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Freguesia Montalvão

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Padre jesuíta MANUEL GODINHO * (1630, Montalvão – 1712, Loures)

As Origens

Manuel Godinho ou, melhor, Manoel Godinho, segundo a ortografia original, nasceu em Montalvão, em 1630, sendo filho de Manoel Nunes de Abreu e de Joana dos Reys.

A missão

Naquele ano Portugal encontrava-se sob domínio espanhol, reinando Filipe III de Portugal - 1622 / 1640 - e IV de Espanha. 

Já após a restauração da independência portuguesa (1640), mais precisamente em 1645, o jovem Manoel Godinho ingressou na Companhia de Jesus[1], em Coimbra, aos 15 anos de idade, por conseguinte, já em pleno reinado de D. João IV.

Foi destinado às missões da Índia, para onde seguiu em 1655, cabendo-lhe o cargo designado de "Pai dos Cristãos", em Thana, próximo de Bombaim.

Para evitar os perigos de uma viagem marítima, em particular o encontro com navios holandeses, o ainda jovem jesuíta, decide fazer a viagem por mar e terra, donde lhe proveio a informação e a experiência que relatou na sua obra mais emblemática, a "Relação do novo caminho que fez por terra e mar, vindo da India para Portugal no anno de 1663 o Padre Manuel Godinho da Companhia de Jesus".

O vice-rei da Índia, D. António de Mello de Castro, que conhecia melhor as implicações da cessão de Bombaim aos ingleses - de acordo com o tratado de casamento de D. Catarina de Bragança com o príncipe Carlos II da Inglaterra -, procurou atrasar a entrega daquela região durante vários anos e, para cumprimento dessa missão, enviou, em 1662, o jesuíta, Padre Manoel Godinho, para a corte de Lisboa, confiado como estava nas capacidades diplomáticas deste missionário.

Essa incumbência estava subordinada a um conjunto de instruções sobre com quem o jesuíta deveria falar e o que deveria transmitir, com a finalidade de expor depois a D. Afonso VI a razão pela qual aquela ilha de Bombaim não deveria ser entregue àquele monarca inglês. Pelo menos com a abrangência que este pretendia, uma vez que aquele tratado não a tinha definido nos moldes interpretados pelos ingleses, distorcendo-os no seu próprio interesse, claro está.

Assim, no dia 15 de dezembro daquele ano, Manoel Godinho chegou por barco a Baçaim, passando por Damão, Surat, Pérsia, Bagdad e Alepo. Neste porto embarcou para Marselha e daqui partiu para Portugal, chegando a Cascais a 25 de outubro de 1663, debaixo do maior secretismo.

A posição do Vice-Rei tinha em vista, no fundo, proteger e salvaguardar as rotas comerciais com a Índia e, implicitamente, a sobrevivência do comércio de Portugal com aquele país, bem como  a do próprio Estado da Índia, por este estar tão dependente daquele comércio.

Para que não houvesse qualquer equívoco ou dúvida quanto às razões da sua fundamentação, o Vice-Rei tornou bem claro ao Rei português que, se a sua decisão fosse tomada no sentido da cessão, tal como os ingleses pretendiam, a concretização da mesma deveria ser atribuída a outro Vice-Rei, que não ele.

O envolvimento do Padre Manoel Godinho nesta missão, custou-lhe importantes dissabores e revezes pessoais, pois na cúria jesuíta em Roma, designadamente o Geral Giovanni Paolo Oliva não aceitava de modo positivo o seu envolvimento direto em atividades de natureza política implicando a Inglaterra, pois receava uma retaliação do governo inglês contra a Companhia de Jesus, expulsando-a do seu território.

Perante esta conjuntura, Manoel Godinho decide não regressar à Índia.

Por aquele seu envolvimento e pela recusa em regressar à Índia, Manoel Godinho acabou por ser expulso da Companhia de Jesus em 1667, vinte e dois anos depois de nela ter ingressado.

No entanto, a Raínha D. Luísa de Gusmão, então Regente por morte de D. João IV, e o príncipe D. Afonso (futuro D. Afonso VI), como compensação pelos serviços prestados à Coroa, concedeu-lhe a melhor paróquia que se encontrava vaga - o importante priorado da igreja de Loures, onde veio a falecer, aos 78 anos. Mais tarde, para além de outros benefícios recebidos, foi comissário do Santo Ofício (se tal cargo, à luz do que hoje conhecemos e da consideração abjeta que atribuímos ao Tribunal do Santo Ofício, pode ser considerado um  benefício ? Para a época e para o próprio seria certamente.).

Do relatório da viagem por terra, que publicou[2] , transparece o seu fervor patriótico, bem como a sua amargura perante a decadência da glória e do poderio do seu amado país, tendo denunciado os crimes, as malfeitorias e outras ações pouco dignas, praticadas pelos governantes da Índia ou responsáveis do reino.

A obra[3]

Em 1665, o Padre Manuel Godinho, regressado havia pouco a Portugal, depois de uma estadia de cerca de sete anos no Oriente ao serviço da Companhia de Jesus, publica em Lisboa uma "Relação do novo caminho que fez por terra e mar vindo da Índia para Portugal". Trata-se de um desses relatos, misto de itinerário, corografia e diário de viagens, em que é fértil a nossa literatura da expansão. (1)

Introdução à problemática

A "Relação" do Padre Godinho não é de modo algum uma dessas obras apagadas que ficam soterradas durante séculos sob a poeira dos arquivos. Bem conhecida dos investigadores, ela continua também acessível ao público leitor através de uma recente reedição (2). Não obstante, estamos perante um texto «até agora pouco conhecido, por pouco estudado, pouco tratado» (3), justamente porque as escassas notícias e artigos que lhe têm sido dedicados, além de parafrasearem o conteúdo da "Relação" com intuitos divulgadores, se têm resumido a um repetido elogio estilístico e ao esmiuçar de questões biográfico-factológicas. Para além de se basearem, como veremos, num considerável equívoco.

Texto menor de um autor menor, o seu conteúdo, forma e significado, parecem não justificar atenção mais demorada da parte dos historiadores, exceptuando uma ou outra breve referência de carácter sintético (4). A "Relação do novo caminho" está publicada, o seu texto aparentemente fixado, as qualidades estilísticas devidamente realçadas, os episódios mais pitorescos são do domínio público, o teor do relato, devidamente analisado, não traz surpresas ao conhecimento histórico. Dir-se-ia então que nada mais há a fazer e que estão esgotadas as potencialidades analítico-interpretativas.

Mas, contrariamente ao que poderia pretender uma conceção demasiado positivista do labor histórico, o relato do padre jesuíta é passível de uma multiplicidade de aproximações. Como qualquer outro documento histórico, a Relação «é um infinito quadro de polissemia existente em condição potencial» (5).

 

Nota final: indiferentes a tal problemática, que é matéria para eruditos e especialistas na matéria, o que importa realçar, enquanto montalvanenes, é o orgulho de termos esta figura, que adquiriu tal notoriedade,  como nosso conterrâneo, enaltecendo, sempre que possível a sua memória. Nesse sentido, Montalvão atribuiu o seu nome ao largo fronteiro à secular Igreja Matriz, que certamente frequentou nos seus primeiros quinze anos de vida, e dessa forma tornou-o mais conhecido dos montalvanenses e dos que visitam a sua e nossa terra natal, perpetuando o seu nome para as gerações vindouras. 

 

Edições / traduções/ versões da obra:

 Título da obra

Cidade

Editora ou gráfica

Ano

Detalhes

Relação do novo caminho que fez por terra e mar, vindo da India para Portugal no anno de 1663 o Padre Manuel Godinho da Companhia de Jesus

Lisboa.

Officina de Henrique Valente de Oliveira, Impressor delRey.

1665.

http://www.ghtc.usp.br/server/Lusodat/fols.gif

Relação do novo caminho que fez por terra e mar, vindo da India para Portugal no anno de 1663 o Padre Manuel Godinho da Companhia de Jesus, enviado á Magestade del rey N. S. Dom Affonso VI

Lisboa.

Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis.

1842.

http://www.ghtc.usp.br/server/Lusodat/fols.gif

Relação do novo caminho que fez por terra e mar vindo da India para Portugal, no ano de 1663 o padre M.G

Lisboa.

Agência Geral das Colónias.

1944.

http://www.ghtc.usp.br/server/Lusodat/fols.gif

Relação do novo caminho que fez por terra e mar vindo da india para Portugal no ano de 1663

Lisboa.

Imprensa nacional - casa da Moeda.

1974.

http://www.ghtc.usp.br/server/Lusodat/fols.gif

Relação do novo caminho qve fez por terra, e mar, vindo da India para Portvgal, no anno de 1663

New York / Bombay.

Oxford University Press.

1990.

http://www.ghtc.usp.br/server/Lusodat/fols.gif

 

 

 

Luís Gonçalves Gomes 

 11 dezembro 2015

  revisto em 28 junho 2017 

 

 

Nota: não sendo propósito, nem possível, aliás, fazer aqui grandes desenvolvimentos dos temas apresentados, recomenda-se a leitura do interessante e bem documentado capítulo (pgs. 149 a 153) dedicado ao Pe. Manoel Godinho, no livro da autoria do nosso ilustre conterrâneo Dr. António Cardoso Mourato, mencionado abaixo, em Bibliografia.

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Padre Manuel Godinho – obra; referências bibliográficas

OBRAS:

-Relação do novo caminho que fez por terra e mar, vindo da India para Portugal no anno de 1663 o Padre Manuel Godinho da Companhia de Jesus. Lisboa: Officina de Henrique Valente de Oliveira, Impressor delRey, Lisboa 1665.

- Noticias singulares de algumas cousas succedidas en Constantinopla depois da Rota do seu exercito sobre Viena (Lisboa, 1684).

(Arquivo: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - Serviços de Biblioteca e Documentação)

(1) “Vida, Virtudes e morte com opinião de Santidade do Venerável Padre Fr. António das Chagas”

GODINHO, Manuel - Vida, Virtudes e morte com opinião de Santidade do Venerável Padre Fr. António das Chagas”

(2) “Interprid itinerante: Manuel Godinho and his journey from India to Portugal in 1663: ed-with an introduction and notes by John Correia – Afonso”

GODINHO, Manuel; Afonso, John Correia, ed-lit – Intrepid itinerant: Manuel Godinho and his journey from India to Portugal in 1663: ed-with an introduction and notes by John Correia – Afonso”. Bombay: Oxford University, 1990. 25p. ISBN 0195625498

(3) “Cartas Espirituaes”: segunda parte

CHAGAS, António das; GODINHO, Manuel, ed.lit – Cartas espirituaes: segunda parte. Lisboa: Na Officina de Miguel Deslandes, 1687. Vol.

https://alpha.sib.uc.pt/?9=search/apachesorl_search/”padremanuel godinho disponível & filters=tid%3ª34115

http://gloriainacselsis.wordpress.com/tag/manuel-godinho/

Bibliografia:

-CORREIA-AFONSO, John, “Postscript to an Odyssey: More Light on M. Godinho”, Stvdia (Lisboa,1989) pp. 181-193

* MOURATO, António Cardoso e outros, "Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa", Edição de Comissão Conservadora das Obras da Ermida de Nossa Senhora dos Remédios de Montalvão; agosto 1980.



[1] Segundo alguns autores terá ingressado depois na Companhia de Jesus sediada em Évora, em 1649.

[2] Já com 4 edições em Portugal e uma edição na Índia, em inglês.

[3] Do Padre Manuel Godinho - segundo a interpretação do Professor Rui Manuel Loureiro (sic)

Livro das Fortalezas de Duarte d’Armas (1)

Introdução de Manuel da Silva Castelo Branco – respigo das referências nela feitas a Montalvão

I – História, Dimensão e Significado do “Livro das Fortalezas ou o Livro de Duarte de Armas” (2)

  “No começo do séc. XVI (1509), el-rei D. Manuel entregou a Duarte de Armas, hábil debuxador e escudeiro de sua Casa, o encargo de vistoriar as fortalezas, que constituíam a nossa primeira linha defensiva face ao país vizinho, a fim de se inteirar por forma invulgar acerca do seu estado de conservação.

Com efeito, Duarte de Armas, acompanhado por um criado a pé, levou a cabo esta missão, percorrendo a cavalo as distâncias entre a maioria das povoações acasteladas da zona fronteiriça, das quais elaborou inúmeros esboços, em papel, com as suas vistas panorâmicas (pelo menos duas, por cada lugar e tiradas ao natural, focando bandas diferentes) e as plantas das respetivas fortalezas; e, neles, teve a preocupação de apontar as partes mais arruinadas e carenciadas de obras.

Seguidamente e a partir dos elementos recolhidos no seu trabalho de campo, o nosso artista organizou dois volumes”.

No primeiro, o códice B, formado por folhas em papel de linho, teria desenhado 110 cartas panorâmicas, com 296 x 404 mm, de 55 povoações raianas, desde Castro Marim a Caminha (duas diferentes para cada lugar) e as plantas de 51 das respetivas fortalezas. Neste exemplar, as vistas podem considerar-se esboços mais aperfeiçoados do que os preliminares, mas ainda assim imperfeitos por não representarem muitos pormenores relativos ao aspeto das construções e à paisagem onde se achavam integrados. Por isso, todos os desenhos estão recheados de notas interessantes e destinadas, em muitos casos, a suprir lacunas.

No segundo, o códice A, constituído por grandes folhas de pergaminho, Duarte de Armas levantou de modo semelhante o mesmo número de fortalezas, mas”…”Agora, porém, o seu trabalho, mais apurado e completo, vai requintar-se em primorosos detalhes, representando o arvoredo e as culturas, que antes apenas apontara pelos nomes (ex.: olivais, vinha, etc.); a cobertura das casas (em colmo, ardósia ou telha); a estereotomia de paredes, muralhas, aros de portas e janelas, etc., etc. Enfim um trabalho requerendo técnica simples, mas bem adestrada, e …Arte! Só neste exemplar aparecem certos pormenores pitorescos da vida cotidiana: um caçador e os seus três cães (Almeida, NE); um almocreve conduzindo duas mulas carregadas (Castelo Branco, SE); camponesas tirando água de um poço (Montalvão, S); um pastor com o seu rebanho (Monsanto, E), etc., etc. (sublinhado a bold nosso).

Alguns autores supõem que o códice A é uma cópia do anterior (códice B) embora ampliada e mais perfeita, mas, ao confrontá-los, verificamos que as duas vistas correspondentes a cada povoação nem sempre foram tiradas das mesmas bandas, podendo concluir-se que, para certos lugares, Duarte de Armas fez mais de dois esboços preliminares”… (texto transcrito da página 1, (sic).

…”actualmente, o Códice B (3) acha-se incompleto, pois só tem 71 folhas com as vistas de 37 fortalezas, desde Assumar a Caminha, excluindo Montalvão. (sublinhado a bold nosso). Todas apresentam duas bandas diferentes, excepto Assumar, Castelo de Vide e Penamacor (com uma só); a parte restante desapareceu, incluindo as folhas dos índices e a nota introdutória". (in p.3)

Em resumo:

…”O Livro das Fortalezas” confirma a preocupação dos nossos reis (particularmente, D. João II e D. Manuel I) em promoverem e consolidarem a defesa do país face ao vizinho, mesmo quando as relações entre eles eram bastante amistosas”… (in p. 4)

…”Os desenhos de Duarte de Armas têm grande importância artística, arqueológica e cultural, pois o nosso artista não se limitou a representar as fortalezas mas também as povoações em que estas se achavam integradas, dando-nos uma pormenorizada descrição da paisagem urbana, reflexo de uma sociedade organizada.” (in p. 5)

Luís Gonçalves Gomes

11 dezembro 2015

Notas explicativas:
 
 (1) Arquivo Nacional da Torre do Tombo; Edições INAPA, Lisboa 1997; 2ª Edição; Fac-simile do MS.159 da Casa Forte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo; introdução de Manuel da Silva Castelo Branco, donde forma transcritos os textos supra.
(2) A designação “Livro das Fortalezas” foi atribuída anos mais tarde, …”pois Duarte de Armas, não pôs qualquer título ao seu trabalho, fazendo-o anteceder apenas por uma breve nota introdutória, escrita pelo seu punho e cujo começo …Este livro he das fortalezas que sam setuadas no estremo de portugall e castella…daria origem ao que o celebrizou”…
 (3) O Códice B, incompleto, acha-se actualmente na Biblioteca Nacional de Madrid, faltando-lhe as plantas de todas as fortalezas e as cartas panorâmicas das povoações ao sul do Tejo, salvo as de Assumar, Alpalhão, Castelo de Vide e Nisa (e estas em mau estado ou truncadas)

Nota: Gravuras extraídas do Livro de Fortalezas de Duarte D' Armas, cedidas por Luís Gonçalves Gomes (17 dezembro 2015)

 
 

Luís Gonçalves Gomes

15 dezembro 2015

Luís Gonçalves Gomes

15 dezembro 2015

 

Heráldica da Freguesia de Montalvão e sua relação com o antigo Município (1)

A heráldica de Montalvão foi criada em 1997, mediante proposta remetida em 12 março de 1997 à Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses – a entidade com jurisdição nestas matérias –, pelo então Presidente da Junta de Freguesia, Bento Rafael Miguéns, na vigência do seu segundo mandato. (consultar processo)

Do desenho então proposto(2), com base na memória descritiva elaborada para o efeito(3), fundamentando os diversos elementos figurados, caraterizadores dos aspetos económicos, sociais e históricos mais distintivos de Montalvão, foi o mesmo aprovado com uma única exceção, face ao que foi acrescentado por aquela Associação, como se explica.

A coroa mural proposta continha apenas três torreões ou torres, que seria, segundo a Lei reguladora (n.º 53 de 1991, artº 13º), o aplicável …“Para as freguesias com sede em povoação simples é de prata com três torres aparentes;”…(sic).

A Comissão de Heráldica considerou, porém, que face à Lei e à semelhança de outras localidades nas mesmas circunstâncias, Montalvão teria direito a usar quatro torres, em lugar de três, …”Para as freguesias com sede em vila é de prata com quatro torres aparentes, sendo a primeira e a quarta mais pequenas que as restantes;”…(sic).

Esta interpretação deriva do facto de Montalvão ter sido sede de concelho até 1836 (como explicado neste "sítio" em "O Antigo Município"), dando-lhe assim o direito de usar no seu brasão uma coroa com os quatro torreões que ostenta.

Sem entrarmos aqui em explicações exaustivas (v. "Heráldica da Freguesia-Os elementos do Brasão", neste portal) sobre o significado dos principais elementos que compõem os brasões genericamente considerados (coroa mural, escudo e listel) vale a pena salientar a importância atribuída à coroa, dado ser o elemento aqui em destaque.  

Assim, a "Coroa Mural", tanto na antiga Grécia, como depois na Roma Imperial, era uma forma muito distintiva de assinalar grandes feitos ou honrar figuras heróicas. Na mitologia grega estava associada à deusa Tique (ou Fortuna, na cultura romana), a qual encarnava a fortuna de uma cidade.

Já na Roma Imperial a "Coronna Muralis", sendo uma coroa dourada (com torreões, tal como na versão heráldica que conhecemos) ou um círculo de ouro, era atribuída como distinção honrosa ao primeiro soldado que após ascender ao topo de uma fortaleza ali colocasse o seu estandarte na cidade ocupada.

Eventualmente desde a época napoleónica, passou a ser usada em França para distinguir a importância administrativa e consequente autonomia de uma cidade, aldeia ou povoado, tal como refletido na heráldica Portuguesa, segundo a já mencionada Lei aplicável.

Face a isto, não é portanto indiferente que Montalvão apresente no seu Brasão quatro ou apenas três torres, pois esse pormenor, só aparentemente singelo ou sem qualquer relevância, representa o quão importante Montalvão foi outrora, sendo merecedora do orgulho de todos os Montalvanenses.

Luis Gonçalves Gomes

15 dezembro 2015

Revisto em 17 junho 2020

(1) GOMES, Luís Gonçalves, “O Antigo Município de Montalvão”, editada pela Junta de Freguesia de Montalvão, extrato da brochura distribuída à população no dia de afixação da placa evocativa, em 7 setembro 2014, no edifício outrora sede do Concelho de Montalvão);

(2) Autoria: Paula Miguéns Morujo;

(3) Autoria: Luís Gonçalves Gomes.

Igreja Matriz de Montalvão (1)

Assim popularizada, pode igualmente designar-se por Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Graças, de Montalvão (como, aliás, consta em antigos registos paroquiais). Está atualmente integrada no Arciprestado de Ponte de Sor ( outrora de Nisa), diocese de Portalegre - Castelo Branco.(v. Nota 1, infra)

"A paróquia de Montavão pertenceu inicialmente à Diocese de Évora onde se manteve até 1260, data em que transitou para a Diocese da Guarda. Em 1549 foi integrada na Diocese de Portalegre. A apresentação do pároco-vigário, freire professo da Ordem de Cristo, foi da jurisdição da mesma ordem e, posteriormente, da Mesa de Consciência e Ordens. Pertence actualmente à Diocese de Portalegre-Castelo Branco, Arciprestado de Nisa. Tem por orago Nossa Senhora da Graça." (2)

 

"Dedicada a Nossa Senhora da Graça, a Igreja Matriz de Montalvão, que foi comenda da Ordem de Cristo, destaca-se na malha urbana pela imponência dos seus volumes. Edificada no século XIV ou final do XIII, ficou concluída em 1568, tendo sido depois objecto de campanhas de obras de época quinhentista e barroca. Já no século XX, outras intervenções, certamente de consolidação e restauro, alteraram a estrutura de apoio quer das naves laterais quer do coro. (v. Nota 2, infra)

O portal principal é um dos poucos elementos que restam da primitiva construção. Inscrito em gablete de remate triangular, desenvolve-se em arco de volta perfeita formado por arquivoltas triplas que assentam em colunelos com capitéis de folhagens. É sobrepujado por um óculo mais recente, e flanqueado por duas frestas. A fachada, em empena, é mais larga do que alta, facto ainda mais evidenciado pelas torres que a ladeiam e se elevam bem acima da linha dos telhados. Uma delas é mais alta, mas ambas apresentam panos cegos, apenas abertos pelas sineiras, com pedraria aparente nos cunhais e remate em coruchéu.

No interior, de características já quinhentistas, o espaço divide-se em três naves, separadas por arcaria de volta perfeita, assente sobre colunas, definindo cinco tramos, sendo que os arcos na área do coro são mais baixos.

A zona da cabeceira é, no entanto, mais recente, apresentando tecto em caixotões e retábulo de talha polícroma numa composição que recorda os modelos proto - barrocos. A ser original, foi profundamente alterada e repintada.

Quanto aos restantes altares, os dois colaterais são de talha dourada barroca e, na nave, ganha especial interesse a capela do século XVII, aberta por arco de volta perfeita inscrito numa estrutura de pilastras e entablamento em granito, e um outro retábulo em mármore de Estremoz, já do século XVIII." (3)

(RC) (3)

Nota:

1- Arciprestado: território sob a jurisdição de um Arcipreste - representante do Bispo para uma determinada zona (paróquias da Diocese).

Matriz: por ser a  igreja -mãe, a que congrega várias capelas dentro da mesma paróquia.

(esclarecimentos gentilmente prestados pelo Senhor Padre Joaquim Valente, da Paróquia de Montalvão)

2- Em 26 junho 2015, foi lançada uma "Campanha para o Restauro da Igreja Matriz de Montalvão", impulsionada pela realização do 1º Encontro de Coros Ibéricos de Montalvão, tendo sido, para o efeito, constituída uma Comissão (v. "Espaço do Cidadão-Comissões", neste "sítio").

Luís Gonçalves Gomes

18 dezembro 2015

Bibliografia:

(1) Edifício Classificado como IM - Interesse Municipal - Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977

(2) http://digitarq.adptg.arquivos.pt/details?id=1012556

(3) www.património cultural.pt

 

 

 

 

Luís Gonçalves Gomes

18 dezembro 2015

Grupo Coral EmCanto – Montalvão

Fundação 27 junho 2015

Foto da atuação do coro originário do EmCanto, no âmbito I Encontro de Coros Ibéricos, em Montalvão - 27junho2015

 

 

1ª foto institucional do Grupo Coral EmCanto

(Formação Inicial, faltando na foto Luís Gonçalves Gomes)

(1ª apresentação pública nas Festas de Nossa Senhora dos Remédios - 05 setembro 2015)

 

Biografia inicial

 

O Grupo Coral EmCanto, maioritariamente formado por fiéis oriundas do coro autónomo da Igreja Matriz de Montalvão, foi espontaneamente constituído em 27 junho 2105, no dia da sua primeira atuação em público, na Igreja Matriz de Montalvão, no âmbito do 1º Encontro de Coros Ibéricos, passando a partir daí a adotar aquela designação.

Atuaram também no referido Encontro, os seguintes grupos de música coral:

- Agrupación “Jara y Tomillo”, de Cedillo

- Coro Re: Canto, de Lisboa

- Coro da Assembleia da República

O Grupo Coral EmCanto - ainda não constituído como tal -, a convite do Coro Re:Canto e no âmbito da atuação deste, interpretou, como surpresa naquele Encontro, a versão popular de “Maria da Conceição”, imediatamente antes do Coro Re:Canto interpretar a mesma canção, mas na versão harmonizada pelo Maestro Fernando Lopes Graça.

A atuação do EmCanto suscitou os calorosos aplausos do público presente, que o aplaudiu de pé, não só pelo efeito da inesperada atuação, como pela qualidade da mesma e colorido da apresentação das cantoras, que fizeram gala em usar os tradicionais e já raros xailes de “pêlo de cabra”, alguns deles feitos pela mão das próprias.

No final do concerto foi anunciado publicamente que o grupo que antes interpretara aquela canção, passaria a adotar o nome do Grupo Coral de Lisboa, EmCanto, cujos elementos, ao passarem a integrar o Coro Re:Canto, igualmente a partir deste 1º Encontro de Coros Ibéricos, concordaram em ceder o nome ao novel Grupo Coral de Montalvão, permitindo assim a continuidade desta designação.

Ainda sem designação própria, atuaram no grupo que interpretou Maria da Conceição, os seguintes cantores: Ana Maria Henriques Semedo Salgueiro;Atília Gonçalves Lucas das Mercês Rodrigues; Cecília de Matos Sacramento da Graça;Maria do Carmo Salgueiro Castelo;Maria Joaquina de Matos Lopes; Maria Joaquina Batista André Leirinha; Maria de Lurdes C. Matos Henriques; Nazaré Morujo Leirinha; João Manuel Henriques; José da Silva Louro Possidónio.

Constituem atualmente o Grupo Coral EmCanto:

Vozes femininas:

Ana Maria Henriques Semedo Salgueiro *

Atília Gonçalves Lucas das Mercês Rodrigues *

Cecília de Matos Sacramento da Graça *

Elsa Custódia Lopes

Irene Morujo Roberto Pereira Valente

Maria Lisete Sereno Simão

Maria do Carmo Salgueiro Castelo *

Maria da Conceição Henriques Vitorino

Maria de Fátima Belo Fidalgo Semedo

Maria Joaquina de Matos Lopes *

Maria Joaquina Batista André Leirinha*

Maria Júlia Pires Lopes

Maria de Lurdes C. Matos Henriques *

Nazaré Morujo Leirinha *

Rosa da Cruz Meira Gavetanho Barbosa

Silvina Tomás Gordo Felício Tremoceiro

Teresa Conceição Matos

Zulmira Lopes Pirralha

Vozes masculinas:

João Manuel Henriques *

José da Silva Louro Possidónio *

Luís Gonçalves Gomes *

 

*Membro fundador

 

Atuações realizadas ou programadas:

Festas de Nossa Senhora dos Remédios – 05 set 2015 – Montalvão

Festas de Santa Margarida – 19 set 2015 – Póvoa e Meadas (1)

Casa do Alentejo, Lisboa – 26 set 2015 (2)

Comemoração do Restauro da Igreja Matriz – 17 out 2015 – Montalvão (3)

Dia do Respeito pela Pessoa Idosa-Pavilhão Municipal de Nisa – 24 out 2015 - Nisa

Sociedade Recreativa Alpalhoense – 31 out 2015 – Alpalhão

Concerto da Amizade - 14 nov 2015Porto Clérigo -Troviscal (Oliveira do Bairro) (4)

Centro Social de Tolosa – 17 dez 2015 - Tolosa

Cantares de Natal e de Janeiras, Igreja Matriz – 9 jan 2016 – Montalvão (5)

Romaria de S. Silvestre, Salão Paroquial de Póvoa e Meadas - 3 abril 2015 - Póvoa e Meadas (6)

Amizade com Amizade se paga – 23 abr 2016 – Casa do Povo, Montalvão (7)

2º Encontro Coros Ibéricos – 25 jun 2016 – Montalvão (8)

 

(1) Em conjunto com Agrupación “Jara y Tomillo” de Cedillo
(2) No final, interpretação da moda “Não quero que vás à monda”, em conjunto com o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Brinches (grupo de Cante Alentejano)
(3) Em conjunto com “Vozes de Almodôvar”  (grupo de Cante Alentejano)
(4) Em conjunto com Orfeão Sol, do Troviscal e O Son dos Cantares, de Pontevedra-Galiza
(5) Em conjunto com Orfeão de Portalegre
(6) Em conjunto com o Rancho Folclórico de Póvoa e Meadas e a Banda da Sociedade Filarmónica de Póvoa e Meadas - interpretação de Acordai, pelo EmCanto com a Banda - estreia absoluta de ambos os agrupamentos de Coro e Banda
(7) Em conjunto com Orfeão Sol do Toviscal e Adufeiras de Idanha-a-Nova
(8) Em conjunto com Son dos Cantares, de Pontevedra-Galiza e Orfeão da Covilhã

 

 

Final do I Encontro de Coros Ibéricos, em Montalvão - 27junho2015 

(Momento do nascimento e do anúncio da escolha da designação EmCanto ao Grupo Coral de Montalvão)

 

Códigos postais

Montalvão

Ordem Alfabética

 

Bairro Bernardino

 Estrada de Nisa  6050  - 431
 Rua do Bernardino 
 Rua do Posto da Guarda 
 Travessa do Posto da Guarda 
Praças  Praça da República 6050  - 441

 

 

 

 

 

 

 

Ruas

 Adro (do) 6050  - 440
 Almas (das) 439
 Arneiro (do) 467
 Arrabalde (do) 442
 Barca (da) 450
 Cabine (da) 447
 Cabo (do) 446
 Corredoura (da) 434
 Costa (da) 437
 Direita 436
 Ferro (do) 449
 Monte do Carreiro (do) 432
 São Pedro (de) 433
 Outeiro (do) 448
 São João (de) 444
 Traseiras (das) 438
 Vinha (da) 431

Travessas

 Porta de Cima (da) 6050  - 435
 Praça (da) 466
 São Pedro (de) 445
Largos  D. Manuel Godinho 6050  - 442
 Fonte Cerejo (da) 449

 

Lugares

 Barroca do Neto 6050  - 451
 Monte do Arneiro 452
 Monte do Duque 453
 Monte do Pardo 454
 Quinta da Fonte da Cereja 460
 Quinta da Fonte Feia 461

 

Ordem Numérica

6050  - 431

 

Bairro Bernardino

 Estrada de Nisa 
 Rua do Bernardino 
 Rua do Posto da Guarda 
 Travessa do Posto da Guarda 
6050  - 431

 

Ruas

(da)Vinha
432 (do)Monte do Carreiro 
433 (de)São Pedro
434 (da)Corredoura 
435 Travessa  (da) Porta de Cima 
436

 

Ruas

 Direita
437  (da) Costa
438  (das) Traseiras 
439  (das) Almas 
440  (do) Adro 
441 Praça  (da) República
442 Largo  D. Manuel Godinho
442

 

 

Ruas

 (do) Arrabalde
443  - 
444  (de) São João
445  (de) São Pedro
446  (da) Cabo
447  (da) Cabine
448  (do) Outeiro
449  (do) Ferro
449 Largo  (da) Fonte Cerejo 
450 Rua  (da) Barca
451

 

 

Lugares

 Barroca do Neto
452  Monte do Arneiro
453  Monte do Duque
454  Monte do Pardo
460  Quinta da Fonte da Cereja
461  Quinta da Fonte Feia
466 Travessa  (da) Praça
467 Rua  (do) Arneiro

 

Salavessa

Ruas  Todas as Ruas 6050  - 465

 

Luís Gonçalves Gomes

18 dezembro 2015

Luís Gonçalves Gomes

22 dezembro 2015

Luís Gonçalves Gomes

10 setembro 2015

 

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III Concerto de Encerramento de Época do EmCanto


Tributo ao atleta José Morujo Júlio


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II Concerto de Encerramento de Época do G. C. EmCanto


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I Concerto de Primavera - Tributo ao poeta popular, artesão e ensaiador António José Belo


I Concerto de Canções de Natal e de Janeiras


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I Encontro de Coros Ibéricos - lançamento da campanha para o restauro da igreja; criação do G. C. EmCanto


 

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