José Maria Morujo
Este nosso conterrâneo deixou aos montalvanenses várias poesias manuscritas, tendo seu filho a gentileza de depositar uma cópia nesta Junta de Freguesia, para memória futura e, quem sabe, para integrar a desejada coletânea da poesia popular e do cancioneiro de Montalvão, que importa deixar como legado para futuro.
José Morujo (o "Velhinho", como o próprio se intitula), foi emigrante em França, à qual, aliás, também dedicou um poema, entre outros, inclusive de crítica social algo contundente, e deu-se ainda ao trabalho de elaborar uma “Relação de pessoas que emigraram de Montalvão à França, desde o ano de 1964 ao ano de 1970”, cuja cópia foi igualmente entregue nesta JFM.
Dada a sua condição de emigrante, que aparentemente tanto o marcou, reproduzimos o poema que escreveu a esse propósito:
Mote
Adeus, querida mulher.
Adeus, querido filhinho.
Adeus, queridos irmãos.
Adeus, querido paizinho.
Glosas
O dia em que eu abalei,
Então chegou-me coragem.
Pelo caminho pensei:
Mal o haja, mal o haja.
Seguindo a minha viagem,
Pensando na minha vida.
Disse adeus à terra querida,
Passa bem, se Deus quiser.
Adeus, queridos vizinhos.
Adeus, querida mulher.
Saí pela porta fora,
Então, mais o camarada.
Caminhando pela estrada…
Quando chegou aquela hora,
Minha querida, que chora,
Sozinha, sem ter ninguém…
Pensando em mim, porém,
Sem saber o meu destino.
Adeus, querida família.
Adeus, querido filhinho.
Atravessando a Espanha.
Caminhando para França.
Sempre com grande arrogância,
Passando pela montanha.
E venha o que vier, venha.
Temos que ir para a frente.
Então, como valente,
Pelo mato, como cabras…
Adeus, queridos camaradas.
Adeus, Queridos irmãos.
Subi pela minha escada,
A fazer a despedida…
Mas, oh que dor tão sentida
E que pena magoada!...
Não lhe pude dizer nada,
Porque ele estava dormindo.
Fui-me embora, fugindo.
Pelo caminho, dando um ai.
A todos dei um “Adeus”…
Adeus, querido pai.
Luís Gonçalves Gomes
04 fevereiro 2016
(1) MOURATO, António Cardoso, "Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa"; Ed. da Comissão Conservadora das Obras da Ermida de Nossa Senhora dos Remédios de Montalvão; pp. 99 e 100.
Júlio Baptista Morujo
Um poeta é uma alma sensível e, consequentemente, um atento observador de tudo o que o rodeia ou toca essa sua alma. Foi o caso deste nosso poeta, ao dedicar um poema ao seu presumível amigo João “Toureiro” - contrabandista montalvanense -, que morreu afogado no rio Sever, no exercício (perigoso) dessa atividade: (1)
Mote
O pobre do João Toureiro
Já do mundo se despediu.
No dia 20 de Fevereiro
Desapareceu no meio do rio.
Glosas
Pela fome foi obrigado
Ir a ver do inimigo.
Nunca pensando no perigo,
Que ia morrer afogado…
Foi por uma corda enleado,
Seguro por um companheiro.
No centro do rio traiçoeiro
Nada lhe pôde valer.
Ali teve que morrer,
O pobre do João Toureiro.
E sua mãe gritava
Sobre aquelas fortes águas…
Com o peito cheio de mágoas,
Pelo filho que não avistava.
Tanta coisa que arremessava,
Daquelas que a água cobriu…
Só o João mais nunca se viu
Depois que marchou p’ra fundura,
Ninguém lhe sabe a sepultura.
Já do mundo se despediu.
A sorte daquele desgraçado,
Deus queira que ninguém alcance.
Já se lhe fazia um romance,
Sobre os passos que se lhe têm dado.
Ele deve estar descansado,
Enterrado nalgum nateiro,
Sem se lembrar de pão nem dinheiro,
Nem do passo que se lhe passou…
Foi ele próprio quem se afogou,
No dia 20 de Fevereiro.
Ficaram filhos e mulher,
Neste mundo ao desdém,
Agradecendo a quem lhe faz bem,
À espera do que Deus quiser…
Nunca mais poderá ser,
Aqueles infelizes terem brio…
Lembram-se no que o pai se viu,
Numa morte tão de repente,
Que diante de tanta gente,
Desapareceu no meio do rio.
Luís Gonçalves Gomes
04 fevereiro 2016
(1) MOURATO, António Cardoso, "Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa"; Ed. Comissão Conservadora das Obras da Ermida de Nossa Senhora dos Remédios de Montalvão; pp. 101 e 102.
António da Graça Henriques
Não obstante ter deixado de residir em Montalvão desde os cinco anos de idade, segundo o próprio, nem por isso deixou de amar esta sua terra natal, como, aliás, nos poemas com que nos vem brindado frequentemente, fruto da sua inspirada e produtiva veia de poeta.
Até ao momento, compilou os seus versos em três fascículos que simpaticamente distribui pelos amigos, como foi o caso, apresentando-se em “Publicações” a imagem das capas respetivas. Como exemplo, segue o poema que escolhemos de entre os vários que tem publicado:
Eu amo a minha terra (Montalvão) (1)
Minha terra querida
Sempre te vou amar
Por partir não esqueci
Um dia hei - de voltar
Vivo longe de ti
Tomei esta opção
Sem trabalho não há dinheiro
Sem dinheiro não há pão
Quando um dia voltar
À Terra que me viu nascer
Os versos que eu te fiz
Foi por não te esquecer
Quando regressar um dia
Vou ver tudo o que deixei
Neste lugar tão querido
E as pessoas que amei
Uma certeza latente
Que nunca foi esquecida
Minha terra meu amor
Meu Alentejo querido
Luís Gonçalves Gomes
04 fevereiro 2016
(1) Fascículo n.º 2 “Montalvão, As Minhas Memórias – Versos - Aminha terra é linda”; 10fev2015
Artes Performativas
Falar das artes performativas que existiram em Montalvão, é falar da sua Banda Filarmónica, do seu Rancho Folclórico e do Grupo Cénico ou de Teatro, como se preferir, e já não é dizer pouco, porque foram social e culturalmente importantes à época, porque perduraram por vários anos, e porque, após a primeira extinção de todos eles, foram recriados e tiveram sucedâneos, em anos posteriores, com os jovens de então e, pelo menos em relação às duas últimas, sob a orientação de sempre do Mestre António José Belo, a quem dedicamos maior espaço em “Figuras Populares”.
O livro coordenado pelo Dr. António Cardoso Mourato, “Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa” dedica largo espaço, com o incontido e natural carinho que manifesta em relação à “sua” Banda ou não tivesse sido ele mesmo um dos jovens músicos fundadores, na especialidade de saxofone.
A profusa informação ali prestada sobre aquelas três “artes” tornaria redundante qualquer outra que aqui quiséssemos publicar, nem o escasso espaço disponível o permitiria.
Nos separadores que dedicamos expressamente a cada uma delas não deixaremos, no entanto, de selecionar o que consideramos importante registar para memória futura dos montalvanenses e das pessoas particularmente interessadas por estas matérias específicas da cultura popular.
Luís Gonçalves Gomes
04 fevereiro 2016
Festividades da Salavessa
Religiosas (1)
Comecemos por referir que o padroeiro da Salavessa é S. Gregório Magno, com veneração muito antiga, tal como S. Jacinto.
O primeiro, por morte do Papa Pelágio III, sucedeu-lhe na “cadeira de S. Pedro” no ano de 509, tendo adotado o nome de Gregório I, protetor dos camponeses e defensor da população italiana.
As festividades na Salavessa em honra do seu padroeiro realizavam-se no segundo domingo depois da Páscoa, mas a partir da década de sessenta, por força do êxodo da população foi perdendo fulgor até que deixaram de ser realizadas.
Por sua vez S. Jacinto, polaco de nascimento (1185), pertenceu à ordem dominicana, a qual instalou na Polónia em 1221, após o que foi incumbido de disseminar o evangelho pelo seu país, tendo colaborado na fundação de vários conventos.
Foi canonizado em 1594, pelo Papa Clemente VIII.
O culto a S. Jacinto pelos salavessenses é muito mais recente do que aquele e a festa em sua honra, apesar de não ser o padroeiro da localidade, mantém-se viva, realizando-se no terceiro domingo de agosto.
Na capela da Salavessa, estão patentes as imagens destes dois santos, assim como a de Santo António, tendo esta sido para aqui transferida nos finais do século XIX (1877), proveniente da antiga capela em honra de Santo António da Giesteira, desde há muito destruída.
Laicas ou populares
Na época pascal, mais precisamente no "sábado da aleluia", por volta do meio-dia - ao contrário do que acontece em outras localidades do distrito ou até da freguesia, em Montalvão, onde ocorre por volta da meia-noite -, a população de Salavessa realiza uma arruada tocando chocalhos de diversos tamanhos e sonoridades.
Em 2016, a organização esteve a cargo do Centro de Apoio Social da Salavessa, a que a população aderiu em número muito expressivo.
Luís Gonçalves Gomes
27 março 2016
(1) in BENTO, Luís Mário Correia, “Salavessa, Um contributo para a sua história”; Ed. do Autor; pgs 85 a 93.
José da Graça de Matos
Oficial da Força Aérea Portuguesa por profissão, tornou-se ou é poeta por vocação. Salvo as exceções que sempre há, é muito comum que assim seja.
A interessante compilação que fez dos seus poemas (1) está organizada em quatro capítulos: I – A Vila; II – Campo; III – Rio Sever; IV – Diversos.
Mas para além do poeta que busca inspiração na sua terra natal – Montalvão – que muito ama, é igualmente um estudioso e conhecedor da sua história, das suas tradições e das suas gentes.
Militar como foi, com comissões de serviço no antigo ultramar português, organizou o livro evocativo dos militares de Montalvão e Salavessa que, salvo uma ou outra omissão, ali igualmente cumpriram missões, conforme damos conhecimento em “Publicações”.
No entanto, este capítulo não comporta outro desenvolvimento que não seja o de dar a conhecer esta sua faceta de poeta popular montalvanense, pelo que mediante a solicitação que lhe fizemos, foi sua a escolha do poema que abaixo se transcreve, o qual não poderia estar mais ajustado ao espírito de abrangência e de multiculturalidade subjacentes a este "sítio" . É uma lúcida interpretação e um excelente "retrato" sociológico da vivência e da dureza de outros tempos:
O Rio Sever (1)
I
Que saudades que eu tenho
Do Rio Sever a correr
Água pura e cristalina
Que servia para beber
II
Do Moinho Branco à Nogueira
E do Artur à Toureira
Trabalhavam que nem escravos
Com sorrisos de brincadeira
III
A mulher carregava a trouxa
E arrastava o filho com ela
De joelhos lavava a roupa
Ele contrariado fazia a barrela
IV
O contrabandista que passa
Pela vereda escondida
Regressa na escuridão da noite
Carregando as malas da vida
V
O moleiro na sua faina
Transformava o trigo em pó
Já tinha a vista cansada
De tanto picar a mó
VI
Um bando de gaiatos a nadar
De pedra em pedra a saltar
Com os calções da cor da pele
E a barriga a dar a dar
VII
As figueiras da encosta
Eram a sua salvação
Dos figos pretos fez o conduto
E dos brancos fazia o pão.
VIII
O trabalho do linho era duro
Era duro de morrer
Assim morre com saudades
Do rio Sever a correr
Luís Gonçalves Gomes
04 fevereiro 2016
(1) “Montalvão, Recordar o Passado” compilação policopiada de poemas e de fotos alusivas pelo Autor.
João Gordo do Rosário Correia (1)
Salvo as referências feitas na publicação abaixo mencionada, infelizmente não dispomos de informações a respeito deste poeta popular da Salavessa, impedindo-nos de fazer aqui uma breve apresentação sua. A todo o tempo que as mesmas cheguem ao nosso conhecimento, será corrigida esta lacuna involuntária. Dos poemas publicados (1) escolhemos o que passamos a transcrever :
O Tejo (1)
Oh antigo Tejo velhinho
Ninguém sabe da tua fundação
Tu segues sempre o teu caminho
Desde a mais remota geração
Se tu nos pudesses falar
Ouviríamos coisas de admiração
Quando veio o grande dilúvio
Que o mundo inteiro arrasou
Desabamentos de muitas nuvens
O mundo inteiro alagou
Já estarias a correr antes
Como agora a ver-te estou?
É muito provável que sim
Que já seguisses o teu caminho
Mas nunca te viras assim
Não seguias o teu destino
Foi um castigo ao mundo inteiro
Mandado por um poder divino
Talvez tivesses já vida
Quando o Noé na barca entrou
Paraste a tua corrida
Tiveste água perdida
Nelas ninguém navegou
Tantos moinhos tens movido
Com a tua água normal
Ouro nas cheias tens trazido
Para pobre e rico és igual
Todos em ti tomam banho
Para a cura de certo mal
Tantas barragens eléctricas
Em ti se estão a criar
São profecias dos profetas
E estas não podem falhar
São serviços fantásticos
Que podemos observar
Há quantos séculos ó Tejo
Que tu corres à vontade
Não correrás outros tantos
Com os açudes vedados
Outras gerações ande vir
Que possam contar a verdade
Já o Muge e a Enguia
Em ti não podem navegar
E vieram guarda-rios
Para a pesca e águas guardar
Não entramos nas tuas ilhas
Sem uma conta pagar
…
Luís Gonçalves Gomes
05 fevereiro 2016
(1) BENTO, Luís Mário Correia, “Salavessa, Um contributo para a sua história”; Ed. do Autor; pg 133 a 142; poema “O Tejo”, pg. 135.
Manuel dos Santos Tavares (1)
À semelhança do que dissemos em relação ao outro poeta da Salavessa, João Gordo do Rosário Correia, também não dispomos de quaisquer informações a respeito de Manuel dos Santos Tavares, para além do expresso no livro em referência(1). Aqui encontram-se publicados dois poemas, “Ser Poeta” e “A Mulher”, ambos merecedores de publicação, com preferência nossa para o primeiro, por definir muito bem o que é ser-se poeta. No entanto, a extensão do mesmo não permite aqui a sua publicação, optando-se, sem qualquer desmerecimento, pelo segundo, até pelo tema que trata:
A Mulher (1)
A Mulher é uma rosa
Que deve ser estimada
Por ser o espelho do Homem
Sem Ela não era nada!...
Todas as coisas do Homem
Estão voltadas para a Mulher
É o coração e o cérebro
E até o próprio olhar!...
Ela é a nossa Mãe
Ela é quem nos dá o Ser
Somos Dela nove meses
Ainda antes de nascer!...
Depois pela vida fora
Dá-nos o leite e carinho
O que seria do Homem
Se tivesse que viver sozinho?
E quem disto tenha ilusões
Que olhe a Propaganda
Seja duma forma ou doutra
É já mais Mulher que lá anda!
Se dantes era uma escrava
Isso foi chão que deu uvas
Hoje já abriu os olhos
E até pôs umas luvas!...
Tem um bater que é tão doce…
Que até os mais duros vence
Com os beijos e abraços
E outras coisas que entontece!...
E se Ela é a procurada.
E o Homem quem A procura
Ela impõe a sua lei
Em que seja com doçura!...
Com doçura ou inteligência
Com amor, inda com graça
Faz do Homem uma criança
Por mais esforços que ele faça!
Tratemo-la com carinho
E em pé de igualdade
Para bem da nossa Espécie
Que é a humanidade!...
Luís Gonçalves Gomes
15 fevereiro 2016
(1) BENTO, Luís Mário Correia, “Salavessa, Um contributo para a sua história”; Ed. do Autor; pg 143 a 150; poema “A Mulher”, pg 149 e 150.
José António Vitorino (1)
José António Vitorino nasceu na Salavessa em 2 fevereiro de 1915 e a alcunha de “Zé Santo” advém do facto de ter nascido na rua do santo, naquela localidade. Durante a sua vida ativa realizou diversos e árduos trabalhos do campo, como era comum nesse tempo, para quem não tinha outra forma de se sustentar a si e á família que formava, ao atingir a idade de a constituir.
Teve uma vida difícil, mas viveu-a com amor, sentimentos que refletiu na poesia caraterizada por múltiplos sentimentos. É como a generalidade da poesia popular uma poesia simples, que no dizer do próprio, não teve aprendizagem, porque apenas lhe “sai desta cabeça”…
Eis como o próprio se retrata:
Quem Sou?
José António Vitorino
Conhecido por “Zé Santo”
Viúvo, um pássaro sem ninho!...
Vivo à mercê do destino.
Sempre um viver palpitante…
A minha jovem velhice
Para o que me havia de dar,
Faz lembrar-me a meninice…
Que eu tive afago e meiguice
E passei a vida a chorar.
Chego a casa que tristeza
Me comove o coração!...
Nunca tenho a luz acesa,
Quando eu tinha sempre a mesa
Já pronta para a refeição.
Tenho filhos, tenho netos,
Todo o bem sobre mim cai.
Isto são pontos concretos,
Tenho dois genros completos
Que até me tratam por pai.
De tudo o que eu preferia
Não é como a gente quer.
Para acabar esta arrelia
Era ter morrido o dia
Que morreu minha mulher…
Vou parar com este drama,
Não quero mais lamentar…
Quando chego à minha cama,
Não sinto o calor da chama,
Que aquece a cama e o lar!...
Luís Gonçalves Gomes
10 fevereiro 2016
(1) VITORINO, José António, “Terra Pousia” livro de poemas do próprio; organização e prefácio de António Louro Carrilho; ed. Comissão de Festas da Salavessa, 1984.
Desporto
Como não seria de estranhar, os jovens rapazes de Montalvão, amantes do futebol, tiveram a iniciativa de criar um “clube” da terra e, consequentemente, formaram equipas de jovens habilidosos, chegando a realizar alguns renhidos jogos com a equipa congénere da vizinha Espanha-Cedilho, numa época em que as possibilidades de travessia do rio eram muito mais escassas e dificultadas do que são agora, apesar das limitações ainda existentes, inexplicavelmente, quinze anos volvidos do início do século XXI.
Foi uma experiência episódica, mas voluntariosa e bem vivida por quem praticou aquele desporto. Eis os nomes dos jogadores dessas jovens, mas, infelizmente, fugazes equipas:
Primeira formação:
Fila da frente (baixo):
António Miguéns Morujo; João António; José da Silva Cardoso; Joaquim António; António Miguéns.
Fila de trás (em pé):
José Rafael; Manuel Sequeira; António Antunes; António Porfírio; António Júlio; António Martins.
Segunda formação:
Fila da frente (baixo):
António Miguéns Belo; Mário Belo; José Augusto; Joaquim António; José Duarte.
Fila de trás (em pé):
Joaquim da Graça; António Miguéns Morujo; José da Silva Cardoso; Joaquim Morujo; João Gonçalves; José Batista; Anselmo Roberto.
Houve certamente outros jovens montalvanenses ou descendentes de conterrâneos que praticaram aquela ou outras modalidades desportivas no sítio onde viviam ou estudavam.
Este espaço fica aberto a prestar informações a tal respeito.
Dois nomes merecem para já maior destaque, pelos resultados nacionais que alcançaram e correspondente notoriedade, de que os montalvanenses se devem legitimamente orgulhar:
- Trata-se do atleta do Sporting Clube de Portugal, Morujo Júlio(1), ainda bem presente na nossa memória, um dos melhores atletas do seu tempo, nas modalidades pista, corta-mato e estrada. Sagrou-se campeão de Portugal nos 1500 m., nas épocas de 1969 e 1970, entre outros êxitos(2);
- e também do antigo campeão nacional de ginástica, o hoje engenheiro Paulo Belo(1) (Paulo José Dinis Granchinho Belo), com a particularidade acrescida de ser neto do nosso tão citado Mestre António José Belo e, por conseguinte, filho do igualmente ilustre montalvanense, outro grande amigo de Montalvão, o Coronel José Maria Belo.
Paulo Belo, como é normal na prática da ginástica desportiva e não só, iniciou esta atividade na Associação Académica da Amadora, aos 10 anos de idade, nela tendo atuado na classe especial de ginástica. Aos 12 anos passou a praticar ginástica desportiva em diferentes aparelhos: movimentos livres; saltos de cavalo; cavalo com arções; paralelas; argolas e barra fixa. Com 17 anos, em 1979, sagrou-se campeão nacional de juniores pelo Sport Lisboa e Benfica e foi várias vezes campeão de Portugal. Numa competição Portugal-China, foi o segundo português melhor classificado e o sétimo da geral. Em 1980, foi convidado para representar Portugal nos campeonatos europeus da modalidade, mas uma grave lesão ocorrida três meses antes, não só o impediu de neles participar, como o afastou da prática desta exigente modalidade desportiva. Continuou, porém, ligado à ginástica desportiva, agora como treinador de jovens entre os 8 e 14 anos (uns quantos se sagraram como campeões nacionais nos respetivos escalões etários), no Sporting Clube de Portugal, como o professor japonês Satoaki Myakie, seu antigo treinador na seleção nacional. Atualmente é praticante amador de kickboxing, na Holanda, onde reside e trabalha, como especialista em geotecnia.(3)
Luís Gonçalves Gomes
10 fevereiro 2016
(1) MOURATO, António Cardoso, “Montalvão, Elementos para uma Monografia desta Freguesia do Concelho de Nisa; Ed. Comissão Conservadora das Obras da Ermida de Nossa Senhora dos Remédios de Montalvão, 1980, p.146.
V. item específico neste portal: "Desporto / José Morujo Júlio"
(2) Ler mais: http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Morujo_J%C3%BAlio#ixzz41wrBsZX4
(3) Respigo das notas biográficas solicitadas e redigidas pelo próprio.
Ensino
“O homem vale, sobretudo, pela educação que possui” (1)
“Educar uma sociedade é fazê-la progredir, torná-la um conjunto harmónico e conjugado das forças individuais, por seu turno desenvolvidas em toda a sua plenitude. E só se pode fazer progredir e desenvolver uma sociedade fazendo com que a acção contínua, incessante e persistente de educação atinja o ser humano sob o tríplice aspecto: físico, intelectual e moral.” (1)
“Portugal precisa de fazer cidadãos, essa matéria-prima de todas as pátrias”.
(Preâmbulo do Decreto de 29 de Março de 1911) (1).
(Citações retiradas do documento legal que institui a primeira reforma do ensino primário pelas autoridades republicanas em Portugal) (1)
…”a necessidade de, através do sistema educativo, forjar o novo cidadão republicano e patriota, demarcam as finalidades do ensino primário em Portugal entre 1910 e 1926. (1)
…”Os valores do conhecimento científico e da formação moral e cívica (inspirada em "preceitos inferidos da moral natural, ou aconselhados pela moral social, conducentes ao respeito da liberdade dos outro, e dignificadores do trabalho, da família, e, sobretudo da Pátria" deveriam informar o múnus profissional do professor primário”...(1)
…“A República tinha, assim, como projecto, transformar culturalmente a sociedade portuguesa”… (1)
…”O ensino primário conhecerá durante o período da I República, do ponto de vista da sua organização escolar, curricular e pedagógica, um conjunto de inovações que, não obstante o fruste alcance social obtido, manter-se-á como referência conceptual de reformas educativas que serão empreendidas em Portugal na segunda metade do século XX.”…(1)
…”Como ciclo de estudos de entrada no sistema educativo montado pelas autoridades republicanas, o ensino primário teria por principal missão inverter a chaga social do analfabetismo.”… mas, “não obstante as inovações introduzidas na letra do dispositivo legal e na praxis educativa, não lograram alcançar os efeitos da alfabetização projectada junto da população portuguesa entre 1910 e 1926.”… (1)
…”Do ponto de vista organizacional, a reforma empreendida em 1911 mantém formalmente uma escolaridade obrigatória em três anos”…
Foi nesta base que muitos montalvanenses - felizmente alguns ainda vivos -, iniciaram a sua formação escolar básica, mas que por aqui ficaram, à semelhança da generalidade do país.
Até à década de 30, não existia uma tipologia fixa de modelo de escola primária, variando o tipo de edifício de escola para escola, por vezes, à vontade do patrono – grande industrial ou comerciante local – que as mandava construir, o que, aliás, não tira nenhum mérito à benevolência do gesto.(2)
Em Montalvão, a primitiva escola de rapazes situava-se na Rua de S. Pedro, num edifício, de tipo arquitetónico normal, agora renovado e pertença de privados e, por seu lado, a escola de raparigas funcionava na antiga Casa Paroquial, na Rua da Barca, edifício atualmente ocupado igualmente por particulares.
Ambos os prédios deixaram de ter a função escolar, a partir da inauguração do novo edíficio escolar, este obedecendo já ao estilo arquitetónico introduzido pela reforma do Estado Novo.
Em complemento da primitiva escola de rapazes, funcionou como anexo o primeiro andar do agora designado Centro de Dia, eventualmente para descompressão do primeiro, devido aos consideráveis níveis demográficos existentes à época.
Neste Centro de Dia e antes de o ser, funcionou uma cantina escolar onde eram fornecidas refeições às crianças mais carenciadas.
Na década de 40, porém, já em pleno Estado Novo, foi lançado um plano ordenador, o Plano dos Centenários, que na sua génese se baseava em projetos-tipo a disseminar regionalmente, tal como observamos ainda por esse país fora. Montalvão foi assim igualmente contemplada com um belo edifício, ainda existente, onde se formaram gerações e gerações de crianças montalvanenses. (2)
Aquele Plano, contemplava a construção em larga escala de edifícios escolares, com a finalidade de proporcionar a todas as crianças portuguesas condições locais para adquirirem e evoluírem num nível de educação elementar. Passou a existir em quase todas as localidades do país (até à década de 60 foram construídas mais de 7000 escolas, a juntar a outras que já provinham, eventualmente, da monarquia ou da 1ª República), pelo menos, onde o nível demográfico justificava e exigia um edifício desse tipo. E mesmo onde tal não se impunha, como é o caso, por exemplo, de Salavessa, foi construída uma escola local, embora com menores dimensões e diferente tipologia.
A partir do início da década de 60, aquele modelo foi substituído por um outro substancialmente diferente em termos arquitetónicos e de funcionalidades – “escola de área aberta “ – e que se estendeu, tal como o anterior, a muitas localidades nacionais.
Muitas das antigas escolas de edifícios bem tipificados, acabaram por ser encerrados por falta de população em idade escolar, transitando para as autarquias locais, que os mantêm, atribuindo-lhes outras finalidades ou acabando por ser vendidos a particulares.
Nos casos de Montalvão e Salavessa, os respetivos antigos edifícios escolares são património da Câmara Municipal de Nisa, a qual, no primeiro caso, em relação a parte do edifício, celebrou um contrato de cedência em regime de comodato, com à Associação Recreativa e Cultural "Vamos à Vila".
Luís Gonçalves Gomes
10 fevereiro 2016
(1) http://www.searanova.publ.pt/pt/1713/dossier/163-
(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_prim%C3%A1ria
Professores de Montalvão e Salavessa
Tal como em relação à maioria das aldeias congéneres, o ensino em Montalvão foi caraterizado primordialmente pelo ensino básico obrigatório, inicialmente de três anos, tendo em vista a redução drástica do analfabetismo prevalecente em todo o país.
Como se disse no apontamento sob a epígrafe “Ensino”, aquele superior objetivo não foi atingido, não obstante, a evolução verificada, tanto ao nível das instalações escolares, como não menos importante, da formação dos professores(1), como, aliás, a nobilíssima função de ensinar impunha, desde logo neste nível de escolaridade.
Foram vários os professores que passaram por Montalvão e Salavessa e que por esse facto formaram, educaram e marcaram gerações de meninas e meninos ali nascidos ou residentes.
No entanto, uns mais do que outros, pelo seu carisma, pelo tempo de permanência ou pela natural empatia que se gera em ambos os sentidos permanecem e permanecerão na nossa memória coletiva e também na memória de cada um, pelos episódios que protagonizaram, fosse pela irreverência da idade ou pelos hábitos instituídos (ir aos ninhos, por exemplo, era para alguns mais apelativo do que aprender a tabuada) ou o que quer que fosse.
Não sendo possível listar todos, por falta até de informação sobre os seus nomes, sem deixar de reconhecer o imprescindível trabalho que aqui desempenharam, são dignos de destaque os seguintes Professores:
Os que exerceram em Montalvão (por ordem de antiguidade):
- Tomás Fraústo, familiarizado como “O Senhor Tomás da escola”
- Domingos Antunes – exerceu na antiga escola e inaugurou o novo edifício em 1950.
- Mónica Carita Baptista – inaugurou também o novo edifício, tendo permanecido em Montalvão durante 37 anos.
- António Pires Lopes – exerceu em Montalvão durante 28 anos, entre 1964-1992.
Os que exerceram em Salavessa:
- Elvira Galo – exerceu na Salavessa num primeiro período entre 1940-44 e depois, desde final dos anos 50 até à década de 80, ininterruptamente. Encerrada nesta altura a escola da Salavessa, transitou para Montalvão
Na década de 1960, a par do ensino da telescola generalizado a todo o país, eventualmente complementar do ensino presencial, funcionou em Montalvão o que poderíamos considerar um externato, onde se ministrava, e vários jovens montalvanenses adquiriram, o grau do 1º ciclo liceal. A criação do mesmo deveu-se à iniciativa do Pároco José António dos Santos, ele próprio professor e do Professor Francisco Louro, posteriormente, substituído pelo Professor António Pires Lopes. Não é de mais enaltecer a importância desta iniciativa, pelo impulso que deu à formação continuada de muitos jovens.
Este segundo grau de ensino, realizou-se em Montalvão durante cerca de 10 anos, terminando com o infeliz falecimento do Pe. José António, vítima de um brutal acidente de viação. Foi ele próprio uma perda irreparável para Montalvão, face à interação que desenvolveu em diversos domínios, como referido também em "Arte e Cultura Popular".
Após o abrupto encerramento daquele ensino particular, os jovens de Montalvão puderam ainda frequentar a 5ª e 6ª classes, como ensino público em Montalvão ou frequeantarem estes graus ou prosseguirem os estudos fora de portas.
Antes disso, porém, a Escola Primária de Montalvão chegou a receber alunos vindos do Pé da Serra e de Salavessa, após o encerramento das respetivas escolas, por escassez de alunos.
Nota complementar: por informação do nosso estimado Professor Pires Lopes, ouve um outro notável Professor, nascido em Montalvão, mas nunca aqui tendo lecionado, dado ter sido professor na Casa Pia, que foi o Prof. Faria Artur, que conjuntamente com os colegas Manuel Subtil e Cruz Filipe, editaram os livros de leitura das 2ª, 3ª e 4ª classes, livros esses, aliás, que contribuiram para a aprendizagem, entre 1942 e 1946, daquele nosso conterrâneo, por vivência e afeição.
Luís Gonçalves Gomes
10 fevereiro 2016
(1) NÓVOA, António; “Do Mestre-Escola ao professor do ensino primário Subsídios para a história da profissão docente em Portugal (séculos XV -XX);
http://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/2200/1/1987_3_413.pdf
Economia Local
Em tempos muito recuados, Montalvão dispôs de uma unidade de produção de artefactos cerâmicos, cuja ruína ainda hoje é conhecida por a “fábrica” mas, fora isso, pode dizer-se que o setor primário, primordialmente a agricultura, seguida da pecuária e, em muito menor escala, a pesca, designadamente a fluvial, foi o que prevaleceu nos tempos de maior demografia de Montalvão.
A cultura do linho, a sua subsequente comercialização, inclusive para fora de Montalvão ou a tecelagem local, mas de dimensão doméstica, foram em tempos idos atividades desenvolvidas localmente e que, de certo modo, asseguravam o sustento de algumas famílias locais.
Por orientação do governo de então e certamente para colmatar um dos efeitos colaterais da guerra civil de Espanha e da II Guerra Mundial – o combate à fome – tornou-se célebre a “campanha massiva de produção de trigo” por todo o Alentejo, Montalvão incluído. Daí o epíteto atribuído à extensa província alentejana de “celeiro de Portugal” .
Daquelas atividades primárias derivaram necessariamente outras atividades de natureza comercial, ao ponto de terem tornado Montalvão praticamente autossuficiente, em termos de alimentação, relativamente a produtos derivados da pecuária e da criação de ovinos e caprinos. A existência de vários talhos e salsicharias, a par da venda para fora de Montalvão, asseguraram ao longo de vários anos uma intensa atividade produtiva e comercial nesta área. Com esta finalidade, no início e mesmo nos finais da segunda metade do século XX ainda se matavam várias dezenas de animais por dia.
A par dos talhos e dos pontos de venda diária de peixe de mar - transportado até Montalvão pelos distribuidores - ou da produção artesanal e venda de produtos lácteos - em especial os queijos -, a existência de vários estabelecimentos para venda de diversos produtos – géneros alimentícios, utensílios vários, tecidos, etc. -, que impunham a permanente circulação de “caixeiros-viajantes” e até de “ourives ambulantes” - dado ser comum as famílias investirem as suas parcas poupanças em objetos de ouro, que gostavam de ostentar em dias de festa - eram, apesar das condições duras da vida, sinais de uma interessante dinâmica económica e social.
Das antigas e diversas tabernas ou tavernas, na expressão local mais corrente, já nada resta. Não é possível ignorar, nem menorizar o papel de socialização e de convívio que lhes estava associado, tanto de jovens, como dos mais velhos, homens certamente, porque a sua frequência não era própria de mulheres.
Desde a amena cavaqueira ou para desabafo das agruras do dia-a-dia, entre copos de “meia-lata” ou “traçado”, passando pela mais animada e bem regada cantoria dos “quintos”1 e não só, ou pelo jogo do “finto” e do “burro”, de tudo isto e mais ainda as tavernas de Montalvão eram palco e testemunho dessa confraternização social.
O tecido económico de Montalvão, em termos de artes e misteres, não se ficava por aqueles estabelecimentos. Nos tempos áureos que a memória dos mais velhos ainda recorda com clareza, incluiam-se os alfaiates e barbeiros (chegaram a coexistir oito estabelecimentos em pleno funcionamento), sapateiros (6), ferreiros (2), ferradores (3); espingardeiro (1) e fornos de lenha (6).
De tantos e tão diversificados, nada resta. Sucederam-lhe os “cafés” de que damos conhecimento no separador dedicado à “Gastronomia Regional – Comércio Local” e a nível do comércio de géneros, registe-se a existência do minimercado local, entretanto já encerrado.
Fora isso, a economia local está hoje praticamente confinada à produção de azeite no lagar local2, à produção de queijo2 em duas unidades, e mais residualmente, à produção de mel biológico2, na melaria existente em Salavessa, não contando com a produção particular de qualquer delas para estrito consumo doméstico. Tudo o resto é muito residual.
Luís Gonçalves Gomes
10 fevereiro 2016
(atualização: 11maio2018)
(1) “Quintos” – v. texto alusivo no separador com o mesmo nome.
(2) v. desenvolvimento em artigos específicos, neste portal, em "Economia Local-... "
Produção Local de Azeite
Como referido em “Economia Local”, a par da produção de queijo e de mel estas são, praticamente, as únicas atividades produtivas, com nível de produção industrial ou industrializada, no âmbito da Freguesia.
Em relação à produção de azeite, não fora a estrema escassez da apanha, por falta de mão-de-obra, Montalvão disporia de matéria-prima abundante e de muito boa qualidade, no entanto, ainda há quem anualmente proceda àquela tarefa, essencialmente para consumo doméstico.
Salvo um período determinado, Montalvão sempre dispôs de lagares de azeite, à maneira tradicional, graças à extensão dos olivais, pertencentes a particulares e à preocupação e gosto dos respetivos proprietários em procederem à apanha e à subsequente obtenção do precioso líquido, essencialmente para consumo próprio.
Montalvão chegou a dispor de vários lagares, operando em simultâneo nas épocas apropriadas. Por razões diversas, uma a uma aquelas unidades foram encerrando, chegando Montalvão a estar privado, por vários anos, de total autonomia a esse respeito. Por tal motivo, os montalvanenses viram-se obrigados a recorrer a outras localidades, por vezes até a distâncias consideráveis, com todos os custos e transtornos daí decorrentes.
Graças, no entanto, à iniciativa e investimento de um nosso conterrâneo – João Alonso, empresário em Lisboa noutros ramos de actividade – foi um daqueles lagares, há muito encerrado, adquirido e reativado (primeiramente ainda segundo os métodos tradicionais de produção) e posteriormente modernizado, como as fotos bem atestam.
A evolução natural das coisas, refletida numa legislação mais exigente em termos produtivos e, sobretudo, ambientais, obrigou a investimentos avultadíssimos, em termos de aquisição de novos equipamentos e controle de processos, nomeadamente para tratamento de resíduos e consequente proteção ambiental.
Montalvão e o próprio Concelho orgulham-se de dispor atualmente de uma unidade modernizada para produção de azeite, que permite não só assegurar a produção para a população local, poupando-lhes tempo e dinheiro, ao evitar o recurso a unidades mais distantes, como para as próprias povoações vizinhas e outras que, crescentemente a vêm utilizando, graças à qualidade assegurada.
LAGAR DE AZEITE DE MONTALVAO (Nº 8993)
Preditécnica Indústria Comércio e Serviços Lda.
Estrada Nacional 359 – Bernardino, 6050-450 Montalvão
Contatos: 217 611 120 (João Alonso)
e.mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Ninguém melhor do que aquele empresário para nos explicar o processo: (sic)
"Os solos, ou terras, do termo de Montalvão entre outras plantas predomina a oliveira com maioria de azeitonas galegas, cujas árvores muitas têm mais de 200 anos.
Este fruto muito apreciado para consumo de casa, azeitona de conserva e a maior parte da azeitona destinada a extracção de azeite, o qual era utilizado para a alimentação e para dar luz durante a noite com as denominadas candeias e lamparinas.
A extracção do azeite era feita nos lagares de azeite através de máquinas movidas a motores com muita mão-de-obra com esmagamento da azeitona pelas galgas, prensas e, através de água quente para separar o azeite da água chamada abufeira.
Em Montalvão nos anos anteriores a 1940 sempre existiram Lagares e com a chegada da electricidade a Montalvão nos anos de 1950 foi construído, por uma sociedade, um Lagar com máquinas mais técnicas e sofisticadas com uma produção de azeite muito grande que dava para consumo do povo de Montalvão e vender o restante para os armazenistas, cujo azeite era transportado em bidons de ferro.
Considerando a grande quantidade de azeitona colhida e o preço do azeite houve necessidade da construção de um outro lagar de azeite através da casa do Dr. Mário Relvas.
Com a saída da população de Montalvão para a zona da grande Lisboa e para o estrangeiro, verificou-se o despovoamento e a falta de mão-de-obra na agricultura o que motivou o lagar da sociedade não ter a azeitona para a sua actividade e ter fechado e, mais tarde nos anos de 1995 ter encerrado o Lagar do Dr. Mário Relvas, obrigando os olivicultores de Montalvão a levar a sua azeitona para o Lagar da Salavessa e do Pé da Serra e Nisa.
Motivado a transportar a sua azeitona para o Pé da Serra e com o adiamento por várias semanas do recebimento da azeitona naquele Lagar do Pé da Serra, levou o autor destas linhas, no ano de 1998, a comprar o Lagar ao Dr. Mário Relvas, a fazer manutenção às máquinas, introduzir novos equipamentos e contratar pessoal para voltar a industrializar Montalvão com o funcionamento do Lagar através do sistema de prensas.
No ano de 2.000 fez-se um grande investimento e modificou-se toda a estrutura do Lagar, importando de Itália novas máquinas em linha com menos mão-de-obra e mais produção.
Houve a preocupação de proteger o ambiente com tratamento das águas ruças (Abufeira) lavagem da azeitona e o recebimento da azeitona para contentores.
Os Lagares da Salavessa, Pé da Serra e Nisa encerraram nos anos anteriores e no ano de 2015 apenas o Lagar de Montalvão se encontra a receber a azeitona de Montalvão e de todas as povoações vizinhas, graças ao bom desempenho na extracção do azeite.
No sentido de continuar a industrializar a actividade do azeite a gerência do Lagar criou um rótulo para iniciar uma linha de engarrafamento de azeite no sentido de promover a venda em Portugal, como para o estrangeiro.
Como a população de Montalvão encontra-se bastante envelhecida maior parte da azeitona não é colhida ficando o fruto nas oliveiras, devido a mão-de-obra se tornar bastante onerosa, uma vez que o olival é composto de oliveiras de grande porte
.Embora a azeitona galega produza um azeite de grande qualidade e bastante apreciado no aroma e gosto, a sua produção é inferior, em comparação com outras azeitonas “cobrançosas” e de menor quantidade produzindo assim menos azeite.”(sic)
Luís Gonçalves Gomes
10 fevereiro 2016




