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Freguesia Montalvão

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Produção Local de Azeite

Como referido em “Economia Local”, a par da produção de queijo e de mel estas são, praticamente, as únicas atividades produtivas, com nível de produção industrial ou industrializada, no âmbito da Freguesia.

Em relação à produção de azeite, não fora a estrema escassez da apanha, por falta de mão-de-obra, Montalvão disporia de matéria-prima abundante e de muito boa qualidade, no entanto, ainda há quem anualmente proceda àquela tarefa, essencialmente para consumo doméstico.

Salvo um período determinado, Montalvão sempre dispôs de lagares de azeite, à maneira tradicional, graças à extensão dos olivais, pertencentes a particulares e à preocupação e gosto dos respetivos proprietários em procederem à apanha e à subsequente obtenção do precioso líquido, essencialmente para consumo próprio.

Montalvão chegou a dispor de vários lagares, operando em simultâneo nas épocas apropriadas. Por razões diversas, uma a uma aquelas unidades foram encerrando, chegando Montalvão a estar privado, por vários anos, de total autonomia a esse respeito. Por tal motivo, os montalvanenses viram-se obrigados a recorrer a outras localidades, por vezes até a distâncias consideráveis, com todos os custos e transtornos daí decorrentes.

Graças, no entanto, à iniciativa e investimento de um nosso conterrâneo – João Alonso, empresário em Lisboa noutros ramos de actividade – foi um daqueles lagares, há muito encerrado, adquirido e reativado (primeiramente ainda segundo os métodos tradicionais de produção) e posteriormente modernizado, como as fotos bem atestam.

A evolução natural das coisas, refletida numa legislação mais exigente em termos produtivos e, sobretudo, ambientais, obrigou a investimentos avultadíssimos, em termos de aquisição de novos equipamentos e controle de processos, nomeadamente para tratamento de resíduos e consequente proteção ambiental.

Montalvão e o próprio Concelho orgulham-se de dispor atualmente de uma unidade modernizada para produção de azeite, que permite não só assegurar a produção para a população local, poupando-lhes tempo e dinheiro, ao evitar o recurso a unidades mais distantes, como para as próprias povoações vizinhas e outras que, crescentemente a vêm utilizando, graças à qualidade assegurada.

LAGAR DE AZEITE DE MONTALVAO (Nº 8993)

Preditécnica Indústria Comércio e Serviços Lda.

Estrada Nacional 359 – Bernardino, 6050-450 Montalvão

Contatos: 217 611 120 (João Alonso)

e.mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Ninguém melhor do que aquele empresário para nos explicar o processo: (sic)

"Os solos, ou terras, do termo de Montalvão entre outras plantas predomina a oliveira com maioria de azeitonas galegas, cujas árvores muitas têm mais de 200 anos.

Este fruto muito apreciado para consumo de casa, azeitona de conserva e a maior parte da azeitona destinada a extracção de azeite, o qual era utilizado para a alimentação e para dar luz durante a noite com as denominadas candeias e lamparinas.

A extracção do azeite era feita nos lagares de azeite através de máquinas movidas a motores com muita mão-de-obra com esmagamento da azeitona pelas galgas, prensas e, através de água quente para separar o azeite da água chamada abufeira.

Em Montalvão nos anos anteriores a 1940 sempre existiram Lagares e com a chegada da electricidade a Montalvão nos anos de 1950 foi construído, por uma sociedade, um Lagar com máquinas mais técnicas e sofisticadas com uma produção de azeite muito grande que dava para consumo do povo de Montalvão e vender o restante para os armazenistas, cujo azeite era transportado em bidons de ferro.

Considerando a grande quantidade de azeitona colhida e o preço do azeite houve necessidade da construção de um outro lagar de azeite através da casa do Dr. Mário Relvas.

Com a saída da população de Montalvão para a zona da grande Lisboa e para o estrangeiro, verificou-se o despovoamento e a falta de mão-de-obra na agricultura o que motivou o lagar da sociedade não ter a azeitona para a sua actividade e ter fechado e, mais tarde nos anos de 1995 ter encerrado o Lagar do Dr. Mário Relvas, obrigando os olivicultores de Montalvão a levar a sua azeitona para o Lagar da Salavessa e do Pé da Serra e Nisa.

Motivado a transportar a sua azeitona para o Pé da Serra e com o adiamento por várias semanas do recebimento da azeitona naquele Lagar do Pé da Serra, levou o autor destas linhas, no ano de 1998, a comprar o Lagar ao Dr. Mário Relvas, a fazer manutenção às máquinas, introduzir novos equipamentos e contratar pessoal para voltar a industrializar Montalvão com o funcionamento do Lagar através do sistema de prensas.

No ano de 2.000 fez-se um grande investimento e modificou-se toda a estrutura do Lagar, importando de Itália novas máquinas em linha com menos mão-de-obra e mais produção.

Houve a preocupação de proteger o ambiente com tratamento das águas ruças (Abufeira) lavagem da azeitona e o recebimento da azeitona para contentores.

Os Lagares da Salavessa, Pé da Serra e Nisa encerraram nos anos anteriores e no ano de 2015 apenas o Lagar de Montalvão se encontra a receber a azeitona de Montalvão e de todas as povoações vizinhas, graças ao bom desempenho na extracção do azeite.

No sentido de continuar a industrializar a actividade do azeite a gerência do Lagar criou um rótulo para iniciar uma linha de engarrafamento de azeite no sentido de promover a venda em Portugal, como para o estrangeiro.

Como a população de Montalvão encontra-se bastante envelhecida maior parte da azeitona não é colhida ficando o fruto nas oliveiras, devido a mão-de-obra se tornar bastante onerosa, uma vez que o olival é composto de oliveiras de grande porte

.Embora a azeitona galega produza um azeite de grande qualidade e bastante apreciado no aroma e gosto, a sua produção é inferior, em comparação com outras azeitonas “cobrançosas” e de menor quantidade produzindo assim menos azeite.”(sic)

Luís Gonçalves Gomes

10 fevereiro 2016

Produção Local de Queijo

Montalvão sempre teve tradição na produção de queijos e outros derivados do leite, como queijo mole e o “estarambeque”, como é conhecido em Montalvão ou também “atabefe” ou “almece”, como se designa noutras paragens. Trata-se de um produto muito rico em nutrientes necessários ao ser humano. Apesar disso, não é, talvez por enquanto, um alimento de elevado consumo, sobretudo quando comparado com os diversos tipos de queijo.

A qualidade do queijo produzido em Montalvão, seja o artesanal, seja o das unidades de produção ali existentes, são de excelente qualidade, devendo-se a mesma, sobretudo, à qualidade da matéria-prima, uma vez que o leite utilizado é genuinamente o resultante de animais criados nos campos de Montalvão, sem misturas de qualquer espécie.

A produção não atinge os níveis massivos que uma boa operação de marketing não deixaria de exigir, mas a opção dos produtores é de preservar a qualidade genuína, acima de qualquer outro valor mais “venal”.

Sem intuitos comerciais, mas no sentido de prestar uma informação útil aos cidadãos, eis os dados respetivos:

Herdade do Monte Queimado - Montalvão

Francisco Miguel Ferrer Cardoso

Manuel Ferrer Cardoso*

* Contato: 938 094 586

 

Luís Gonçalves Gomes

10 fevereiro 2016

Apicultura

A apicultura é praticada em Montalvão e Salavessa desde tempos imemoriais, pelo que, muito antes das pessoas que abaixo se mencionam, outros mais se dedicaram a esta atividade exigente - pelo zelo que obriga a ter, praticamente durante todo o ano, no sentido de tratar e preservar as colmeias -, e igualmente dura, nomeadamente nos períodos da “cresta” (recolha dos “quadros” com mel), uma vez que se trata de uma tarefa realizada no pino do verão, por vezes em locais inóspitos, onde as colmeias foram previamente posicionadas.

As tarefas posteriores, consistindo na separação da cera e do mel depositado nos “quadros”, entre outras, não são menos absorventes e meticulosas.

Os antigos e típicos “cortiços”, deram lugar a modernas “arcas” e quadros e os métodos artesanais de extração e preparação do mel e seus derivados, deram lugar a instalações (melarias) processos modernos e biologicamente certificados e controlados

Por definição, o mel é um produto natural de abelhas, obtido a partir da sucção do néctar das flores (mel floral), de secreções de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores dessas partes vivas (mel de melato).

No caso particular da nossa região, o mel nela produzido é um produto de qualidade, resultante da flora autóctone, com predominância para o rosmaninho, conferindo-lhe uma coloração de um amarelo-torrado translúcido, inequívoca, como se ilustra.

Para mais e melhor informação sobre este riquíssimo alimento natural, justifica-se a transcrição (sic) do texto solicitado ao produtor José Vicente (v. nota abaixo) sobre o “Mel de Rosmaninho  MPB (Modo de Produção Biológico)", a quem agradecemos a disponibilidade e os esclarecimentos abalizados:

“O mel de rosmaninho em Modo de Produção Biológico (MPB) produzido e embalado pela Melbionisa – Agrupamento de Produtores Apícolas do Norte Alentejano, Lda., tem origem na colheita de néctar daLavandula pedunculata /stoechas (vulgar rosmaninho), bastante abundante nas encostas do rio Tejo do concelho de Nisa (Montalvão, Salavessa, Santana, Chão-da-velha), pelas colónias de abelhas (Apis mellifera L.) dos 10 apicultores sócios deste agrupamento de produtores.

 Estando inserida na Rede Natura 2000 e no Geopark Naturtejo, esta região beneficia de uma composição florística extremamente densa em termos de rosmaninho, o que potencia um grande fluxo de néctar desta planta na Primavera, que as abelhas colhem e transformam naturalmente em mel. É relevante o facto da zona de instalação destes apiários ter muitas centenas de hectares onde o referido rosmaninho e a esteva (cistus ladanifer), esta última apenas fornecedora de pólen (principal componente proteico na alimentação das abelhas) são espontaneamente predominantes, pois permite obter um produto final que dificilmente se consegue em zonas onde simultaneamente florescem outras plantas melíferas na Primavera, podendo conferir um caracter mais multifloral ao mel. Este mel, no entanto, caracteriza-se por ser  marcadamente monofloral de rosmaninho, de cor clara, suavemente aromatizado, de cristalização lenta e fina e com baixo teor de humidade.

 O Modo de Produção Biológico foi iniciado pelos apicultores sócios já em 2008, pelo que a produção disponível está devidamente certificada pela entidade responsável.

 Deste modo de produção, destaca-se a exigência de localização dos apiários em zonas onde apenas existe floração espontânea e/ou em MPB (raio de 3 Kms), a utilização de produtos naturais para controlo de doenças e, portanto, a total proibição na aplicação de produtos de síntese química para este fim, assim como na restrição para utilização de ceras não contaminadas, também elas provenientes do MPB.

 A Melbionisa é ainda detentora de uma melaria devidamente licenciada (PT-LEM 021- CE), onde se cumprem todas as regras exigidas actualmente em questão de segurança alimentar (sistema de HACCP instalado), e que garante um produto final de qualidade.”(sic)

MELBIONISA – Agrupamento de Produtores Apícolas do Norte Alentejano, Lda

 Estrada de Montalvão, nº6  Salavessa;      6050-465 Montalvão;      PORTUGAL

Contatos: 965 825 788 (José Vicente); 967 308 881(João Neto)

e.mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Apicultores de Montalvão:

- José da Silva Louro Possidónio: herdou de seu pai António da Silva Possidónio e de seus avós o gosto por esta atividade, a qual exerceu por mero gosto, a par da atividade profissional que desempenhou fora de Montalvão, durante cerca de quarenta anos e continua a exercer, inclusive fora de Montalvão.

Foi um dos fundadores do Agrupamento de Produtores de mel.

- José Miguéns (n: 12nov1948 - f: 4 dez 2017): os seus interessantes trabalhos artesanais, como as fotos bem a evidenciam, refletem a paixão que nutre pela apicultura, que aliás ainda pratica. Tendo herdado de seu pai, Bento Rafael Miguéns e primordialmente de seu avô e homónimo José Miguéns o gosto e a aprendizagem sobre apicultura, deu-lhes continuidade e desenvolveu-a depois em termos mais modernos.

Foi igualmente um dos fundadores daquele Agrupamento.  

Apicultores de Salavessa:

- José Vicente: apicultor entusiasta e esclarecido, foi o mentor e um dos apicultores que conjuntamente com os congéneres de Montalvão, Salavessa, Nisa e de outras localidades, fundaram a Melbionisa, Lda. – Agrupamentos de Produtores, sendo proprietário, inclusive, do edifício onde funciona a melaria.

Outros apicultores de Salavessa:

- Raúl Brás

- Joaquim Sabino

Luís Gonçalves Gomes

10 fevereiro 2016

Foto: Manuel Tremoceiro

10 fevereiro 2016

Fotos: ver aqui

Ervanária

Infelizmente, o único ervanário que existia em Montalvão, Domingos Semedo de Matos, mais conhecido por Domingos “Paixão”, faleceu, embora já com a idade muito avançada de 92 anos, por motivo de uma queda fatal. Não fora isso e, certamente, ainda o teríamos na nossa companhia, fruto da vida saudável que praticava e aconselhava, de forma entusiástica.

Apresentava-se como curandeiro, ervanário e massagista, fazendo cura com argila, que julgamos ter sido a sua iniciação, sendo na altura e por muitos mais anos militar da GNR, em Lisboa.

Através da publicação de sua autoria, de que damos conhecimento, poderá saber-se mais a seu respeito e das suas sábias recomendações.

Foi uma figura simpática e bem informada sobre esta “ciência” de curar através da botânica. Embora seja comum dizer-se que ninguém é insubstituível, há porém uns que o são menos do que a generalidade, como é o caso deste nosso conterrâneo.

Sem contradizer o que antes referimos, a verdade é que já antes dele, embora talvez menos conhecido dos montalvanenses, pelo menos das gerações mais novas, tivemos um outro ervanário / curandeiro - José Guerra – cujo neto, José da Graça de Matos, ele próprio apresentado neste “sítio” como poeta popular, lhe dedicou dois poemas, cujo mote de um deles reproduzimos, por o definir muito bem como tal.

 

    Mote: Meu Avô Era Ervanário 

 

Meu avô era ervanário

Com ervas curava a dor

Viveu cem anos na vida

Sem nunca ir ao doutor

Luís Gonçalves Gomes

11 fevereiro 2016

 

A campanha de 1704 - invasão de Portugal pelos espanhóis 

..."Há poucos vestígios das fortificações, que cingião antigamente a Villa, das quaes  se dis, que forão  arrazadas na campanha de 1704"...(1)

Que campanha foi esta que, pelos vistos, tão arrasadora foi para a então já precária fortificação de Montalvão? É o que procuraremos saber através da seguinte transcrição: (2)  

“Ao morrer Carlos II, rei de Espanha (1700), sem descendentes directos, aparecem como pretendentes ao trono, por um lado Luís XIV, rei de França, em nome de seu neto e presumido herdeiro, Filipe, Duque de Anjou, a que o monarca espanhol o legara por testamento, e por outro lado o Imperador da Alemanha, Leopoldo I, que o pretendia para seu o segundo filho, o Arquiduque Carlos da Áustria, mais tarde o Imperador Carlos VI da Alemanha.

Resultou destas pretensões a guerra da sucessão de Espanha, em que se envolveram vários estados.

Ao lado do Imperador colocaram-se a Inglaterra, a Suécia, a Dinamarca e a Holanda, desejosas de verem diminuído o poderio Francês; a Espanha e a Baviera uniram-se à França. Portugal, com D. Pedro II, apoiou ao princípio o Duque de Anjou, aclamado depois Rei de Espanha com nome de Filipe V. Porém, como velho aliado da Inglaterra, rapidamente assumiu o partido do Arquiduque Carlos.

Em virtude dessa atitude, Portugal foi invadido pelas tropas franco-espanholas sob o comando do Marechal de França, Duque de Berwick (James Fitz-James Stuart y Churchill, 1º Duque de Berwick) nos princípios de Maio de 1704, sendo ocupadas sucessivamente Salvaterra do Extremo, Segura, Zebreira, Monsanto, Idanha-a-Nova e Castelo Branco.

Pretendendo avançar sobre Abrantes, mas não conseguindo atravessar as Talhadas, passou o Tejo em Vila Velha do Ródão e foi ocupar Montalvão, Marvão, e Portalegre, com o objectivo de assegurar a marcha pela margem esquerda do Tejo. Faz a junção com outras tropas suas amigas que tinham invadido esta província portuguesa e ainda lá se encontravam.

Então, segundo Carlos Selvagem, de entre os generais portugueses começou a despontar um verdadeiro cabo-de-guerra – o Marquês das Minas, que governava a província da Beira e que reforçado por tropas do Minho e Trás-os-Montes, marcha de Almeida sobre o Tejo, bate e corta o corpo do exército espanhol que ocupava a Beira Baixa e recupera sucessivamente Segura, Idanha, Zebreira, Ladoeiro, Castelo Branco, Ródão, etc. Isto passa-se um ano depois, em 1705.

No Alentejo, o Conde das Galveias invade a fronteira e apodera-se de algumas povoações. Em 1706, reorganizado o nosso exército o inimigo é repelido de tal forma que os nossos soldados, sob o comando do Marquês das Minas, após vitórias sucessivas, avançam com glória até Madrid, onde é aclamado o Arquiduque Carlos com o nome de Carlos III. Estas guerras só terminaram no reinado de D. João V, com o tratado de Utreque em 1715, havendo porém sido assinado em 1712 um armistício entre as duas nações.”  (sic) (2)

Luís Gonçalves Gomes

16 fevereiro 2016

 

(1) VICENTE, António Pedro, "Memórias e Documentos para a História Luso-Francesa-XI", Manuscritos do Arquivo Histórico de Vincennes, Referentes a Portugal II, (1803-1806); Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris-1972.
(2) In http://www.jf-zebreira.pt/site/freguesia/historial

 

Moinhos do Rio Sever

Da publicação referenciada em Bibliografia(1) respigamos as seguintes passagens:

…”portos que existem no rio Sever na extensão do território de Montalvão, a partir da confluência do rio de S. João, onde acabamos de o deixar e onde termina o território da Póvoa.

Porto do Bonsem, os do Moinho Branco, do moinho António Lopes, da Nogueira ou Branquinho, do Artur Novo, do Moinho do Mendes, Moinho de Pedro Valente, S. Brás, Figueira ou Maria Neta, Dourados, Malhomão, Artur Velho ou Alagador, Carneiro e Foz.”… (1)

Estes portos de outrora do rio Sever, confundem-se com os moinhos antigamente existentes, distinguindo-se uns dos outros em função de disporem de menor ou maior vau, ou seja, de nessas zonas do rio este se poder atravessar a pé ou apenas por meio de jangada ou barca, respetivamente. Todos eles tinham uma caraterística comum, que era o facto de as suas margens serem inóspitas, de difícil acesso, …”rudes e bravios”… para pessoas e animais, como ainda temos bem presente.

Apesar disso, os "moinhos do rio Sever", a par dos fornos existentes na vila, tiveram durante largos anos uma importância capital para a economia local e para a sobrevivência da população, ao lhes garantirem uma componente fundamental do seu sustento alimentício, a farinha de trigo e os seus derivados, o pão e outros.

Além disso, os moinhos de Montalvão desempenharam igualmente um indesmentível papel na socialização das populações vizinhas de Montalvão e Cedillo, sendo pontos de encontro e de confraternização para sucessivas gerações de montalvanenses e “cedilhanos”, já para não falar na solidariedade demonstrada pelos seus proprietários-moleiros ao acolherem e alimentarem tantos fugitivos da guerra civil de Espanha, correndo eles próprios sérios riscos, perante as autoridades portuguesas. 

Por outro lado, as célebres e tão saudosas pescarias no rio, tendo como local de estadia, e quantas vezes de pernoita, os próprios moinhos, os "palheiros" dos animais de carga - em regra os burros - ou o lajeado circundante no dias e noites de maior brasido, eram esperadas e organizadas com a maior expetativa e não menor ansiedade pelos mais novos, daí resultando experiências de vida inesquecíveis.

O declínio destas unidades produtivas, maioritariamente disseminadas ao longo da margem esquerda do Sever, foi impulsionado pela chegada da eletricidade a Montalvão, nos finais da década de 1940, início da seguinte, e, consequentemente, com a instalação posterior de uma unidade moageira elétrica na vila, também ela desaparecida, anos mais tarde.

O golpe fatal - inexorável sinal do progresso -, foi dado pela construção da barragem hidroelétrica, junto à confluência do Tejo internacional com o seu afluente português, o nosso Sever, e a consequente submersão de todos os moinhos, mesmo os situados a maior distância, como foi o caso do Moinho Branco e da Nogueira.

Com a precciosa ajuda dos nossos conterrâneos João Alonso e Aurélio dos Remédios Morujo - eles próprios familiares de moleiros e com experiência no ofício -, aqui fica o preito do nosso reconhecimento e homenagem coletiva, através do registo dos nomes dos moinhos de outrora do rio Sever:

- Moinho Branco (2 unidades); Moinho do Lapão ou do Ica, de António Alonso; Moinho da Nogueira; Moinho do Artur; Moinho da Maria Neta, de Aurélio Leandro Morujo; Moinho do “Ti Manuel Pedro”. 

Luís Gonçalves Gomes

16 fevereiro 2016

Bibliografia:

(1) VICENTE, António Pedro, “O Génio Francês em Portugal sob o Império, Aspectos da sua actividade na época da invasão e da ocupação deste país pelo exército de Junot, 1807-1808, Lisboa 1984” .

"Anexo n.º 3 - Descrição da parte do rio Sever, compreendida desde o porto dos cavaleiros até à confluência no Tejo na extensão dos territórios da Póvoas e de Montalvão-Território de Montalvão, p.3 a 5”

Notícias

Nota Explicativa

Entrada em funcionamento do "sitio" da Junta de Freguesia de Montalvão

 

I - Como está organizado

A publicação "on-line" do primeiro "sítio" ou publicação oficial, via internet, da Junta de Freguesia de Montalvão justifica que façamos uma sintética apresentação da respetiva estrutura e seus conteúdos mais relevantes.

Assim, tal estruturação obedeceu a um conjunto de critérios e finalidades, tendo em conta, por um lado, a conveniência em disponibilizar informação útil e de fácil acesso aos cidadãos (ou mais rigorosamente dito, os fregueses, isto é, os que dependem diretamente da Freguesia), por outro lado, reunir e sistematizar informação sobre o passado e o presente da Freguesia, que interesse tanto às pessoas direta ou indiretamente ligadas a Montalvão e Salavessa, como aos forasteiros, que as pretendam conhecer mais aprofundadamente e, desejavelmente, visitar.

Podemos assim agregá-las, resumidamente, nos seguintes blocos de informação:

1º O primeiro bloco, apresentado em banda de rodapé, corresponde a informações úteis e expeditas, umas atualizadas automática e diariamente, como é o caso da meteorologia referente exclusivamente a Montalvão, quer para o próprio dia, quer no horizonte dos seis dias seguintes (basta clicar "ver mais"), ou das relativas às farmácias de serviço no concelho; outras, por seu lado, são estáticas, como é o caso do Posto Farmacêutico de Montalvão ou dos telefones de emergência considerados mais prioritários, já que o contato através do n.º 112, está generalizamente divulgado e é conhecido por todos;

2º O segundo bloco, prende-se, como referido antes, com um conjunto de informações prioritária e diretamente destinadas aos habitantes que necessitam conhecer, quer os responsáveis da Freguesia a quem se devem dirigir, quer a diversidade de serviços suscetíveis de serem prestados pela mesma, o que poderá ser encontrado nos "botões" ou separadores principais: "Junta de Freguesia" e "Espaço do Cidadão". Neles poderá obter o seu N.º de Eleitor

3º A informação contida em "Montalvão" e "Salavessa" é de natureza pretensamente didática - com todas as ressalvas que devem ser feitas a este respeito -, sobre alguns aspetos insuficiente esclarecidos ou, quiçá, desconhecidos sobre a historiografia das localidades que compõem a Freguesia. Como é suposto, interessarão particularmente aos mais ligados a elas e dentro destes, aos que mais se interessam e estudam até estas temáticas. 

Mas poderão igualmente interessar e serem até apelativas para os forasteiros que as pretendam conhecer melhor, sob os diferentes aspetos do passado que delas emana, do ponto de vista histórico-cultural, isto porque delas ouviram falar ou tiveram conhecimento, de alguma forma;

4º O último grande conjunto de informações que a todos - fregueses, visitantes ou público em geral - igualmente poderá interessar, está contido no separador principal "Espaço do Visitante". Aqui poderá encontrar uma multiplicidade de temas, alguns de natureza revivalista (no bom sentido da expressão), que, estamos convictos, tocará o lado sensível de muitos montalvanenses.

Aqui se faz igualmente tributo e se dá a conhecer com a amplitude e abrangência que as novas tecnologias permitem aos multifacetados "artistas" populares locais, ao  "Acervo Patrimonial", às "Coletividades Locais"  de Montalvão e Salavessa e a vária outra informação que seria exaustivo enunciar aqui.

 

Para além deste blocos principais e das suas subdivisões, que facilmente explorarão, há ainda destacar a possibilidade de qualquer pessoa comunicar e interagir à distância com a Junta de Freguesia, através de "Contatos", bem como aceder a outras entidades por via eletrónica, não só através do separador "Links", como por meio de outros endereços que se encontram disseminados por vários conteúdos, v.g. "Coletividades Locais"

 

II - Como consultar

A procura de determinado tema poderá ser feita por uma de duas formas:

1ª Através da listagem contida em  "Mapa do site" do qual poderá aceder diretamente ao tema que pretender clicando na respetiva designação;

2ª Através dos separadores principais e dos seus desdobramentos, consoante a condição  de "cidadão" ou "visitante" ou indistintamente, conforme o interesse objetivo que lhe seja despertado.


Nota final:

Conforme é referido em "Mensagem" ("Início"), este

..."não é, nem pode ser, um trabalho último e inacabado, desde logo porque não temos a pretensão de o ser, mas também porque a inexorável dinâmica da vida não permitiria que o fosse.

Ficamos assim totalmente recetivos aos contributos (envio de fotos, enriquecimento de textos e conteúdos em geral, correção de involuntários lapsos de memória ou omissões, etc.) e às sugestões construtivas que se enquadrem nos parâmetros e finalidades deste espaço internáutico, na certeza de que o mesmo não esgota, nem substitui outras vias de comunicação e de diálogo mais pessoal e direto com os órgãos responsáveis pela Junta de Freguesia de Montalvão"...,

mais se acrescentando, que este local privilegiado de comunicação não é, agora e desejavelmente para sempre, exclusiva de ninguém, porque a todos pertence e a todos deve estar aberto à participação construtiva, porque só dessa forma se poderá construir um melhor futuro para as nossas queridas Montalvão e Salavessa.

Sejam pois muito bem-vindos  a este lugar de partilha coletiva.

Com as minhas cordiais saudações,

O Presidente da Junta de Freguesia de Montalvão

Manuel  Gordo Tremoceiro

Agrupamento de música pop

Como mais uma demonstração da apetência natural das gentes de Montalvão para as atividades de caráter cultural e lúdicas, um grupo de jovens conterrâneos, nos finais da década de 1970, até meados de 80, deram largas à sua vocação própria para a música, neste caso na sua expressão pop e ligeira, formando um conjunto musical.

Durante vários anos, foram eles que animaram os bailes das festas organizadas em honra de Nossa Senhora dos Remédios. E cumpriram muito bem essa missão.

Muitos montalvanenses se divertiram, dançaram e, sabe-se lá, conheceram e encontraram os companheiros para toda a vida, graças às aproximações proporcionadas pelas músicas que estavam mais em voga e que eles interpretavam para todos nós, com bem disfarçado sacrifício, pela falta do seu próprio divertimento, para além, claro está, do prazer de praticarem a música de que gostavam e que nos proporcionavam, tão generosamente.

Para além das atuações em Montalvão, várias outras fizeram nas localidades vizinhas e até a maior distância, como Monforte, por exemplo.

Como jovens que eram na altura, estudantes uns, já trabalhadores outros, sem serem profissionais da música, seria difícil darem continuidade a este projeto, com muita pena própria, seguramente.

Hoje em dia são profissionais em diferentes áreas, mas o gosto da música mantém-se intato, sendo um prazer ver a sua alegria e saudável cumplicidade quando têm a oportunidade de se juntar e tocarem juntos. Como estamos a tratar de música, pode ser, como nos cantou o José Afonso …”Qualquer dia, qualquer dia!”…

Eis os nomes destes briosos rapazes (cinquentões, agora), com a única foto que conseguimos obter de um dos seus ensaios na Casa do Povo de Montalvão (gentilmente cedida por José Luís Graça):

Jose da Silva Roberto, Jose Duarte São Pedro, Jose Luís Graça, Fernando Gordo, Joao da Costa, Mário Sereno, António Sereno, com participação também de Jose Batista Domingos.

 

 

Luís Gonçalves Gomes

18 fevereiro 2016

Manuel Tremoceiro

18 fevereiro 2016

Luís Gonçalves Gomes

18 fevereiro 2016

Manuel Tremoceiro

18 fevereiro 2016

Canções tradicionais

As canções tradicionais de Montalvão, a par da poesia popular e de outras interessantes manifestações próprias da cultura popular montalvanense, formam um património cultural imaterial inestimável. Trata-se de uma riqueza coletiva, que, tal como o acervo patrimonial que possuímos, importa inventariar, recuperar e proteger, em primeiro lugar pelos próprios montalvanenses, através da sucessiva transmissão, oral e de preferência escrita ou gravada, em termos fotográficos, de imagem e som, das memórias vivas que ainda subsistam. E, subsequentemente, através do recurso ao que a legislação aplicável consagra, neste caso, através das entidades autárquicas locais, sem prejuízo da mobilização de outras instituições particulares vocacionadas e disponíveis para este efeito, reunir e tratar toda essa informação, por enquanto algo dispersa, de uma maneira profissional, coerente e duradoura.

E tal mobilização é absolutamente necessária, na medida  em que, infelizmente, a Lei de Bases do Património Cultural, não contempla o património cultural imaterial (PCI) em qualquer dos níveis de proteção estabelecidos (interesse nacional, público ou municipal), no sentido de poder beneficiar de uma proteção com a chancela de classificação, segundo qualquer um daqueles interesses, ao contrário do que felizmente aconteceu, por exemplo, com a Igreja Matriz e o Castelo de Montalvão, por se tratarem de bens imóveis, que, como é sabido, obtiveram as classificações, respetivamente, de "Edifício de Interesse Municipal" e "Monumento de Interesse Público".  

Contudo, a proteção legal, com validade jurídica, suscetível de ser conferida ao PCI, decorre da respetiva inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, instituído no âmbito daquela Lei de Bases - Decreto-Lei n.º 149/2015, de 4 de agosto, que criou o regime jurídico para a salvaguarda do PCI.

A inventariação do PCI é suscetível de ser materializada através da base de dados com acesso público e gratuito, o "MatrizPCI", o qual consiste num ..."sistema de informação pioneiro a nível internacional, que suporta e promove a realização do procedimento de protecção legal do património cultural imaterial, de forma integralmente desmaterializada, com recurso exclusivo às tecnologias da informação"....

Posto isto e sem prejuízo de iniciativas mais substanciais que sejam levadas a cabo neste domínio, como é o caso, desejavelmente, da criação do "Cancioneiro de Montalvão", da "Coletânea de Poetas Populares de Montalvão" e outras dedicadas às outras artes populares, segue-se um pequeno e modestíssimo contributo nesse sentido, que não é mais do que a reprodução escrita, da recolha feita em janeiro 2016 das quadras outrora cantadas (v. a seguir a fotos) por atuais utentes (v. fotos infra) do Lar Joaquim Maria da Costa, da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão, dado que, desta feita, não foi possível reproduzir a gravação com as mesmas, efetuada em 19/02/2016, no referido Lar. Eis os seus nomes:   

- Joana Tomásia (92 anos); Maria Francisca Miguéns (88 anos); Maria Gonçalves Mourato (85 anos); Maria Miguéns Domingos (83 anos); Mariana Marques (83 anos); Silvina Fidalgo (72 anos), todas de Montalvão, tendo-se juntado ao grupo Maria Isabel Pires (94 anos), de Salavessa.

 

(fotos: Luís Gonçalves Gomes; 11 abril 2016))

 

 

 

Quadras Soltas de Montalvão

 

(Quadras do cancioneiro de Montalvão; recolha feita em janeiro 2016)

1ª

O dia em que eu me casei

Três mudanças fez o dia

Estava o céu enevoado

Fazia sol e chovia.

2ª

Ao longe meu amor ao longe

Ao longe é que é o luar 

Ao longe que se vê

Quem é firme no amar.

3ª

Ó lua perdida lua

Não digas à minha amada

Que eu passei à tua rua

Ao romper da madrugada.

4ª

Ó laranja, tangerina,

Desejo de ti um gomo

A tua gente imagina

Que eu com a vista te como.

5ª

As rosas da tua cara

Não são como as outras, não,

As tuas colhem-se (a)os beijos

E as outras colhe(m)-se à mão

6ª

A tua boca é uma rosa

Teus dentes são as folhinhas

Teus braços cadeias d’ ouro

Que prendem saudades minhas.

7ª

Já lá vem abril e maio

Já lá vão esses dois meses

Já lá vai a liberdade

Com quem falava, às vezes.

8ª

Ó moscatel, moscatel

Como tu não há igual

És o vinho mais porreiro

Dentro e fora de Portugal.

9ª

Desfolhei um malmequer

Para ver se me querias bem

Tinhas ódio refinado

Não dizias a ninguém.

10ª

O teu cabelo faz ondas

O teu cabelo é o mar

Nas ondas do teu cabelo

Aprendi a navegar.

11ª

Ó bela rua da Costa

Cercada de arquinhos brancos

Aonde o meu amor passeia

Domingos e dias santos.

12ª

O craveiro da minha sogra

Só três cravos é que deu

Toda a gente tem inveja

Do mais lindo ser o meu.

13ª

Da minha janela à tua

É um saltinho de cobra

Quem me dera já chamar

À tua mãe minha sogra.

14ª

O sol de maio é quente

É como a pimenta, queima

O meu amor é teimoso

Eu tenho a mesma teima.

15ª

Esse amor não é o meu

É o da nossa Maria

O meu traz colete preto

Uma fita que alumia.

16ª

Hoje é sábado da Virgem

Recolhem os lavradores

Hei-de me por à janela

Ver passar o meu amor.

17ª

Por via do saramago

Arranquei o pé ao trigo

Eu morro d’uma paixão

Por não acabar contigo.

18ª

Quando eu tinha quinze anos

Tinha mais desembaraço

Namorava por acenos

Coisa que agora não faço.

19ª

Mandei fazer um relógio

Da folhinha do poejo

Para contar os minutos

E as horas que te não vejo.

20ª

Minha mãe é minha amiga

Amiga de me compor

Põe o lenço na cabeça

Vai à missa linda flor.

21ª

Dá-me uma pinguinha d’água

Dessa que eu ouço a correr

Entre silvas e mantrates

Alguma pinga há-de haver.

22ª

Meu amor quando abalou

Desatou-me o avental

Apertou-me a mão e disse

Adeus, até ao Natal.

23ª

Chapéu preto não se usa

Quem o traz não é ninguém

Que há-de meu amor fazer

(A)O chapéu preto que tem

24ª

Fui ao rio despedir-me

D’uma pedra de lavar

Só de ti não posso

Despedir-me sem chorar.

25ª

Nossa Senhora dos Remédios

Tem uma pedra à janela

Aonde vão os passarinhos

A cantar na primavera.

26ª

Tem uma pedra à janela

E uma porta de loureiro

Bem podia ser de ouro

Que ela tem muito dinheiro.

27ª

O encarnado debota

O verde perdeu a cor

Só eu é que não perco

Amizade (a)o meu amor

28ª

Para que me apertas as mãos

Os dedos para que mos trocas

Para que andas com isso amor

Tu a mim já não me voltas.

29ª

Meu amor não faças caso

De quem te anda a iludir

Se o nosso amor acaba

Promessas se vão cumprir.

30ª

Cantamos, deixamos disso

Deitamos terra na lama

Bem rico era o meu sogro

Bem pobre me deu a dama.

31ª

A minha porta faz lama

A tua lama faz lamaceiro

Quando falares em mim

Olha para ti primeiro.

32ª

Onde vais Maria dos Anjos

Onde vais tu a chorar

Vou ver do meu amor

Que está na venda a jogar.

33ª

Rosa branca não tem cor

Rosa branca desmaiada

Dizem as outras rosas todas

Rosa branca não me é nada.

34ª

Tenho dentro do meu peito

Um relógio a trabalhar

Trabalha com todo o jeito

Sem ninguém corda lhe dar.

35ª

A rosa depois de seca

Foi-se a queixar ao jardim

O jardineiro lhe disse

Tudo no mundo tem um fim.

36ª

Portalegre és tão alegre

Tão triste és para mim

Degradaste o meu amor

Degrada-me agora a mim

37ª

Amor alto e delgadinho

Como a espiga do centeio

Tem o namorar baixinho

Não me agrada o teu paleio.

38ª

Trocaste-me a mim por outra

Como se troca um vintém

É o mesmo, não me importa

À trocas que dão por bem.

39ª

Deixaste-me por eu ser pobre

Outras faltas não as tinha

Se querias outra mais rica

Procuravas a Rainha.

40ª

Ó minha mãe, minha mãe

Ó minha mãe, minha amada

Quem tem uma mãe tem tudo

Quem não tem mãe, Não tem nada.

41ª

Montalvão é boa terra

Está no cimo de cabeço

Já o quiseram comprar

Mas Montalvão não tem preço.

42ª

Montalvão é boa terra

Montalvão é terra bela

Muita gente de Lisboa

Morre de amores por ela

43ª

Minha terra é Montalvão

Minha terra não a nego

Sou do Concelho de Nisa

Distrito de Portalegre.

44ª

Se tu visses o que eu vi

Fugias como eu fugi

Uma cobra a tirar água

Outra a regar o jardim.

45ª

Chora a casada de lidas

A viúva de não ter

A solteira sempre diz

Não acredito sem ver.

46ª

Ó rua da Costa abaixo

Rua da Costa acima

Vou ver o meu amor

Ao café da Tia Joaquina.

47ª

Eu não sei que fiz ao sol

Que não dá na minha rua

Hei-de me vestir de preto

Que de branco anda a lua.

48ª

O anel que tu me deste

Era de vidro e quebrou-se

Amizade que tu me tinhas

Era pouca  e acabou-se.

49ª

Abalei do Alentejo

Olhei para trás, chorei

Alentejo da minh’ alma

Que tão longe vais ficando.

50ª

O Alentejo não tem sombra

Senão a que vem do céu

Assenta-te aqui amor

À sombra do meu chapéu.

51ª

Passarinho abre as asas

Abre as asas, toma o vento,

Vai-me levar esta carta

Onde tenho o pensamento

52ª

Ó irmão da minha alma

Tão espalhados nós andamos

Fazemos por nos dar bem

No céu nos ajuntaremos.

53ª

Ó água que estás correndo

Por baixo da sacristia

Ó terra que estás comendo

A quem tão bem eu queria.

54ª

Os olhos do meu amor

São os que nunca me esquecem

Quanto mais olho para eles

Mais bonitos me parecem.

55ª

A laranja quando nasce

Nasce toda redondinha

Quando tu nascente

Nascente para ser minha.

56ª

Amor com amor se paga

Para que não pagas amor

Olha que Deus não perdoa

A quem é mau pagador.

57ª

Cada vez que eu me encontro

De cara a cara contigo

Sobem-me as cores ao rosto

Fico vazia do sentido.

58ª

Oliveira da Serra vem

O vento leva a flor

Só a mim ninguém me leva

Para o pé do meu amor.

59ª

Ó Oliveira da Serra

Disposta no arraial

Dá-lhe o vento não se torça

Assim faz quem é leal.

60ª

Daqui para a minha terra

Tudo é caminho e chão

E tudo cravos e rosas

Dispostas pela minha mão

61ª

Azeitona é miudinha

É como o milho miúdo

Em se acabando a azeitona

Lá vai amor, lá vai tudo.

62ª

Trovisqueira, trovisqueira

Donde tanto amargor vem

Quem me chama trovisqueira

Poucos bens ou nada tem

63ª

O laranja, tangerina

Caiu para o tanque da neve

Mal haja o meu amor

Que sabe ler e não escreve

64ª

Amar-te não é só isso

Tenho mais que me embarace

Há muito que eu era tua

Se eu sozinha mandasse

65ª

As estrelas assim o dizem

Dizem, que afirmo eu,

Quem despreza o seu amor

Despreza o que Deus lhe deu.

66ª

Atirei com a pena ao ar

Cavei no chão fiz um i

Andes tu por onde andares

Nunca me esqueço de ti.

67ª

Se esta rua fosse minha

Eu mandava-a ladrilhar

Com o brilho dos meus olhos

Só para o meu amor passar.

68ª

Fui a Espanha, sou espanhola

Fui a França, sou francesa

Fui à ilha da Madeira

Agora sou portuguesa.

69ª

Sou cigana, sou cigana

Sou cigana, não o nego

Eu sou a maior cigana

Que entrei na vila do Pego.

70ª

O jardim da minha porta

Que eu sou o teu jardineiro

Eu quero ser sabedor

Das rosas que abrem primeiro.

71ª

Tenho dentro do meu peito

Do lado do coração

Duas letrinhas que dizem

Amar e deixar-te, não.

72ª

Dá-me uma pinguinha d’água

Não me dês pela panela

Dá-me pela tua boca

Que eu não tenho nojo dela.

73ª

Nós somos três irmãzinhas

Todas fazemos jeitos

Bebemos a nossa pinguinha

Mas Isso não é defeito.

74ª

Eu sou a mana mais velha

Mas ando sempre doente

Gosto muito de vinho

Mas muito mais de aguardente.

75ª

Eu sou a mana do meio

Gosto muito da saúde

Cada vez que eu bebo vinho

É um garrafão de almude.

76ª

Eu sou a mana mais nova

De todas a mais borrachona

Cada vez que bebo vinho

Dou-te uma estampa na….

77ª

Soldadinho que vem de Elvas

Não viste lá meu amor

Lá o vi, lá estava ele

Vinha de Penamacor.

78ª

Eu tenho no meu quintal

Um vaso com doze flores

Três Marias, três Isabelas,

Três Anas, e três Leonores

79ª

Jurei e pus a mão

Em cima de oitenta livros

De não amar outros olhos

Enquanto os teus forem vivos.

80ª

Viva a malta, viva a malta

Viva a malta, treme o chão

Não há mais malta mais porreira

Que a malta de Montalvão.

81ª

Quem diz que uma saudade

Que não chega ao coração

Ter amor e verá

Se chega ou não.

82ª

Debaixo da oliveira

Meu amor é que é amar

Tem a folha miudinha

Não entra lá o luar

83ª

Na folha do eucalipto

É que eu aprendi a ler

Hei-de levar-te de casa

Sem a tua mãe saber.

84ª

O sentido variado

Mesmo agora variou

Quem me dera ir

Onde ele agora chegou.

85ª

Esta moda bem cantada

Cantada como ela é

Até faz cantar os velhos

Ao canto da chaminé

86ª

Eu fui a que acendi

Lume numa chaminé dourada

Eu fui a que tive amores

Reparti e fiquei sem nada

87ª

Pus-me a cantar às avessas

Na pedra duma coluna

Contei sete, seis e quatro

E três e duas e uma.

88ª

Atirei com o lírio, lírio

Atirei com o lírio ao chão

Atirei com o meu sentido

Às moças de Montalvão.

89ª

A roseira da estação

Deita rosas para a linha

O meu coração não fala

Mas adivinha.

90ª

Uma rosa, duas rosas

Criadas no mesmo pé

Uma mãe cria uma filha

Sem saber para quem é

91ª

O alecrim da ribeira

Quando reverdece arrebenta

Diz que eu não sou firme

Fala para mim, experimenta

92ª

Eu hei-de amar um vale verde,

Enquanto tiver verdura

Hei-de amar quem eu quiser

Contigo não fiz escritura.

93ª

Quatro pares a dançar

Todos no mesmo ladrilho

É o cravo é a rosa

Açucena e o junquilho

94ª

Vale mais ser do que ter 

Cá na minha opinião

O ter é para toda a vida

E o ter ou será ou não

95ª

Ó água que vem da serra

Quando vem à cidade

Eu não sou rica mas tenho

Amores à minha vontade

96ª

Não sou pó, nem sou poeira

Nem sou terra, nem sou nada

Sou um ramo de tristeza

Que vive abandonada.

97ª

Eu quero bem à desgraça

Que sempre me acompanhou

Tenho ido sempre a aventura

Do que no melhor me faltou.

98ª

Não te quero bem, nem mal

Tenho o coração em brasa

Não morro por te não ver

Nem desgosto de ser escrava

99ª

Já vi duas estrelas

Que no céu se prenderam

Entraram pela tua casa

Que do céu se desprenderam.

100ª

Quero cantar, ser alegre

Que a tristeza nada tem

Eu nunca vi a tristeza

Dar de comer a ninguém.

101ª

Chamaste triste, triste

Ainda  cá não há tristeza

Ainda não há quem tenha

A minha liberdade presa.

102ª

Amores ao longe, ao longe

Ao longe é que é amar

Ao longe é que se vê

Quem é firme no amar.

103ª

Assenta-te aqui amor

Tu numa pedra e eu noutra

Aqui choramos os dois

A nossa ventura é pouca

104ª

Delicado é o peixe

Que faz a cama no lodo

Delicados são teus olhos

Que me prenderam de todo

105ª

Eu tenho à minha janela

O que tu tens não tens à tua

Um vaso de violetas

Deita cheiro a tua rua

106ª

Rapazes de Montalvão

Quando para fora vão

Toda a gente lhes procura

Lindos moços donde são

107ª

A folha da parra seca

Anda no mar a nadar

Eu dantes queria-te muito

Agora quero-te a dobrar

108ª

Ó Alta faia sombria

Mesmo à entrada da Póvoa

Já não tenho quem me dê

Do meu amor uma nova

109ª

Sou pobre não tenho nada

Moro no meio da rua

Se eu fora rica, morgada

Há muito que eu era tua.

110ª

Castelo de Vide é de seda,

A Póvoa é de veludo,

Com respeito à mocidade

Montalvão combate tudo.

*Nota:

1. Recolhidas pelas utentes do Lar Joaquim Maria da Costa, da SCMMontalvão): Joana Tomásia (92 anos); Maria Francisca Miguéns (88 anos); Maria Gonçalves Mourato (85 anos); Maria Miguéns Domingos (83 anos); Mariana Marques (83 anos); Silvina Fidalgo (72 anos) – recolha feita em 19 fevereiro 2016, no Lar Joaquim Maria da Costa, da SCMM.

2. O Grupo Coral EmCanto, inclui no seu repertório uma seleção das quadras supra, organizadas e musicadas por Luís Gonçalves Gomes, a que deu o nome de "Canção de Amor", estreada no Concerto Amizade com Amizade se Paga, na Casa do Povo de Montalvão, em 23 abril 2016, no qual se prestou tributo a António José Belo, intimamente associado à cultura popular de Montalvão (v. cartaz neste site). O referido grupo de utentes tiveram uma pequena atuação no mesmo concerto, a convite do EmCanto, interpretando "Nesta rua tem um bosque" e justamente a "Canção de Amor", conforme registos na página de facebook do Grupo Coral.

Em data posterior, o mesmo Grupo Coral incluiu uma nova canção "Quadras Soltas", formada por um outro conjunto de versos oriundos da mesma compilação e identicamente organizadas e musicadas por Luís Gonçalves Gomes.

                                                                                                                                              Luís Gonçalves Gomes

                                                                                                                                                    23 abril 2016 

São Silvestre

 

Papa Silvestre I

O Papa Silvestre I será filho de pais cristãos, de Roma, de seu nome Rufinus (segundo  o Liber pontificalis)  e Justa (de acordo com o Vita beati Sylvestri ) e terá nascido no ano 285 d.c., em Roma. Morreu em 31 de dezembro de 335, aos 50 anos de idade.

No Depositio episcoporum, ou seja, a lista das datas de falecimento dos bispos romanos, compilada cerca de um ano após a morte de Silvestre, consta o dia 31 de dezembro como o do seu sepultamento, celebrado em todo o mundo cristão nesse preciso dia. A mesma data é apresentada no “calendário” de Philocalus (354).

Foi sepultado na Igreja de S. Silvestre, por ele mandada construir sobre a Catacumba de Priscila, na Via Salaria, em Roma. Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para outra igreja, construída em sua honra pelo Papa Paulo I.

Depois da morte do Papa Melquíades, Silvestre foi nomeado Papa (o 33º) e, decorrentemente, Bispo de Roma, em 31 janeiro de 314. O seu pontificado durou 21 anos, até à data da sua morte.

Não existe grande informação sobre o seu pontificado apesar de o mesmo ter coincidido com a época do Imperador Romano Constantino, o Grande, durante a qual a Igreja católica sofreu uma notável evolução. Não passam, assim, de lendas, as narrativas que mencionam factos que envolvem S. Silvestre, tais como a sua perseguição, o concílio dos 275 Bispos de Roma, a cura e o batismo do imperador Constantino, a dádiva imperial ao Papa e os direitos que lhe foram concedidos.

Tais narrativas ou lendas, encontram-se compiladas, na sua maior parte, no Vita beati Sylvestri, surgido no Oriente e preservado em grego, siríaco e latim no Constitutum Sylvestri - um relato apócrifo de um suposto concílio romano que pertence às falsificações de Simanco -, e também no Donatio Constantini.

O Papa Silvestre I manteve sempre boas relações com Constantino e o apreço do Imperador por S. Silvestre chegou ao ponto de lhe doar o palácio de Latrão, que tinha pertencido à Imperatriz Fausta, para sua residência, o qual acabou por ser usado, durante vários séculos, como residência pontifícia.

Através do Édito de Milão, em 313 (também chamado de Édito da Tolerância), Constantino proclamou a liberdade de culto para todas as religiões, passando o cristianismo a ser a religião oficial do Estado e do Império Romano e, a partir daí, os cristãos puderam, finalmente, professar abertamente a sua crença.

Efetivamente, a partir daquele Édito findaram as perseguições aos cristãos as quais perduraram ao longo de mais de 300 anos (tantos quantos a idade do cristianismo, até então), iniciando-se assim um novo período de Paz na Igreja e, consequentemente, de maior afirmação e crescimento da mesma. 

Como “Pontifex maximus”-autoridade cumulativamente atribuída aos Imperadores Romanos – competia-lhes a regulação de todas as práticas religiosas, no âmbito do Império Romano. Consequentemente, Constantino fez introduzir na religião cristã vários dogmas, baseados nas tradições dos primeiros cristãos.

Através do Édito de Constantino, promulgado em 321, ficou determinado que o dia de descanso oficial em todo o Império seria o domingo, exceto para os lavradores. Esta determinação de Constantino baseava-se na crença de uma prática já seguida pelos primeiros cristãos, ou seja, de organizarem o calendário das festas religiosas, segundo a consideração de dias fastos (dias positivos, em que tudo corre de feição) e nefastos (o oposto daqueles), sendo a prática do trabalho proibida nestes últimos.

No entanto, a escolha do domingo para dia de descanso, não se baseou apenas na tradição sabática judaico-cristã, mas igualmente por ser o "dia do Sol", resultante do antigo culto romano do Deus-Sol Invictus, a divindade padroeira dos imperadores-soldados do século anterior, de que o Imperador Constantino era o lídimo representante.

Sobretudo a partir do Édito de Milão, a autoridade da Igreja foi estabelecida e reconhecida e em sinal dessa afirmação, durante o pontificado de Silvestre, construíram-se alguns dos primeiros monumentos cristãos, tais como a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, as igrejas dos Santos Apóstolos em Constantinopla, as grandes igrejas em Roma, como a Basílica e o Batistério de Latrão, junto ao primeiro palácio imperial - cedido ao Papa Silvestre, por Constantino, para sede e residência papal, como já referido -, a Basílica do Palácio Sessoriano (Santa Croce in Gerusalemme), a igreja primitiva de São Pedro (erigida sobre o túmulo de S. Pedro) no Vaticano e várias igrejas (S. João e S. Paulo) sobre os túmulos de mártires.

São Silvestre é também recordado por promover a renovação do espírito e como protetor da Fé, bem como dos seguidores mais fiéis de Cristo, contra as doutrinas hereges que começavam a surgir a coberto da paz e da liberdade, entretanto instituídas. Destas, a mais difundida e adversa era a ariana (propagada pelo herege Ário),que no essencial negava a conceção da Trindade, segundo a doutrina cristã.

O Papa Silvestre tomou parte nas negociações a respeito do arianismo e do Concílio de Nicéia. No entanto, sem nele ter participado, autorizou então a convocação, pelo Imperador Constantino, desse Primeiro Concílio Ecumênico, em Nicéia (em 324-325, na Ásia Menor). Neste Sínodo, perante a presença de Constantino, o herege Ário foi condenado, assim como o ensinamento ariano, tendo sido reafirmada a divindade de Cristo e a sua consubstancialidade com o Pai (Deus-Pai) e foi promulgado o Credo Niceno - o compêndio de todas as verdades da fé cristã.

Neste primeiro Concílio, foi também promulgado o documento intitulado “Donatio Constantini” (Doação de Constantino). Através deste documento de poder imperial, foi outorgado pelo Imperador ao Papa, o Palácio de Latrão e o domínio sobre Roma, Itália e sobre o mundo ocidental ou seja, a primazia sobre todos os outros patriarcas, assim como o comando temporal sobre o Império do Ocidente. Estas dádivas ou outorgas, tanto ao Papa Silvestre, como aos seus sucessores, terão sido conferidas por Constantino como sinal de gratidão pelo seu batismo e cura milagrosa. No século XV, porém, tal doação foi considerada uma falsificação.

Além do Concílio de Niceia, foram realizados ainda os Sínodos de Arles e Ancira. No concílio de Arles, convocado por Constantino, em 1 de agosto de 314, o Papa Silvestre esteve ausente. Por prudência, enviou emissários para presidirem ao mesmo, no qual foi confirmada a condenação dos donatistas, heréticos que defendiam que o batismo não era válido quando ministrado por quem não tinha uma vida santa.

Durante o seu pontificado, São Silvestre estabeleceu ainda novas bases doutrinais e disciplinares, dotando a Igreja de um novo contexto social e político, disso decorrendo o entrosamento entre o clero e o Estado.  

Foi igualmente o Papa Silvestre que instituiu o domingo como o "dia do Senhor" e o que terá usado pela primeira vez a Tiara papal.

A memória de Silvestre é particularmente ligada à Igreja de Equitius, que tem esse nome por causa de um presbítero romano, que, segundo consta, erigiu essa igreja na sua propriedade, a qual se encontrava situada nos arredores das termas de Diocleciano (as maiores da Roma Antiga, dedicadas ao Imperador Diocleciano, em 306) e ainda existe.

Responsável pela existência da escola romana de canto - cantochão ou Canto Gregoriano, formado, sensivelmente, desde o fim das perseguições (313), até S. Gregório Magno (590) -, São Silvestre contribuiu ainda para o desenvolvimento da liturgia da Igreja, tendo o primeiro martirológio sido concebido durante o seu pontificado.

(O Martirológio Romano é o catálogo dos santos e beatos honrados pela Igreja Católica Romana. Apesar do nome, inclui todos os santos conhecidos e não apenas os mártires.)

Silvestre I foi um dos primeiros santos canonizados sem ter sofrido o martírio, como reconhecimento da Igreja Católica por ter sido durante o seu papado que os cristãos deixaram de ser perseguidos, torturados e mortos, por acordo e determinação do Imperador Constantino I, o Grande, como já antes referido.

 

Luís Gonçalves Gomes

29 fevereiro 2016

Bibliografia:

“Los Papas” – La vida de los pontífices a lo largo de 2000 años de historia; texto: Antonino Lopes; fotos: Gianfranco Crimi; Ed. Futura Edizioni; p.11

  “Crónicas dos Papas”; de P.G.Maxwell Stuart; Ed. Verbo; pp. 26 a 28

https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Silvestre_I

obaudahistoria.blogspot.com/2012/01/s-silvestre-i.html

http://origemdaigreja.blogspot.pt/2011_08_01_archive.html

“Os Quintos”

É certo que todas as terras têm as suas tradições populares, algumas com origens que se perdem nos confins do tempo, mas não obstante a inexorável passagem do mesmo, algumas ainda perduram e outras, porém, já nem memória temos delas, em função do maior ou menor enraizamento popular que alcançaram. Montalvão não foge a essa imparável regra da Vida.

Este “sítio” da Junta de Freguesia de Montalvão e este espaço, em particular, poderão ser um bom local de acolhimento para registo e conservação dessas nossas memórias coletivas, para que as boas tradições montalvanenses não se diluam com o passar dos anos e com o desaparecimento dos que ainda as possam conservar na sua memória.

Algumas das publicações que se apresentam no separador respetivo “Espaço do Visitante – Publicações” contêm interessantes registos sobre diversos tipos de tradições, que importa reter e conservar, sob o risco de os poucos exemplares que ainda poderão restar e a respetiva dispersão, impedirem o conhecimento pelo maior número alargado possível de pessoas interessadas. Este espaço de comunicação interativa pode colmatar ou minimizar esse sério risco.

Há uma antiga tradição de Montalvão, porém, que não encontramos descrita em nenhuma daquelas publicações ou noutra que se conheça, não obstante ser bem interessante, pela sua genuinidade, pelo espírito de cumplicidade e de solidariedade que lhe estava subjacente e que, de certo modo, ainda hoje persiste entre as pessoas da mesma idade, ou melhor, que nasceram no mesmo ano, independentemente do mês de nascimento e que adotaram a original designação de “quintos”  .

Os "quintos" criaram alguns rituais que praticavam em determinadas épocas festivas e durante um dado espaço de tempo, perpassando através de sucessivas gerações. Atualmente, ainda é comum estes grupos celebrarem os anos de nascimento, eventualmente as décadas mais marcantes da sua vida, reunindo-se em almoço, mas agora (sinal dos tempos) fazendo-se acompanhar dos respetivos consortes.

Noutros tempos, porém, os jovens "quintos", antes da respetiva incorporação militar, como era comum, por volta dos vinte anos, com idades que compreendiam os grupos com 19, 18 e os 17 anos, e a partir destes, cumpriam a tradição herdada dos antepassados, de formarem os seus grupos etários específicos, circulando muitas vezes aos domingos pela aldeia, divertindo-se saudavelmente e cantando ao despique pelas ruas e nas tabernas, as músicas e as quadras típicas de Montalvão.

Este procedimento atingia maior proporção e entusiasmo nas épocas festivas, muito particularmente durante as festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios e, mais particularmente, na romaria à Ermida respetiva, aonde se dirigiam em grupos separados por aquelas idades, em carros engalanados para o efeito e fazendo-se acompanhar por um acordeonista, que cada grupo contratava a expensas próprias, procurando surpreender os outros com as músicas que preparavam em segredo, numa rivalidade ingénua e saudável.

Chegados à Ermida era vê-los em torno da mesma a cantarem as suas canções, acompanhados pelo “seu” acordeonista e tocando as pandeiretas que mandavam fazer para a ocasião e que engalanavam com fitas multicores. 

Outra época igualmente celebrada era a das “sortes”, ou seja, aquela em que tinham de ir à inspeção militar, por regra em Nisa, conjuntamente com outros jovens de todo o Concelho. No final da inspeção, os sentimentos eram os mais variados, tendo diferido em função do início da chamada guerra colonial. As “sortes” ditavam se o mancebo ficava apurado, a que correspondia uma pequena fita vermelha que ostentavam na lapela em sinal de terem sido “apurados para todo o serviço militar” , branca se ficavam reprovados (livres do cumprimento do serviço militar), e verde, se ficavam em espera, tendo de repetir a inspeção no ano seguinte.

Antes daquela guerra, era grande a rigidez do critério que determinava o apuramento e, subsequentemente, a incorporação e o exercício militares,  o que, no entanto, era para muitos uma benesse, na medida em que satisfazia a condição “sine qua non” de ingresso numa das forças para-militares. Era uma compreensível e legítima aspiração, dado lhes permitir aspirar a melhores condições de vida, ao contrário do que a permanência na aldeia e a consequente precariedade do trabalho que nela havia lhes proporcionava. 

A rigidez do critério de apuramento, porém, tornou-se muito mais flexível, por força da necessidade e da decorrente compulsividade de incorporação militar massiva de jovens, em virtude das três grandes frentes de combate que os três ramos das Forças Armadas tinham de fazer face. Surgiu assim uma nova classificação deivada de “apurado” e que era a de “apurado para os serviços auxiliares”. Os "empenhos" que outrora se moviam para conseguir o apuramento, orientavam-se agora para a dispensa do serviço militar (o que era raro, diga-se) ou, no mínimo, para o “apuramento para os serviços auxiliares”, o qual sempre admitia outras possibilidades, que não a frente de combate.

Após as “sortes” e, sobretudo, derivado da dispersão provocada pela incorporação em diferentes unidades militares, no continente e no ultramar português, e após cumprido o serviço militar, a migração e a emigração por muitos tentada e conseguida, fizeram com que a coesão de “os quintos” tivesse perdido fulgor, mas não desaparecido totalmente, como já referido antes.

Luís Gonçalves Gomes

29 fevereiro 2016

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