”
"Rezar 3 Ave-Marias e depois a jaculatória: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
- Versão reduzida da oração, no prospeto distribuído na Igreja Matriz de Montalvão
“Senhor, que pela Imaculada Virgem Maria, intimamente unida a seu Filho, nos encheis de alegria com os vossos inúmeros favores, animados com o seu auxílio maternal, concedei-nos que nunca nos falte a vossa providente bondade e nos associemos, com uma fé sem reservas, ao mistério da vossa Redenção. Por Cristo Nosso Senhor. Amen.”
(ed. Santos Protetores – Paulus-Portugal)
Luís Gonçalves Gomes
02 dezembro 2019
Fontes:
http://cruzterrasanta.com.br/historia-de-nossa-senhora-das-gracas/283/102/#c
http://cruzterrasanta.com.br/significado-e-simbolismo-de-nossa-senhora-dasgracas/283/103/#c
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_das_Gra%C3%A7as
https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/3
PINTO, Rooney Figueiredo, “A iconografia mariana no espaço jesuíta português: culto e devoção à Virgem Maria na Igreja do Colégio de Jesus de Coimbra”;Dissertação de Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural; Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2014.
Notas:
(1) Efetivamente a França e por decorrência a Europa viviam uma época muito conturbada, derivada da Revolução de Julho de 1830, apelidada como “Les Trois Glorieuses” (As Três Gloriosas), dadoter decorrido nos dias 27, 28 e 29 de julho de 1830. Durante estes dias, o povo de Paris e as sociedades secretas republicanas, lideradospela burguesia liberal, realizaram uma série de levantamentos contra Carlos X (Rei da França e Navarra - de 1824 até sua abdicação forçada em 1830) , culminando com a referida abdicação e o fim do período da Restauração Francesa (ou Restauração Bourbon - período compreendido entre a queda de Napoleão Bonaparte, em 1814, e a Revolução de Julho de 1830). O movimento alastrou-se por toda a Europa, dando origem a uma complexa cadeia de movimentos insurrecionais - as Revoluções de 1830.
Também Portugal viveu uma época muito conturbada, entre 1820 e 1834: após 1820, com a Revolta militar do Porto, ocorreram vários episódios na tentativa de afirmação liberal, sustentada pela criação em 1822 da primeira constituição, demasiado progressista para a época. Culminaram os mesmos com a guerra civil entre 1832 – 1834, da qual saiu vencedora a causa liberal e, por consequência, a subida ao trono de D. Maria II (filha de D. Pedro IV), dando início ao Portugal contemporâneo.
(2) O Grupo Coral EmCanto incluiu no seu repertório um Hino a Nossa Senhora das Graças - Padroeira de Montalvão, com letra de Luís Gonçalves Gomes e música de António Maria Charrinho. Foi estreado no dia 6 de janeiro de 2018, com acompanhamento a órgão pelo Maestro António Charrinho e direção do Coro pelo primeiro, no âmbito do III Concerto de Natal e de Janeiras, realizado na Igreja Matriz de Montalvão.
Além daquele hino, o mesmo Grupo dedicou um Hino a S. Silvestre (letra e música de Luís Gonçalves Gomes) e a Nossa Senhora dos Remédios (letra de Silvestre Castanheiro e música adaptada por Luís Gonçalves Gomes).


Santo André

Santo André - quadro de El_Greco
Santo André ou Santo André Apóstolo, foi Patriarca de Constantinopla e um dos mártires por professar e difundir a doutrina cristã. O seu nome André ou Andreia, em grego, significa coragem, a coragem de que os mártires precisavam e de que eram possuidores.
Nasceu no início do século I, em Betsaída, nas margens do mar da Galileia – Palestina e, depois de várias peripécias, os seus restos mortais ou relíquias (ossadas, um dedo, parte do crânio e pedaços da cruz) ficaram depositados na Igreja de Santo André, num santuário próprio, na cidade onde terá morrido, Patras, na Grécia.
Segundo o Novo Testamento, Santo André era irmão de S. Pedro, o primeiro Papa da Igreja Católica, Apostólica e Romana. Ambos eram pescadores e André, sendo discípulo de S. João Batista, tornou-se depois seguidor de Jesus e um dos seus discípulos mais próximos, chegando a partilhar a mesma casa.
André, tendo visto em Jesus o Messias, apresentou-o a seu irmão Pedro e a partir daí tornaram-se seus fiéis e íntimos discípulos, despojando-se de tudo para o seguirem.
A festa litúrgica de Santo André ocorre em 30 de novembro, sendo venerado por toda a cristandade.
É o padroeiro de vários países como a Escócia, Ucrânia, Roménia, Rússia, Grécia e Sicília.
Em regra, a representação ilustrada da imponente figura de Santo André, associa-o a uma cruz em forma de X, e não da maneira tradicional, tal como nos é mostrado no célebre quadro do pintor grego Doménikos Theotokópoulos, tornado famoso como "El Greco".
Uma tradição escocesa afirma que as relíquias do Santo teriam sido levadas para a Escócia, mais precisamente para a cidade que adotou o seu nome, Saint Andrews e, por isso, a bandeira daquele país apresentaria e apresenta (na cor branca sobre fundo azul) a cruz em X, caraterística do Santo. Após a união da Escócia com a Inglaterra, a bandeira do Reino Unido ou Grã-Bretanha passaria a apresentar aquela cruz, nas diagonais, em representação justamente da Escócia, a par da cruz de S. Jorge, em representação da Inglaterra e da de São Patrício, em representação da Irlanda.
Montalvão dedicou-lhe uma capela, outrora pertencente à Irmandade da Misericórdia, estando atualmente integrada na Paróquia de Montalvão. (v. Capelas, neste mesmosite).
(Nota baseada na informação disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Andr%C3%A9)
Luís Gonçalves Gomes
20 maio 2020



São Marcos

Contextualização:
A Igreja Matriz de Montalvão (IMM) detém uma escultura dedicada ao Apóstolo São Marcos, a qual se encontra situada em nicho á direita do altar-mor (o lado da Epístola), fazendo par com a imagem da “Apóstola dos Apóstolos” Santa Maria Madalena, situada no lado oposto - o do Evangelho -, à esquerda do altar-mor, para quem se encontra de frente.
Ao centro, ladeada por aquelas duas, encontra-se a imagem da Padroeira de Montalvão, Nossa Senhora das Graças.
Tanto a origem como o surgimento da imagem de São Marcos naquela Igreja Matriz envolve algum “mistério”, tal como, aliás, a de Maria Madalena, a protetora dos Templários(v. texto respetivo neste portal).
A ambos os Santos, terá sido dedicada uma capela, cada uma localizada em sítios distintos, nas imediações de Montalvão. Quanto à de São Marcos, não existem quaisquer vestígios, nem a memória popular consegue situá-la com rigor. Presume-se, no entanto, que a imagem do Santo,que ainda hoje é possível ser vista na IMM, terá sido proveniente dessa eventual capela. Sem uma datação determinada (por enquanto), a mesma imagem, a ser contemporânea da escultura de Sta. Maria Madalena, poderá ter sido executada por volta do séc. XV / XVI, mas da análise mais atenta a alguns pormenores da escultura (como a representação do leão, por exemplo), até poderá ser anterior.
A dificuldade da datação rigorosa destas duas esculturas, tal como em identificar as cores primitivas, assim como de outras mais antigas existentes na IMM, resulta das repinturas que as mesmas receberam ao longo dos seus muitos anos de existência. Bem intencionadamente o fizeram, certamente, mas sem rigor e sem respeitarem o original, o que ocasionou a introdução de várias adulterações às imagens primitivas, agora muito difíceis de reconstituir.
De qualquer modo, tanto uma como a outra, são esculturas que merecem todo o cuidado e atenção, quanto ao seu manuseamento e preservação,pelo valor cultural e espiritual que representam.
É justamente em atenção a tais valores que se redigiu o texto seguinte, referente, neste caso, a São Marcos.
São Marcos Evangelista
São Marcos terá nascido na Líbia, em Cirene, cerca do ano 10 A.C. e falecido no dia 25 abril do ano 68 D.C., portanto com 78 anos, na cidade de Alexandria, da qual foi Bispo.
Segundo alguns relatos, terá falecido de morte natural, mas segundo outros, por martírio às mãos de tribos pagãs, após regressar de uma das muitas missões evangélicas que realizou. Evangelizou em Alexandria, Egito e Chipre, a ele estando atribuída a fundação do Cristianismo em África.
É o autor do Segundo Evangelho, o “Evangelo segundo São Marcos”.
A data do seu falecimento (25 abril) foi adotada para celebração do dia que lhe está dedicado.
Terá sido inicialmente sepultado em Alexandria, rezando a lenda que o seu corpo foi vendido por mercadores de Veneza. Graças a tal lenda, foi construída a maravilhosa Basílica de São Marcos (de 976 a 1071), na não menos magnífica cidade italiana de Veneza, a Sereníssima, acidade dos canais, como é mundialmente conhecida. Foipara esta Basílica que os restos mortais de São Marcos acabaram por ser transferidos, provenientes de Alexandria.2
Marcos era judeu levita, dado pertencer à tribo de Levi[1]. A família, profundamente cristã, sempre acolheu em sua casa Jesus Cristo, sua Mãe Maria e os Apóstolos. De tal modo que,segundo a tradição, terá sido em sua casa queJesus celebrou a Última Ceia e onde terá acontecido o Pentecostes (descida do Espírito Santo, sob a forma de línguas de fogo, sobre os Apóstolos e seguidores de Cristo, cinquenta dias após a ressurreição de Jesus;circunstância a partir da qual se deu o surgimento da Igreja Católica).
Segundo a Bíblia, São Marcos terá acompanhado inicialmente São Barnabé (seu tio) e São Paulo em viagens apostólicas e mais tarde, em Roma, São Pedro,com o qual se familiarizou.
Terá sido nesta cidade, bem como da convivência com São Pedro, queMarcos terá escrito o “seu” Evangelho, ao sabor da memória, sem uma ordem cronológica rigorosa, dado que não foi ouvinte direto, nem acompanhou o Senhor e, por conseguinte,não presenciou os acontecimentos bíblicos. O que relatou, foi do que ouviu de São Pedro, o qual, por sua vez, interpretou e relatou tais acontecimentos adaptando-os às necessidades do momento e aos objetivos que pretenderia atingir.
Para além desta proximidade e cumplicidade com São Pedro, Marcos conviveu igualmente com São Paulo a partir do dia em que este Apóstolo, acompanhado de seu tio São Barnabé, levou para Jerusalém uma avultada coleta, reunida pela comunidade de Antioquia.
Na iconografia cristã, São Marcos surge-nos muitas vezes representado simbolicamente por um leão alado, o Leão de São Marcos.É frequentementerepresentado com um livro[2] debaixo duma pata (como se vê na imagem anexa) ou com um halo sobre a cabeça ou, ainda, segurando uma espada numa pata. Para além de ser o símbolo da cidade de Veneza, é igualmente a imagem de variadíssimos organismos civis, militares e desportivos, bem como de festivais de índole cultural, como é o caso do afamado Festival de cinema de Veneza, cujo galardão máximo é justamente o Leão de Ouro.
Muito haveria a descrever sobre a interessante simbologia da representação de São Marcos e, por decorrência, da cidade de Veneza e de tantas outras coisas já antes referidas, como um Leão e, em especial, como um Leão Alado, mas isso desviar-nos-ia do essencial deste pequeno texto, que é dedicado à figura de São Marcos, como um dos quatro Evangelistas. Deixamos essa pesquisa à curiosidade dos mais interessados.
Acrescentar apenas que no cristianismo, o Leão para além de simbolizar o Evangelista São Marcos, como atrás explicado, representa igualmente São Jerónimo, que tambémaparece na iconografia cristã ladeado por um Leão. Neste caso, pretende demonstrar a força da fé cristã, tendo como origem a crença de que o padre Jerónimo, ao retirar um espinho da pata do felino, fez com este se tornasse dócil e seu inseparável companheiro de vida.
A imagem de São Marcos existente na Igreja Matriz de Montalvão não desvirtua o simbologismo do leão, muito embora a sua representação escultórica não faça justiça à imponência real do animal em causa.
Luis Gonçalves Gomes
24 junho 2020
Fontes bibliográficas:
- Holbock, Ferdinand, padre, “SummaAngelorum,unidos com os anjos e os santos”, Editora Paulus 2016, pgs113,114.
- https://www.dicionariodesimbolos.com.br/leao/
- https://www.calendarr.com/portugal/dia-de-sao-marcos/
- https://escola.britannica.com.br/artigo/Tor%C3%A1/482696
- https://formacao.cancaonova.com/diversos/o-evangelista-sao-marcos/
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Le%C3%A3o_de_S%C3%A3o_Marcos
- https://www.wgospel.com/leao-com-asas-de-aguia/
[1]A tribo de Levi assumiu grande importância,desde o início da história de Israel.Aos levitas estavam atribuídos deveres religiosos, de exercício do sacerdócio e responsabilidades políticas. No entanto, na prática judaica atual, datadaa partir da destruição do Templo em Jerusalém, os privilégios e as responsabilidades comuns dos levitas estão essencialmente limitados à leitura da Torá ( texto sagrado do judaísmo).
Além de São Marcos, pertenceram também à tribo Levi: os profetas Moisés, Samuel, Ezequiel, Malaquias e ainda o Pregador São João Batista e os Apóstolos São Marcos, São Mateus e São Barnabé.
[2] Este livro, representando o Evangelho atribuído a São Marcos, contém a inscrição “PAX TIBI MARCE EVANGELIST MEUS”, traduzindo, “Que a Pax esteja Contigo, Marcos, meu Evangelista”, a qual é completada por “Hicrequiescet corpus tuum”, “Aqui repousará o teu corpo”dado que, segundo a tradição veneziana, terão sido essas as palavras do Anjo que apareceu a Marcos ao chegar a uma das lagoas de Veneza e que terão servido de justificação para que os seus restos mortais fossem transferidos do seu túmulo primitivo em Alexandria, para Veneza, onde acabaram enterrados na depois designada Basílica de São Marcos



Fachada da Basílica de São Marcos-Veneza

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Itinerários Templários em Portugal - II (https://templanima.blogspot.pt/2013/12/itinerarios-templarios-em-portugal-ii.html)
Montalvão

Frente á vila tem uma ponte* sobre o rio, para Cedilho - lado espanhol da "fronteira" - , que pode atravessar aos fins de semana.
* passagem condicionada (aberta aos fsm) sobre a Barragem de Cedilllo (confluência dos rios Sever / Tejo internacional), sob responsabilidade e operacionalização pela Iberdrola.
Itinerários, de norte para sul:
Rota da Beira:
- Vilar Maior (terras de Riba Côa) - castelo com formato oval, muito semelhante ao de Montalvão
- Vila de Touro
- Penamacor
- Monsanto
- Penha Garcia
- Idanha-a-Velha
- Idanha-a-Nova
Rota de Fronteira:
- Castelo Novo
- Castelo Branco
- Vila Velha de Ródão
- Montalvão
- Nisa
Rota do norte:
- Penas Roias
- Igreja de Santa Maria de Azinhoso
- Mogadouro
- Igreja de Algosinho
- Castelo de Longroiva
Nota 1: para mais informação sobre a temática templária, recomenda-se seguir: https://www.facebook.com/templ.anima






